69ª Assembleia Geral da ONU – Os estados insulares

Acompanhe o restante da cobertura da 69ª Assembleia Geral da ONU.

Caros leitores, vamos ao terceiro e último texto do dia, ainda nos trabalhos sobre a 69ª Assembleia Geral da ONU. O primeiro post do dia foi sobre o discurso da Alemanha e o segundo analisou em conjunto o discurso da Ucrânia com parte do discurso da Rússia. Este texto tratará de dois pronunciamentos de estados insulares, Micronésia e Kiribati. Ano passado também tratei do discurso de Kiribati e é normal que isso seja questionado, afinal, são países menores territorialmente, sem muita força no cenário internacional.

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Nos últimos vinte e dois anos, desde a II Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Humano, conhecida como Rio92, as mudanças climáticas, e as consequências dessas mudanças, são pauta constante. No noticiário, nas relações internacionais, nas políticas internas aos países e, finalmente, no cotidiano. Lixo reciclável, fontes alternativas de energia e poluição fazem parte da vida de qualquer cidadão de uma grande cidade.

Visualize agora outro cenário. Que sua casa está, gradualmente, sumindo. Seu bairro, sua rua, constantemente, de pedaço em pedaço, desaparecendo. Vizinhos e amigos obrigados a imigrar por causa desse consumo das casas. É exatamente isso que ocorre nesses dois estados insulares que, ano após ano, ficam literalmente menores, tomados pelo aumento do nível dos oceanos. E justamente por isso que suas vozes são importantes, pois poucas comunidades presenciam os problemas da mudança climática como eles.

Emanuel Mori, Presidente da Micronésia, afirmou que seu país avisou dos riscos da mudança climática três décadas atrás; o que para os outros era “uma ameaça no futuro”, para eles, já era realidade. Propôs metas mais ambiciosas para o Banco Mundial e exigiu mais verbas dos países mais desenvolvidos, “justamente os que mais poluem”. Também fez um pedido para que a atividade pesqueira na região seja melhor regulamentada, pois os países estão “lucrando como nunca” explorando a zona econômica exclusiva do país.

Pediu para que os líderes mundiais apoiassem a emenda do país ao Protocolo de Montreal, que diminuiria em 25% a emissão de gás-estufa, “dando aos atóis uma chance de sobrevivência”. Em meio aos pedidos para novas e sérias políticas ambientais internacionais, afirmou que é inconcebível uma ONU representativa sem Japão, Alemanha, Índia e Brasil no Conselho de Segurança. O pessimismo do país, entretanto, fica evidente quando afirma que a única coisa que a Micronésia pode fazer é o que já está fazendo, que é implantar uma rede de alerta e resposta para desastres.

O Presidente Anote Tong, de Kiribati, foi mais incisivo e pessimista. O seu discurso ano passado foi até triste. Afirmou que não se pode falar de desenvolvimento sustentável sem falar das consequências climáticas, que, em seu país, já são realidade. Kiribati iniciou uma cooperação com outros países insulares, Tuvalu, Ilhas Marshall, Maldivas e Tokelau, para promover a conscientização sobre a importância da discussão climática e formular iniciativas comuns. Destacou a “economia azul” em seu país, em que os territórios insulares progressivamente dão lugar à exploração sustentável dos recursos oceânicos.

Mesmo essa exploração, segundo ele, possui um preço, e a saúde dos oceanos nunca foi tão desafiada na História. Kiribati anunciou que fechará uma área do tamanho da Califórnia, proibindo a atividade pesqueira nessa região, pois a demanda pela pesca está predatória. Socialmente, Kiribati destacou novamente seu programa “migração com dignidade”. Os jovens de Kiribati são educados com foco na demanda empregatícia estrangeira, para que possam imigrar em boas condições. Acho que isso explicita, de forma cristalina, que as mudanças climáticas e suas consequências ainda estão longe de serem resolvidas.

Para ler o discurso da Micronésia, na íntegra e em inglês, o PDF está aqui. Para ler o discurso de Kiribati, nos mesmos termos, o PDF está aqui.

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Para ficar informado, você pode checar a programação do debate no site da 69ª Sessão da Assembleia Geral da ONU; notícias e releases no site da Assembleia Geral da ONU; e assistir aos pronunciamentos e demais coberturas no site oficial das Nações Unidas UN Web TV.

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