Fronteiras Invisíveis do Futebol #82 – Ruanda

Voltamos ao continente africano para tratar da História do pequeno Ruanda, um país localizado em grandes altitudes no coração dos Grandes Lagos! Infelizmente, a escolha se dá por um aniversário trágico, os vinte e cinco anos desde o fim do genocídio realizado em 1994. Começamos lá nas primeiras populações do território, especialmente os batwa, que residem ali até os dias de hoje. Vamos abordar as duas hipóteses de diferenciação entre tutsis e hutus, os dois principais grupos étnicos do país. A formação dos reinos locais, a chegada dos alemães, o domínio belga e as políticas racistas que ajudam na construção do cenário atual são abordadas. Falamos dos dois movimentos de independência, a ditadura, a guerra civil e o genocídio que deixou até um milhão de mortos em cem dias. Temperamos tudo isso com um pouco do esporte ruandês e mais uma história de Ubiratan Leal, o Livro. Dê play no seu podcast de História!

Referências no programa

Nerdologia História – Ruanda 1994

Relatório e obra pública produzida analisando os eventos

Filme Hotel Ruanda

Filme Shake Hands with the Devil (História de um massacre)

Filme Tiros em Ruanda

Documentário Earth Made of Glass

Entrevista The Rwanda Project, com Alfredo Jaar

Livro Uma Temporada de Facões, de Jean Hatzfeld

Série Black Earth Rising

Capítulo sobre Ruanda do livro Colapso, de Jared Diamond

Coleção História Geral da África em português da UNESCO

Livro Gostaríamos de informá-lo de que amanhã seremos mortos com nossas famílias, de Philip Gourevitch

Vídeo Genocídio: Definição, debate e lições da História

Texto 20 anos do genocídio em Ruanda: as lições para o mundo

Música de Encerramento Igisobanuro Cy’urupfu (The meaning of death), de Kizito Mihigo

Ouça o podcast aqui ou baixe o programa.

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Filipe Figueiredo, é tradutor, estudante, leciona e (ir)responsável pelo Xadrez Verbal. Graduado em História pela Universidade de São Paulo, sem a pretensão de se rotular como historiador. Interessado em política, atualidades, esportes, comida, música e Batman.


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16 Comentários

  • Tô amando essa overdose de podcast do XV❤️❤️❤️❤️❤️❤️

  • CAIO REZENDE ARANTES

    Olá Filipe e Matias!

    Finalmente terminei de ouvir todos os episódios, foram 3 meses ouvindo durante o trajeto de 40 km até o trabalho e de volta pra casa. Já é um costume ouvir podcasts e livros em velocidade 1,5 x, e aqui vai uma curiosidade: Toda vez que eu volto para a velocidade normal no fim de cada episódio (para ouvir a música de encerramento) parece que vocês estão bêbados!

    Um outro comentário é que na cidade onde moro, São José dos Campos, um McDonalds faliu também na década de 80.

    Gosto muito do Podcast e gostaria muito de ouvir mais sobre os países do sudeste asiático!

    Obrigado!

  • Adoro a “dobradinha” fronteira invisíveis do futebol e Nerdologia!

  • Victor Hugo Cavalcanti

    O episódio Engenharia Reversa ( Me Against Fire) da série Black Mirror (Epis.05 Temp.03) tem o genocídio de Ruanda como uma das referências. Além do episódio falar sobre um genocídio, o termo “barata” não é só utilizada verbalmente para desumanização como também visualmente, através de um implante neural colocados em soldados que transformam humanos normais em mutantes repugnantes aos olhos destes soldados.

  • Olá, caros Filipe e Matias! Confesso que números e história somente não são de me emocionar muito, mesmo sabendo de quão enorme foi o genocídio em Ruanda. Mas, a música de encerramento deu toda a emoção que eu ainda não estava sentindo e foi realmente de arrepiar. Mesmo sem entender nada da letra, deu pra sentir o sofrimento daquilo que estava sendo dito. Foi uma excelente escolha! Obrigada!

  • Pingback: Xadrez Verbal Podcast #196 – Oriente Médio, Ásia e MERCOSUL | Xadrez Verbal

  • Olá, Filipe e Matias,

    Estive em Ruanda a trabalho já faz dois anos e esse era um episódio que eu esperava há muito tempo, que bom que finalmente chegou! Tenho alguns comentários para adicionar umas informações sobre o país, ressaltando que ouço podcasts enquanto faço outras coisas em casa, então desculpa se alguma sugestão for redundante. Além disso, conheci apenas Kigali, então falo apenas com base no que vi na capital.

    Sobre esportes, vale apontar que o APR é o time do exército e que a polícia também tem um time na 1a divisão. A premier league parecia ser bastante popular, já que os caminhões locais, sempre enfeitados, costumavam ter os símbolos dos times ingleses – ou do Che Guevara.

    Assim que cheguei em Kigali, ficou evidente o grande nível de militarização tanto no aeroporto quanto no caminho pro hotel. Guardas com grandes armas estão presentes em pontos importantes da cidade. Para entrar no aeroporto, todos os passageiros do veículo saem para que ele seja revistado e até para entrar em centros de comércio é necessário passar por detectores de metal. Meu hotel era próximo à casa do presidente e na rua era proibido até tirar fotos.

    Ruanda tem altas taxas de crescimento nos últimos anos, o que era claro na paisagem da capital. Havia grandes obras de infraestrutura por toda a cidade (eu estava lá para o estudo de um corredor de ônibus) e promessas de um novo aeroporto e uma ferrovia ligando o país ao Índico – pelo Quênia, se não me engano. Era clara a forte presença chinesa nas novas construções, o que era identificável pela presença de equipamentos e pessoal chinês.

    A cidade, ainda que bastante populosa, possui nas partes mais baixas terrenos agrícolas. A lógica da organização espacial lá privilegia as áreas mais altas, onde ficam os principais serviços e a população mais rica, ficando os vales com áreas mais carentes.

    Sobre a política, eu estava lá próximo da eleição, mas as pessoas tinham até receio em falar disso em público, minhas perguntas eram respondidas com bastante receio. O histórico de brigas com vizinhos parecia orgulhar os ruandeses, que consideravam o país pequeno, porém valente. No programa foi falado sobre a maioria de mulheres no parlamento, mas lembro que parte disso se devia a uma lei que reservava parte das vagas para mulheres – o que é uma ótima ideia, mas acho que vale ressaltar isso.

    Sobre o genocídio, estive no país por uns três meses, incluindo o feriado do dia 7 de abril em que eles lembram do ocorrido. Na verdade, é toda uma semana especial, durante a qual eu visitei o Memorial do Genocídio. O lugar é impressionante! Lá estão os restos mortais de mais de 250.000 vítimas e há também uma boa estrutura de museu, contando a história desse e de outros genocídios (de forma bem dura), ficando claro o ressentimento com a falta de ajuda externa.

    O genocídio deixou no país marcas claras e um exemplo que me marcou foi de um depoimento em que um jovem falava da raridade de pessoas mais velhas que ele no casamento, porque todos tinham sido vitimados. O museu falava da dificuldade de restabelecer uma sociedade coesa depois do genocídio, tendo sido formadas justiças locais que responsabilizavam os culpados nas comunidades, mas que não podiam propor uma vingança – para que a paz fosse novamente possível.

    Por fim, uma curiosidade. O país mudou o ensino de língua há uns 10 anos, e agora as crianças são instruídas em inglês, não mais em francês, para facilitar a internacionalização do país. Assim, algumas pessoas mais velhas não falavam inglês, o que era mais raro entre os mais jovens.

    Obrigado pelo programa!

  • André Alcântara

    Olá Filipe e Matias! Apenas para adicionar mais um esportista ligado a Ruanda (já que não tem muitos), embora não tenha a ver com futebol. Tem um jogador de basquete na NBA chamado Frank Ntilikina, que joga no New York Knicks, e foi a 8ª escolha do draft de 2017, que é de origem ruandesa. Sua mãe (que é meia Hutu e meia Tutsi) e seus irmãos mais velhos são de Ruanda, e fugiram para Bélgica em 94, aonde Frank nasceu, e depois se mudaram para Strasbourg na França. Ele provavelmente jogará pela seleção francesa na Copa do Mundo de Basquete que irá acontecer esse ano.

    PS: Que música espetacular essa do final do programa!!!

    https://www.newsday.com/sports/basketball/knicks/frank-ntilikina-s-family-ties-run-strong-1.16802314

  • Estou aqui me sentindo culpado por terminar este programa rindo.
    Só no final da música de encerramento me dei conta que ouço na velocidade 1.5.

    Parabéns por mais excelente programa. Embora eu ouça podcast a semana inteira o Xadrez verbal tem um lugar especial pois é sempre um prazer na segunda pela manhã começar o dia de trabalho escutando aquelas três horinhas de xadrez.

    E já que reclamam quando não é dito, sou Rodrigo, projetista de segurança contra incêndio, do Rio de Janeiro, e xadrezete.

  • Marcelo Borret Cortez

    Olá, Matias e Filipe! Há muito tempo que não comento os episódios do FRONTEIRAS e do XADREZ, pois, me sinto totalmente contemplado com a abordagem dos programas, assim como, com os comentários dos ouvintes que, aliás, são muito enriquecedores. Mas, depois de mais de um ano sem comentar não pude deixar de mencionar um filmaço – do meu ponto de vista – sobre o massacre de Ruanda. Em inglês, o nome do filme é SOMETIMES IN APRIL e foi traduzido como ABRIL SANGRENTO. Nele atua o excelente Idris Elba, que vocês já mencionaram na obra BEASTS OF NO NATIONS. Em várias outras ocasiões ouvi vocês citando o Hotel Ruanda, mas não o Abril Sangrento. Então, fica aí a dica. Caso não tenham visto, espero que gostem.
    Grande abraço

  • O livro Purificar e Destruir do sociólogo francês Jacques Semelin faz uma análise entre 3 genocídios, o nazista, o da Iuguslávia e este na Ruanda. Ele demonstra as diversas dimensões envolvidas num genocídio, e como as populações passam da vontade ao ato. É uma obra densa, mas vale muito a pena sua leitura _ bom, eu acho rs

  • Ótimo programa, Filipe e Matias! Tem um documentário da BBC, bastante interessante, chamado ““When good men do nothing”, que mostra a falta de iniciativa da ONU, mesmo quando já era claro o que estava ocorrendo em Ruanda. Outra coisa que vale ressaltar é o fato das características físicas da população não terem cumprido grande papel na hora da escolha das vítimas.Tem um artigo que mostra como os genocidas escolhiam quem ia morrer e, em linhas gerais, os números são esses: de um total de 2511 pessoas selecionadas para o estudo, 91,2% das pessoas foram selecionadas por localização geográfica (vilas mais habitadas por Tutsis e bloqueios em locais estratégicos), 87,3% por estarem em áreas de segregação; 85,1% por incitação ou ordenação (listas, recrutamento de novos assassinos por meio de recompensa ou ameaça, uso da rádio RTLM); 1,2% devido ao gênero e idade (no caso, mulheres Tutsis selecionadas para estupro seguido de assassinato); 4,7% por dados sociais (checagem dos cartões de identidade em bloqueios); 3,5 % por autoidentificação; 8,4% por relacionamento prévio; 0 por roupas e acessórios; 1,5% por comportamento de vítima; 0,8% por características físicas (apesar de, em vários documentos do Tribunal, existir a menção de matar aqueles que pareciam Tutsis, a autora afirma que a escolha especificamente por características físicas foi pouco reportada ou não reconhecida por testemunhas) e 0 por evidência linguística. Tá aqui a referência: KOMAR, D.A. Variables Influencing Victim Selection in Genocide. Journal of Forensic Sciences, 53(1), p. 172-177, 2008.
    Pra quem curtir Antropologia Forense, tem esse livro aqui também: The Bone Woman: Among the Dead in Rwanda, Bosnia, Croatia and Kosovo, de Clea Koff.
    Um abração!

  • Paysandu mucura kkkkkk SIM
    Seu Matias fazendo referência ao REPA, HUM
    Seria um spoiler de um fronteira sobre o Pará?
    parabéns pelo excelente trabalho

  • Antes tarde do que muito tarde, ouvi o episódio sobre Ruanda e deixo muitos elogios como sempre e poucos comentários:

    O nome do povo que é relacionado aos pigmeus é Twá. O prefixo ba- na língua local indica plural. Portanto, batwá seria o plural de Twá. Assim como o plural de hutu ou tutsi não é hutus ou tutsis, mas bahutu e batutsi.

    Abraços!!!!

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