69ª Assembleia Geral da ONU – Hamas e o prelúdio do terceiro dia

Acompanhe o restante da cobertura da 69ª Assembleia Geral da ONU.

Caros leitores, hoje começa o terceiro dia do Debate da Assembleia Geral da ONU, foco desse blog nos últimos dois dias e nos dias vindouros também. Cabe o aviso de que, excepcionalmente, o Sábado terá não apenas a postagem do resumo da semana, mas também de textos analíticos, sobre os discursos do dia. Voltemos ao dia de hoje, um dia com muitas expectativas.

United Nations   aerial photography by stefen turner

Um dos primeiros líderes com espaço no dia será Mohammed Fuad Masum, recém-empossado Presidente do Iraque. Fuad Masum é um político veterano, mas apenas ascendeu ao cargo dada a situação emergencial do país. Sua militância política histórica, entretanto, é em defesa do estabelecimento do Curdistão. Curdo étnico, Fuad Masum representou os curdos na elaboração da atual constituição iraquiana. O povo curdo e o Curdistão já foram inclusive tema de vídeo no canal do Xadrez Verbal no Youtube.

Fuad Masum certamente falará sobre a crise envolvendo o extremismo islâmico e a intervenção aérea dos EUA e aliados. Seu discurso será importante para tomarmos noção do papel que o governo iraquiano deseja para si e para as potências estrangeiras. O que o novo governo, quase um gabinete emergencial, pretende? Como pretende realizar esse plano? A situação iraquiana é de um estado cuja estrutura começa a se esfacelar. A missão de Fuad Masum não é das mais confortáveis.

Logo depois, Mahmoud Abbas, Presidente do Estado da Palestina, irá tomar a palavra. E com muitas expectativas, tanto na comunidade internacional quanto para esse blog. O tema do conflito entre Palestina e Israel deverá tomar duas proporções. A primeira é mostrar a perspectiva do governo palestino sobre o mais recente conflito em Gaza. Lembro ao leitor que o conflito envolvia o Hamas, em território controlado pelo Hamas. Abbas é do Fatah, e governa a Cisjordânia. Não estava diretamente envolvido no conflito, dado que os dois grupos estavam divididos.

Estavam? Sim, estavam. Ontem foi noticiado em várias fontes, confiáveis, que o Hamas e o Fatah chegaram a um acordo que pode ser histórico. Em um acordo no Cairo, Egito, o Hamas aceitou ceder o controle de Gaza ao Fatah e abraçou a proposta de Abbas de um Estado da Palestina nas fronteiras de 1967. No próximo mês, dado o cessar-fogo entre Hamas e Israel, ocorrerão novas conversas.

A perspectiva de Abbas pronunciando perante o mundo que o Hamas aceita, finalmente, uma solução negociada e pacífica (lembro ao leitor, como discutido aqui, que o Hamas, por seu estatuto, não aceita uma negociação com o Estado de Israel) e que as Nações Unidas teriam a autoridade fronteiriça em Gaza é uma perspectiva animadora. Além disso, Abbas provavelmente proporá um plano que coordene uma retirada pacífica e diplomática, no decorrer de três anos, das tropas israelenses.

Em outras palavras, é uma proposta que abrange todos os pontos que o próprio Netanyahu, atual Primeiro-ministro conservador de Israel, colocava como chave. Assim como em seu discurso do ano passado, Abbas está concedendo. Claramente buscando o diálogo; já abriu mão de uma força militar soberana e nacional, de controle fronteiriço e, agora, teria forjado uma reconciliação com o Hamas. Resta saber se Netanyahu irá manter suas declarações e apoiar esse processo de paz que muito beneficia Israel, ou se buscará alguma outra justificativa para negar o diálogo.

Finalmente, outros três discursos de interesse para esse blog são o de Irakli Garibashvili, Primeiro-ministro da Geórgia. Não nos esqueçamos de que, até recentemente, os problemas fronteiriços, com uso de força militar, russos eram com a Geórgia. O país, que busca uma aproximação com a OTAN, certamente comentará os episódios recentes ocorridos na Ucrânia. Também são de destaque os pronunciamentos dos líderes da Micronésia e de Kiribati. O leitor mais desavisado pode achar que é uma pegadinha; não, não é.

Considerando que os efeitos climáticos são dos temas mais relevantes da política internacional contemporânea e que tivemos uma cúpula sobre o assunto dias atrás, é sempre interessante ouvir as palavras de alguns dos países que mais sofrem com as condições climáticas. “Mais sofrem”? Sim, pois enquanto a temperatura aumenta em alguns lugares e o ar torna-se nocivo em outros, esses dois países, literalmente, vão por água abaixo. Micronésia e Kiribati são dois países insulares que, progressivamente, são consumidos pela água. A fala do Presidente Tong, de Kiribati, foi abordada aqui ano passado. E provavelmente seguirá triste.

O blog voltará no período da tarde, comentando o discurso de Abbas.

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Para ficar informado, você pode checar a programação do debate no site da 69ª Sessão da Assembleia Geral da ONU; notícias e releases no site da Assembleia Geral da ONU; e assistir aos pronunciamentos e demais coberturas no site oficial das Nações Unidas UN Web TV.

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Como sempre, comentários são bem vindos. Leitor, não esqueça de visitar o canal do XadrezVerbal no Youtube e se inscrever.

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