Um relato em primeira mão da manifestação de hoje em Madri

– por Thomas Dreux M Fernandes

Caros leitores,

Excepcionalmente, um post noturno aqui no Xadrez Verbal. Um relato em primeira mão de uma testemunha ocular presente nas manifestações de hoje em Madri. Meu amigo Thomas Dreux Fernandes, que já escreveu sobre a Espanha aqui no XadrezVerbal três vezes, sobre o CESEDEN, o Valle de Los Caídos e a final da Champions League. Fotos do autor.

Resumindo para quem está meio deslocado, o monarca espanhol João Carlos renunciou ao trono hoje, em consequência da crise e dos protestos que tomam o país tem anos. Teoricamente, o trono segue para seu filho, Felipe, mas deu um sopro de vida ao pedido de República na Espanha. Boa leitura, vocês vão gostar.

Por uma república que ajude a cicatrizar antigas feridas

Hoje acordei com o pronunciamento do Presidente de Governo Espanhol, Mariano Rajoy, onde dizia que o Rei Juan Carlos abdicava de seu cargo para que seu filho, Felipe, Príncipe de Astúrias, pudesse se tornar rei e dar continuidade à monarquia. Com o passar das horas esse se tornou o assunto central dos noticiários e conversas na cidade. No começo da tarde, o até então Rei fez um discurso explicando os motivos de sua renúncia, entre eles um me chamou muita atenção, quando disse que o atual contexto espanhol de crise, despertou um impulso de renovação a uma novação geração que busca por um papel de protagonismo e mudanças na sociedade e por essa razão a primeira linha da casa real deveria ser renovada.

IMG_7332Ao longo do dia a cidade estava tranquila e ao final do dia parecia que a noite entraria sem sobressaltos em Madrid, às 18hs sai de casa e não encontrei nenhuma grande mobilização, porém em poucos minutos e de acordo com o El País a partir das redes sociais,uma grande manifestação se organizou no centro de Madrid reunindo cerca de 30 mil pessoas na Puerta del Sol. Por volta das 20h fui em direção a praça onde a multidão se reunião, nas ruas ao redor cruzava com pessoas carregando a bandeira da república, similar a Espanhola, mas com a cor roxa além das já conhecidas amarela e vermelha.

Assim que cheguei à manifestação me impressionou muito a quantidade de pessoas ali reunidas. Logo comecei a distinguir as bandeiras dos diversos partidos e grupos políticos presentes, comunistas, anarquistas, socialistas, trotskistas, republicanos, etc. Porém as divisões internas na esquerda não são novidade. O que realmente me chamou atenção foi a presença de muitos jovens, mas também de muitos manifestantes com seus 40, 50 anos e outros com seus 70, 80 anos, todos cantando e gritando pela República. O que mais se ouvia era: “Los bourbones a los tiburones”.

Caminhando entre as pessoas, rodas de amigos, casais tomando cerveja, antigos amigos que não se viam a tempos, grupos de jovens, militantes políticos e conversando com alguns manifestantes pude perceber uma insatisfação geral contra a existência de um modelo nem um pouco democrático e bastante injusto especialmente em um contexto de crise econômica e social. Vejamos o que alguns manifestantes disseram, vale dizer que todos demonstraram saber que viviam ali um momento histórico em seu país e que eles tinham um papel fundamental no que pode vir daqui em diante:

Es un momento muy importante para la Historia de España como Estado y el reclamo del pueblo es por algo que realmente no quiere. Se reivindica un referéndum pues es la única manera que el estado nos permitiría para realmente dar nuestra opinión. Lo que se quiere es que no haga monarquía. Mi opinión, no la quiero porque estamos en el siglo XXI ha avanzado y no podemos tener el derecho divino. El rey abdico por miedo. Miedo de los movimientos sociales que están ocurriendo y creciendo en el país y que podrían hacer con que la caída de la monarquía fuera más rápida”. – Alba Pastor Nicolau – estuda e trabalha como asistente social.

No meio da multidão um senhor se destacou um senhor, já bastante idoso, mas que com orgulho carregava a bandeira da República Espanhola, ouvindo ele falar pude entender melhor aquele momento e como a guerra civil, o franquismo e a monarquia estão diretamente interligados.

Estamos en un momento muy crítico en la historia de España. De momento estamos pidiendo para que tengamos un referedurum, porque en la transición no nos permitieran elegir eso. En esto momento lo que deseamos es la libertad autentica y que posamos elegir se queremos monarquía o república. Y que de alguna forma la guerra civil fue una guerra de monárquicos contra republicanos, dijeran que fue una guerra del facismo contra el comunismo, pero era mentira.

Estaba en esto momento hablando con un amigo que se Felipe (futuro rei) y Leticia fueran listos ellos convocarían el referéndum, porque reinar con el pueblo enojado, con 60% de paro entre los jóvenes y en este contexto de crisis es muy agotador y se salen a la calle vamos llamar a Leticia de puta y a Felipe de cabrón.

Es un momento para buscar por las libertades que el pueblo español sigue luchando desde el año de 1936”.

Juan Belgrande Donosti, 76 anos – aposentado – Filho de um militar republicano fuzilado. Seu pai foi um dos oficiais que se rendeu no porto de Alicante e foi julgado e assassinado pelas tropas franquistas.

IMG_7362“Estoy aquí porque creyó que es una etapa muy importante de la historia de España. Creo que la juventud está movilizada y no creyó que sea una cuestión de izquierda o de derecha, ni si es este u otro rey o príncipe, pero sí que deberían hacer el referéndum y escuchar el pueblo. Yo lo que estoy es reivindicando mi derecho como ciudadana española, que me pregunten se quiero o no por la monarquía. Ahora mismo no quiero la monarquía. Hace tres o cuatro años que ya sabemos todo lo que se pasó en la casa real.

La lucha es muy a largo plazo y el cambio de sistema no se dará de la noche para el mañana. En esto momento estamos en una crisis social. Ahora creo que tenemos una importante crisis social y debemos luchar por eso y por hacernos escuchar”.

Laura Gimenez, 22 anos – estudante de jornalismo.

Al final lo que intentamos es presionar los dos partidos que están ay e que nos dejen hablar y decidir” – Jorge Moráles Garcia, 20 anos – estudante.

Lá pelas 22h a multidão começou aos poucos a se dispersar e enquanto voltava a pé para casa pensei no que, o até então rei Juan Carlos, havia dito e me coloquei a pensar que mal sabia ele – ou muito bem sabia – que a mudança que as novas gerações querem é justamente o fim da monarquia.

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