69ª Assembleia Geral da ONU – Alemanha: duas reflexões importantes

Acompanhe o restante da cobertura da 69ª Assembleia Geral da ONU.

Caros leitores, hoje retomamos o acompanhamento do Debate Geral da 69ª Assembleia Geral da ONU. O dia de hoje, assim como a segunda metade da semana passada, terá três textos, então, aproveitem. Um novo texto será postado de tarde, abordando os discursos da Rússia e da Ucrânia. Agora, vamos falar do pronunciamento de Frank-Walter Steinmeier, Ministro de Negócios Estrangeiros da Alemanha. Como sempre, priorizando a informação, você pode ler o discurso na íntegra e em inglês neste PDF. Se preferir, também pode assistir o discurso, relativamente curto, no site da UN Web TV.

alemanha

Como dito, o pronunciamento alemão foi curto. Começou citando três eventos cujos Jubileus são celebrados em 2014: o centenário da Primeira Guerra Mundial; setenta e cinco anos de quando “a Alemanha atacou sua vizinha Polônia” e iniciou a Segunda Guerra Mundial e os vinte e cinco anos do Muro de Berlim. Todos, eventos em que a Alemanha foi protagonista. E conclui com a pergunta: “O que aprendemos disso para o futuro?”. Continua. O mundo pós-guerra teve como resultado justamente a Organização das Nações Unidas e o estabelecimento de uma governança internacional, com regras, negociação e a rejeição da violência. E faz uma afirmação bem interessante: “As Nações Unidas são justamente um fórum para assumirmos responsabilidades”.

Além da abertura, o pronunciamento pode ser dividido em quatro eixos. No primeiro, coloca como essencial a ajuda humanitária para as crises atuais na Síria e na África ocidental, com o ebola, e pede mais apoio da comunidade internacional. Sobre a crise na Ucrânia, colocou que a “diplomacia evitou o pior”, ou seja, um confronto direto entre Rússia e Ucrânia, mas que ainda é preocupante que um membro permanente do Conselho de Segurança “mude fronteiras”; ao anexar a Crimeia, a Rússia violou a lei internacional e, por isso, não é apenas um “conflito regional”.

O terceiro eixo tratou do extremismo no Oriente Médio, e de uma forma interessantíssima e pouco vista nos pronunciamentos de potências ocidentais. Afirmou que são terroristas que “deturpam o nome de Deus” e que devem ser combatidos por uma aliança política, incluindo países da região e lança uma valorosa reflexão: “Deveríamos estar preocupados com o discurso de ódio seduzindo jovens que cresceram no seio de nossas sociedades”. Finalmente, Steinmeier falou dos desafios para o futuro e elencou as contribuições alemãs para a superação desses obstáculos. Citou o clima, a internet como um lugar livre (no qual a iniciativa alemã é em conjunto com o Brasil) e o desenvolvimento sustentável.

O pronunciamento alemão, apesar de curto, foi forte, com ao menos duas declarações que merecem nossa reflexão. Outra coisa que merece análise é a ausência explícita de um tema: a reforma do Conselho de Segurança da ONU. Antes da abertura da atual Assembleia, os países do G4 (Brasil, Índia, Alemanha e Japão) emitiram um comunicado conjunto, no dia 25 de Setembro, sobre o tema, comum aos quatro países. Agradeceram ao presidente da Assembleia anterior, John Ashe, por ter propiciado a discussão e anunciaram suas “expectativas” de trabalhar em conjunto com o atual presidente, Sam Kahamba Kutesa, para promover a reforma “urgentemente necessária”.

A nota, dentre outros itens, também expressa preocupação, pois, “setenta anos após a fundação das Nações Unidas, cinquenta anos após a primeira e única reforma do Conselho de Segurança, quase quinze anos após a Cúpula do Milênio e dez anos após a Cúpula Mundial de 2005 – quando nossos líderes unanimemente pediram por uma reforma do Conselho de Segurança – as discussões ainda estão travadas.”. A nota é assinada pelos quatro Ministros de Relações Exteriores. O fato de a Alemanha ter discutido o tema durante os preparativos para a Assembleia pode explicar a ausência de um pedido de reforma no pronunciamento, mas essa ausência ainda causa estranhamento.

O blog volta ainda hoje, no período da tarde.

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Para ficar informado, você pode checar a programação do debate no site da 69ª Sessão da Assembleia Geral da ONU; notícias e releases no site da Assembleia Geral da ONU; e assistir aos pronunciamentos e demais coberturas no site oficial das Nações Unidas UN Web TV.

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