Xadrez Dominical – Filmes sobre neonazismo e fascismo

Caros leitores,

Na última semana, ocorreu uma grande ebulição na imprensa brasileira e na imprensa mundial sobre a radicalização da direita europeia no Parlamento Europeu. Chegaram até a noticiar o suposto crescimento da direita europeia, o que estava errado. O tema foi abordado aqui no Xadrez Verbal em dois textos, um na quarta-feira e outro, complementar, na sexta-feira. Parte dos movimentos radicais que cresceram possuem características fascistas ou neonazistas, daí o motivo de preocupação na mídia mundial. Por conta disso, é bom relembrar algumas obras que tratam do tema de forma crítica. Vamos então aos filmes neste Xadrez Dominical sobre neonazismo e fascismo.

Comício do partido neonazista grego Aurora Dourada, que elegeu três representantes para o Parlamento Europeu / Foto: The Guardian

Comício do partido neonazista grego Aurora Dourada, que elegeu três representantes para o Parlamento Europeu / Foto: The Guardian

(antes das dicas, cabe um aviso: todos os filmes citados abaixo contém violência e lidam com temas sensíveis. Não são filmes para crianças ou para assistir de forma despreparada)

A primeira dica é um filme que aborda como o fascismo pode ser sedutor. A Onda é um filme alemão de 2008, que trata da experiência real de experimentos sociológicos executados por um professor chamado Ron Jones. A turma se deixa levar e um mini regime fascista se instaura na escola. O filme alemão é uma versão ficcional, mas existem também documentários sobre o real Ron Jones e seu experimento.

 

Sinopse do AdoroCinema: Em uma escola da Alemanha, alunos tem de escolher entre duas disciplinas eletivas, uma sobre anarquia e a outra sobre autocracia. O professor Rainer Wenger é colocado para dar aulas sobre autocracia, mesmo sendo contra sua vontade. Após alguns minutos da primeira aula, ele decide, para exemplificar melhor aos alunos, formar um governo fascista dentro da sala de aula. Eles dão o nome de “A Onda” ao movimento, e escolhem um uniforme e até mesmo uma saudação. Só que o professor acaba perdendo o controle da situação, e os alunos começam a propagar “A Onda” pela cidade, tornando o projeto da escola um movimento real. Quando as coisas começam a ficar sérias e fanáticas demais, Wenger tenta acabar com “A Onda”, mas aí já é tarde demais.

O próximo filme é This is England, de 2006. Uma espécie de filme autobiográfico do diretor e roteirista Shane Meadows, o filme conta a história de um garoto que cresce na Inglaterra dos anos 1980. O período da recessão, do hooliganismo e dos skinheads. O garoto vira o “protegido” de um skinhead e o filme aborda principalmente como um culto ao líder pode surgir.

Filme na íntegra

 

Sinopse do CinePlayers: Shaun tem 12 anos e vive com a mãe em uma pequena cidade costeira na Inglaterra, em 1983. Solitário, sofre com a ausência do pai, morto na Guerra das Malvinas. No começo das férias escolares, conhece uma gangue de skinheads, na qual encontra a amizade e os modelos de comportamento que procurava. Numa festa, é apresentado a Combo, skinhead mais velho que acabou de sair da prisão e o adota como protegido. A postura racista do homem impressiona os jovens, mas todos o admiram, e logo a gangue começa a aterrorizar as minorias étnicas da vizinhança.

Falando de um líder skinhead, o próximo filme foi o “estouro” de uma grande estrela do cinema, indicado a três Oscar, vencendo um. Estou falando de Russel Crowe, o protagonista de Romper Stomper, pessimamente adaptado como Skinheads – A Força Branca; o título original é uma expressão australiana para skinheads, terra de Russel Crowe e do filme. Crowe interpreta Hando, o líder de uma gangue neonazista que ataca imigrantes asiáticos na Austrália, em prol da vazia ideia de supremacia branca. Recomendo bastante

Filme na íntegra

 

Sinopse do AdoroCinema: Um pequeno grupo de jovens Skinheads se preocupam em como Melbourne, Austrália, está com sua população diferente. Liderados pelo assustador Hando (Russell Crowe), eles declaram guerra contra os imigrantes asiáticos, principalmente os vietnamitas, e passam a atacá-los violentamente. No meio dessa trama de ódio, há uma única garota, Gabe (Jacqueline McKenzie), uma menina rica e fugitiva que se envolve tanto com Hando quanto com seu melhor amigo, Davey (Daniel Pollock). Quando a comunidade vietnamita decide contra-atacar, a gangue neonazista se dissolve e Hando tem de fugir da cidade.

Voltando aos casos reais, o filme Tolerância Zero, de 2001, conta a história de um skinhead, vivido por Ryan Gosling, que possui origens judias. O filme ganhou o prêmio principal do Festival de Sundance de 2001 e é levemente baseado na história de Daniel Burros, um membro da KKK que cometeu suicídio em 1965, após ser exposto como descendente de judeus.

 

Sinopse do AdoroCinema: Danny Balint (Ryan Gosling) é um estudante de uma escola judaica de Nova York que, com o tempo, se torna um feroz anti-semita. À medida que sua fama cresce nos círculos neonazistas do estado, Danny percebe uma mudança brusca em sua personalidade, onde convivem ao mesmo tempo seu lado judeu e anti-semita. Aos poucos ele percebe que sua função na vida é ser uma contradição ambulante.

A quinta e última dica é um filmaço. Deixei o melhor para o final. Se o leitor for assistir apenas uma das dicas, que seja esse. A outra História americana, estrelando Edward Norton, indicado ao Oscar por sua performance. O filme tem absurdos 96% de nota da audiência no site Rotten Tomatoes e está em diversas listas de grandes filmes de todos os tempos. Trata da violência, de questões sociológicas e psicológicas, de redenção e, claro, de ódio. Assistam.

 

Sinopse do AdoroCinema: Derek (Edward Norton) busca vazão para suas agruras tornando-se líder de uma gangue de racistas. A violência o leva a um assassinato, e ele é condenado pelo crime. Três anos mais tarde, ele sai da prisão e tem que convencer seu irmão (Edward Furlong), que está prestes a assumir a liderança do grupo, a não trilhar o mesmo caminho.

Depois das tradicionais cinco dicas, qual a menção do post de hoje? Oras, se estamos falando de filmes que tratam de neonazismo e do risco de ressurgimento dessas ideias, nada mais justo que homenagear o mestre. Um dos maiores cineastas de todos os tempos e o que primeiro colocou essa mentalidade na tela, de forma crítica e satírica. Estou falando de O Grande Ditador, de Charles Chaplin, de 1940, que satirizou Hitler, Mussolini, o nazismo, o antissemitismo, em meio à Segunda Guerra Mundial.

Filme na íntegra e em alta resolução

 

Sinopse do AdoroCinema: Adenoid Hynkel (Charles Chaplin) assume o governo de Tomainia. Ele acredita em uma nação puramente ariana e passa a discriminar os judeus locais. Esta situação é desconhecida por um barbeiro judeu (Charles Chaplin), que está hospitalizado devido à participação em uma batalha na 1ª Guerra Mundial. Ele recebe alta, mesmo sofrendo de amnésia sobre o que aconteceu na guerra. Por ser judeu, passa a ser perseguido e precisa viver no gueto. Lá conhece a lavadora Hannah (Paulette Goddard), por quem se apaixona. A vida dos judeus é monitorizada pela guarda de Hynkel, que tem planos de dominar o mundo. Seu próximo passo é invadir Osterlich, um país vizinho, e para tanto negocia um acordo com Benzino Napaloni (Jack Oakie), ditador da Bacteria.

Gostaram? Não gostaram? Mais dicas? Comente.

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