Consequências: A Escócia diz “Não” e assegura o Reino Unido.

Agora o Xadrez Verbal terá conteúdo novo todo dia, leia mais no editorial sobre esse importante passo no blog e também podem ter o desprazer de acompanhar o blogueiro no meu perfil pessoal do Twitter, @FilipeNFig

Caros leitores, como a maioria de vocês deve saber, ontem foi realizado o referendo sobre a independência da Escócia. Como os leitores mais fiéis sabem, o tema foi bastante analisado por aqui, desde Julho, com um dos textos da série sobre as Fronteiras Invisíveis da Europa. A Escócia também foi tema de Xadrez Dominical e do vídeo mais recente do canal do Xadrez Verbal. Já os dois ou três leitores bem fiéis souberam do resultado em tempo real, pelos perfis do blog e do autor no Twitter. O texto de hoje é publicado um pouco mais tarde do que o habitual para poder abranger os eventos da Sexta-feira. Antes de analisarmos a vitória do “Não” e seus desdobramentos, incluindo o pronunciamento do Primeiro-ministro David Cameron, que fique registrado o meu muito obrigado a todos que acompanharam o tema pelo Xadrez Verbal. Fico genuinamente feliz de saber que possam achar construtivas ou esclarecedoras as informações e perspectivas aqui transmitidas.

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A vitória do “Não” foi maior do que a prevista. Nos primeiros momentos da apuração, e nas pesquisas de boca de urna, a disputa parecia acirrada, com pequena margem para a rejeição da independência. O resultado final foi de dez pontos percentuais de vantagem, 55.3% contra 44.7%. O número bruto de votos de diferença foi de cerca de 380 mil votos, com o comparecimento de 84.59% do eleitorado. Dado que o universo eleitoral para o referendo, 4.283.392 de eleitores, os cerca de seiscentos mil eleitores ausentes poderiam, embora muito improvável, ter mudado o resultado. Embora o “Sim” tenha tido vitórias importantes, como em Glasgow, maior cidade escocesa, o tamanho da derrota fez com que Alex Salmond, líder do Partido Nacional Escocês e do Parlamento nacional, adiantasse para hoje sua saída do posto. O partido elegerá uma nova liderança em Novembro.

Em sua nota, Salmond declarou aceitar que a Escócia não quer a independência “nesse momento”, o que gerou certa reação do Primeiro-ministro inglês, David Cameron. “Não podemos contestar, não se pode repetir. Nós ouvimos a vontade estabelecida do povo escocês.”. Cameron discursou hoje, oito da manhã de Londres, em frente à residência oficial, Downing Street, número 10. A sobrevivência do Reino Unido, entretanto, está longe de colocar um ponto final no assunto. Meses atrás, trabalhando pela vitória do “Não”, os três principais partidos do Reino Unido, Trabalhistas, Conservadores e Liberais, comprometeram-se ao reajuste da Fórmula Barnett; a fórmula estabelece a porcentagem das verbas da União que são destinadas ao País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte.

Além disso, também foi acordado, em empenho pessoal de Cameron, a aceleração da chamada Scottish Devolution, a “devolução” de autonomia e poderes locais para o Parlamento Escocês. Essas duas propostas, de aumentar a verba escocesa e a autonomia política do país, embora sejam justas, estão longe de encerrar a discussão. Pelo contrário, ao menos três aspectos giram em torno dessas duas promessas. Em Maio de 2015, ocorrerão eleições gerais no Reino Unido, com a consequente formação de um novo Parlamento e um novo Gabinete; ou seja, qualquer compromisso, mesmo que acordado até lá, dependerá do novo Parlamento para sua aprovação. As promessas de campanha feitas pelo governo de Cameron demorarão, no mínimo, sete ou oito meses para poderem ser implementadas.

O segundo aspecto é: não existe acordo. Embora todos os partidos tenham se unido em torno dessas ideias, as propostas diferem entre si. A coalizão partidária sobre o tema é liderada pelo ex-primeiro-ministro Gordon Brown, escocês que liderou o Partido Trabalhista de 2007 até 2010. Caberá a Brown conseguir articular uma proposta de um novo Ato da Escócia que agrade todos, preferencialmente antes de 25 de Janeiro, Burns Night, dia de celebração da vida de Robert Burns, poeta escocês. A data é uma das principais do calendário escocês e é considerada a ideal para a publicação do novo Ato. E, finalmente, a reação gerada pelas novas propostas. Líderes galeses já se pronunciaram sobre uma reforma da Fórmula Barnett, que ela não pode beneficiar a Escócia. Se os escoceses tiverem um aumento de seu orçamento, certamente galeses e norte-irlandeses exigirão o mesmo.

Além disso, a proposta de devolução de autonomia política escocesa também gera reações dentro da Inglaterra. Uma das propostas é a de que temas que concernem apenas à Escócia sejam votados apenas pelo Parlamento Escocês. Nigel Farage, líder nacionalista do UKip, partido que defende a retirada do Reino Unido da União Europeia, afirmou que seria injusto que parlamentares escoceses votassem, na Câmera dos Comuns, em temas exclusivamente ingleses. A Câmara dos Comuns abrange todo o Reino Unido e uma pesquisa do YouGov aponta que 62% dos ingleses acreditam que representantes escoceses não devem votar em propostas e temas exclusivamente ingleses. É compreensível a onda de otimismo e alívio que tomou conta do governo britânico e da sociedade inglesa, especialmente após a mensagem reconciliatória da Rainha. O referendo escocês, entretanto, está longe de ser uma página virada, e os próximos meses serão de muito debate, para sabermos o quão unido está o reino.

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O leitor pode assistir o pronunciamento de David Cameron aqui neste link e ler, na íntegra, a mensagem da Rainha no portal da monarquia. Ambos em inglês.

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Como sempre, comentários são bem vindos. Leitor, não esqueça de visitar o canal do XadrezVerbal no Youtube e se inscrever.

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