A direita europeia não cresceu: radicalizou e fragmentou

Caros leitores, este é o primeiro texto de hoje. Voltem ao meio-dia que haverá outro da série Fronteiras invisíveis da Europa

Caros leitores, este texto será breve. É uma atualização do texto publicado aqui na Quarta-Feira, que rendeu algumas discussões no Facebook, com uma análise das novas informações. Como dito no texto anterior, foram eleitos 41 representantes sem partido e 54 representantes de partidos novos. Esses representantes poderiam se filiar aos blocos já existentes, continuarem autônomos ou até mesmo formar um novo grupo, com ao menos 25 representantes de sete países diferentes. Esses movimentos já começaram a acontecer.

Marine Le Pen, filha de Jean-Marie Le Pen, líder da extrema direita francesa, o rosto da Frente Nacional francesa na Europa. Foto: Foto-AG Gymnasium Melle

Marine Le Pen, filha de Jean-Marie Le Pen, líder da extrema direita francesa, o rosto da Frente Nacional francesa na Europa. Foto: Foto-AG Gymnasium Melle

O bloco conservador agora conta com 54 representantes, após a adesão de oito representantes do eslovaco OL’aNO e do alemão AfD. O bloco liberal agora é de 60 representantes, com a adesão de quatro partidos de quatro países diferentes. O bloco de centro-direita agora soma 220 e o bloco de centro-esquerda com 193 eleitos. A esquerda agora conta 51 representantes e a direita com 34. Os verdes seguem com os mesmos cinquenta e dois. Oito representantes seguem sem inscrição e 44 como integrantes de novos partidos, sem estarem em nenhum bloco.

Notem que faltam trinta e oito representantes na conta acima. São todos de partidos de extrema-direita que pretendem formar um novo bloco político europeu, a European Alliance for Freedom (Aliança Europeia pela Liberdade, em tradução livre). A AEL já existe como partido, mas seus membros agora pretendem transformá-la em bloco. Dos seus 38 representantes, a maioria é da Frente Nacional francesa, de Le Pen, e da Lega Nord italiana, duas organizações conhecidas pelos seus discursos nacionalistas e xenófobos de extrema-direita. Ainda estão no bloco proposto o Partido pela Liberdade holandês, o Partido da Liberdade austríaco e Vlaams Belang (Interesse Flamengo; fiquem atentos ao texto que será publicado ao meio-dia aqui no blog) belga.

Proporcionalmente, o bloco existente que mais cresceu foi justamente o bloco de esquerda, como dito anteriormente. Refazendo as contas e somando todos os grupos de direita, incluindo aí o novo bloco que ainda é apenas uma proposta, temos 406 representantes de direita no atual parlamento, de um total de 751. Uma representação de 54%, ainda menor que os 58,09% do último Parlamento, eleito em 2009. Ou seja, não é possível falar em um crescimento da direita. Apenas se absolutamente todos os trinta e oito representantes ainda não filiados ou de novos partidos entrarem em algum dos blocos de direita.

Disso podem ser tiradas duas conclusões, nesse momento. A primeira é de que a direita europeia está se fragmentando. Proporcionalmente, o grupo de centro-direita está 6% menor e o bloco liberal está 3% menor. O grupo de direita está 1% maior e o novo bloco proposto da AEL teria 5% de representatividade. Adicionado o bloco conservador, seriam cinco blocos de centro-direita, direita ou extrema-direita. Um número sem necessidade, por alguns pontos de vista. O EFD, tradicional bloco da direita, por exemplo, “perdeu” a Lega Nord para o novo AEL. Outra demonstração dessa fragmentação é que alguns partidos de direita ainda não inscritos já foram rejeitados até pelo AEL, como os três neonazistas do grego Aurora Dourada.

A outra conclusão estava presente no texto anterior, agora está mais demonstrada. A direita europeia, se não cresceu, radicalizou. Ao ponto de um bloco partidário já de direita nacionalista e eurocético como o EFD ser esvaziado para a formação de um bloco de extrema-direita! A AEL já ultrapassou a barreira do euroceticismo e fincou seus pés no nacionalismo puro e simples. Hoje, as rédeas da União Europeia estão (ainda?) nas mãos dos dois grandes blocos de centro-direita e de centro-esquerda. Mas o crescimento de tais grupos pode, no futuro de médio prazo, ser uma ameaça para a própria UE. A boa notícia é que, por enquanto, esses grupos estão mais preocupados em repetir a História e disputar espaço entre si.

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