Janaina Paschoal e o medo da ameaça russa no Brasil

Na capa do post: Janaina Paschoal em audiência pública no Senado brasileiro, sem intenção de uso comercial

Hoje, dia 25 de outubro de 2016, a advogada e professora de Direito Penal da Universidade de São Paulo Janaina Paschoal fez alguns comentários em seu Twitter sobre a negociação para uma base militar russa na vizinha Venezuela. Devido seu papel no processo de impeachment de Dilma Rousseff, Janaina Paschoal é, sem dúvida, alguém de alcance e relevância no Brasil atual; tanto que seu nome, diversas vezes, inclusive hoje, esteve nos principais tópicos da mesma rede social. Sua figura, seu papel no processo político e sua postura como militante não são o cerne deste texto. A pessoa também não é, o espaço discute ideias. Com o alcance das ideias de Janaina Paschoal, torna-se interessante a discussão se realmente a Rússia é uma ameaça ou tem interesses em invadir o Brasil, como ela difundiu. Para sustentar essa discussão de ideias, intencionalmente o texto estará carregado de links, que permitem a leitura fluida para alguns e o aprofundamento para os que assim desejarem.

Para boa parte dos teóricos de Relações Internacionais, Estados não são bonzinhos ou malvados. Possuem interesses, agem de acordo com uma agenda própria. É imperativo, então, apontar quais seriam os eventuais interesses pragmáticos da Rússia em atacar o Brasil. Segundo a própria Janaína Paschoal, parte desse interesse seria explicada pela riqueza do Brasil, em água e terras férteis. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, a Rússia é um dos principais países em produção agrícola do mundo, à frente do Brasil em vários critérios. Já segundo a Agência Central de Inteligência dos EUA, mais conhecida pelo acrônimo CIA, a Rússia é o país com mais reservas renováveis de água do mundo após o Brasil. Ambos os aspectos estão diretamente ligados ao fato da Rússia ser o maior país do mundo em território; boa parte desse território conta com reservas de água limpa, incluindo reservas subterrâneas congeladas.

Poderíamos pensar em outros tipos de riqueza natural, como o petróleo, tema tão debatido no Brasil por conta das reservas do Pré-sal e a discussão sobre a abertura dessa exploração para companhias estrangeiras. Segundo a Agência de Energia dos EUA, a Rússia é o terceiro país que mais produz petróleo no mundo, com a oitava reserva do recurso. Além disso, recentemente, russos e chineses assinaram contrato bilionário no tema, e planejam um gigantesco oleoduto. Qual a ligação? Boa parte das companhias estrangeiras interessadas em explorar o Pré-sal, que participaram das concessões do Campo de Libra, por exemplo, são estatais chinesas. Considerando as reservas russas, a parceria com os chineses e as dificuldades de exploração do Pré-sal, o petróleo brasileiro dificilmente seria vantajoso o suficiente para compensar uma operação russa desse tipo. Podemos especular também o uso do Brasil como plataforma espacial, tema de antigo interesse dos EUA. Algo que seria contraditório com o bilionário novo cosmódromo que a Rússia constrói perto de sua fronteira com a China.

Qual seria o interesse russo em ter uma base na Venezuela, então? O mesmo de todas as outras potências, possuir uma rede global de suporte para suas forças, que permita deslocamentos e monitoramento em qualquer parte do mundo caso necessário. Os EUA possuem uma rede mundial de bases, assim como Reino Unido e França. Mesmo potências aspirantes, como a Índia. No caso chinês, o país adotou uma postura isolacionista até a década de 1980, porém, atualmente, está negociando bases em território africano, após sua primeira operação militar oceânica em sua História contemporânea. No caso da Rússia, o país foi obrigado, por questões orçamentárias, a desativar suas antigas instalações em Cuba, após a queda da União Soviética. Atualmente, Putin busca preencher a lacuna no continente americano, reativando instalações em Cuba e, possivelmente, estabelecer um novo posto na Venezuela.

Novo posto esse que já existe desde 2008, embora de proporções menores. E contou inclusive com visitas de militares brasileiros, que acompanharam exercícios de equipamentos russos, especialmente quando a Força Aérea Brasileira buscava um novo vetor principal de caça e estava interessada na família Sukhoi Su-35. De fato, em tempos recentes, o Brasil comprou diversos equipamentos bélicos russos, como os sistemas antiaéreos que seriam usados durante as Olimpíadas. Por razões ideológicas? Não, apenas por serem mais baratos. Tanto que o novo vetor da FAB escolhido foi o sueco Saab JAS 39 Gripen, em condições de contrato mais favoráveis e interessantes do que seus concorrentes.

Esse tema, do reequipamento das forças armadas brasileiras, já foi tratado aqui antes, devido o mito de que a defesa brasileira era sucateada por governos do PT por questões ideológicas, o que está empiricamente errado. A expansão dos equipamentos militares brasileiros nos últimos dez anos foi notável. A ideia do “sucateamento intencional” bebe na mesma fonte que a ideia da “ameaça russa”, a fonte da paranoia de discurso ideológico herdada da Guerra Fria e ainda repetida por alguns setores conservadores. Vê razões ideológicas em questões muitas vezes pragmáticas ou empíricas. E vê a Rússia como uma “ameaça vermelha” ou “comunista”, e seu líder, Vladimir Putin, como um comunista ferrenho, ex-agente da KGB.

Repete-se, a Rússia, assim como qualquer outro país, possui sua agenda geopolítica. É necessário abandonar a ideia de mocinhos e de bandidos. O governo de Damasco, apoiado por Moscou, ataca civis na Síria. O governo de Riad, apoiado por Washington, ataca civis no Iêmen. E seguem os exemplos nebulosos de cada país, inclusive o Brasil, que foi, dentre outras coisas, um dos maiores fornecedores de armamento ao governo de Saddam Hussein. A questão é que a agenda geopolítica russa, hoje, está focada na chamada Eurásia, o Oriente Médio, o Cáucaso e a Ásia central. Tanto que o governo russo não hesitou em anexar a Crimeia, garantir seu domínio na Ossétia ou seu apoio ao regime de Assad.

Erra também quem interpreta Putin como um comunista, ou algum resquício soviético. Ele mesmo afirmou que o russo que não sente saudade da URSS não tem coração, mas o que a quer de volta, não tem cérebro. Ele se referia ao orgulho nacional russo, ao sentimento de ser uma superpotência. E é isso que Putin é, um nacionalista, e não se trata de julgamento de valor. Com ligações e bases políticas conservadoras, vide a agenda anti-LGBT que existe na Rússia. Seu principal alicerce político é a Igreja Ortodoxa Russa. O Patriarca de Moscou, recentemente, disse que todo russo deve apoiar a “guerra santa” que ocorre no Oriente Médio, por exemplo.

Essa ligação é tão forte que Putin progressivamente reforma a identidade do Estado russo para algo mais próximo da Igreja Ortodoxa e dos tempos czaristas. As forças armadas russas progressivamente estão mudando sua identidade da estrela vermelha para o laranja e preto imperial, os regimentos militares russos estão mudando suas insígnias para símbolos e bandeiras com a estética pré-1917. A recém-criada Guarda Presidencial usa uniformes do mesmo modelo da guarda do Czar. Putin foi agente da KGB não apenas por eventuais razões ideológicas, mas por razões de Estado. Os mesmos militares que serviram ao Império do Brasil serviram sob a bandeira republicana, em mero exemplo ilustrativo. A identidade do próprio governo Putin tem sido fortalecida em bases do antigo império, a Terceira Roma, ao ponto do conhecido busto de Putin caracterizado como imperador romano.

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Após a falta de interesses palpáveis russos e a ausência de base ideológica no “perigo vermelho”, temos, finalmente, os motivos pragmáticos que afastam ainda mais um ataque russo ao Brasil. O primeiro de todos: o Brasil é signatário do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, o TIAR, que estabelece que um país signatário atacado deve ser socorrido por todo o continente, em defesa mútua. Em outras palavras, se o Brasil for atacado por um país externo ao continente americano, os EUA podem, legalmente, entrar no conflito em defesa do Brasil. Hoje, esse é um risco palpável? Que vale a pena correr? Ainda, o Tratado de Tlateloco estabelece a proibição de armamento nuclear na América Latina, e a Venezuela é signatária. A mera suspeita de armamento nuclear russo no país vizinho geraria repercussões e sanções desagradáveis aos envolvidos.

É importante lembrarmos também da proporção continental brasileira. Uma questão numérica. Ocupar um país para utilizar seus recursos soa muito mais palpável em um tabuleiro de War. Assim como é importante não nos deixamos levar por discursos ideológicos extremos, ao ponto de conspiratórios. O tema de política internacional, infelizmente, não recebe tanta atenção no Brasil quanto deveria. Isso é repetido frequentemente nesse espaço, especialmente no podcast semanal. O que abre margem para análises e comentários muitas vezes sem base argumentativa, inclusive por parte de pessoas com relevância e alcance. Essas ideias devem ser observadas e discutidas, não por birras pessoais ou de forma grosseira, mas para uma melhoria da consciência política.


assinaturaFilipe Figueiredo, 29 anos, é tradutor, estudante, leciona e (ir)responsável pelo Xadrez Verbal. Graduado em História pela Universidade de São Paulo, sem a pretensão de se rotular como historiador. Interessado em política, atualidades, esportes, comida, música e Batman.


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60 Comentários

  • q texto sensacional, esclarecedor

  • Só uma correção Filipe, até hoje a compra do Pantsir não saiu, ainda estão em “negociações”.

    Link recente: http://www.defesanet.com.br/br_ru/noticia/23492/Crise-politica-brasileira-nao-deve-afetar-negociacao-sobre-sistema-de-defesa-russo-Pantsir/

    • Sinceramente, creio que nem vá sair. Com a compra dos velhos Guepards e aquisição de mais Iglas, a artilha anti aérea do EB e FAB deve se resumir a estes dois sistemas ainda por um tempo.

      • Também acho. A verdade é que fizeram todo um malabarismo pra justificar essa compra, dizendo que era pra proteger locais estratégicos, quando existem outros meios, incluindo russos, que se adequam melhor a essa função.
        Essa compra, é na verdade quase uma exigência russa, em contrapartida a liberação da carne brasileira no mercado russo. A artilharia do Brasil é sofrível, mais acho que existem prioridades maiores, o sisfron e o guarani no eb; o gripen, o kc-390 e kc-x na fab; a marinha nem sem fala, de longe a que vai mais sofrer nos próximos anos.

        Agora se essa compra tiver que sair, pela questão comercial, era melhor ou trocar de sistema, ou adiantar logo a questão dos helis de ataque do exercito, partindo para o mi-28.

        • Exatamente Lucas, inclusive os rumores da aquisição de um novo lote de helicópteros de ataque, desta vez para o EB andou forte ha uns meses atrás. Agora com a intenção do EB de comprar e operar aeronaves de asa fixa para apoiar os destacamentos e guarnições avançadas na fronteira norte/noroeste, acho que essa hipótese também perdeu força em função dos poucos recursos.

          Enfim parece que os russos não andam muito felizes também, já que alguns frigoríficos aqui do sul pararam de exportar para lá.

  • Quem tem costume de invadir países hoje em dia são os Estados Unidos. Mas, curiosamente, deles Janaina não tem medo.

  • Obrigado por compilar em um texto o que eu teria uma dificuldade enorme em explicar para a Doutora em tuites.

  • Guilherme Henrique Camilo da Silva

    Muito esclarecedor seu texto Filipe, a informação sobre o governo Russo estar mudando a identidade para algo mais próximo ao imperio é muuuuuito interessante. Tenho muito interesse em política internacional, mas não tenho o mínimo de conhecimento nem para saber pesquisar sobre o assunto mais aprofundadamente (fora dos veículos padrões de notícias). Então, quando tem alguém de relevância falando algumas asneiras é até bom, pq vc se empolga para fazer esses ótimos textos hahhahaha

    • Tem um livro chamado Geopolitica e Politica exterior do autor Muniz Bandeira. Eu li ele por indicação do proprio Felipe em um video, vale a pena conferir e tem pdf gratis

  • A Rússia sabe jogar, tanto que a atuação da mesma no Oriente Médio é nebulosa e a Crimeia foi anexada recheada de contradições entre o que o governo russo dizia e o que realmente aconteceu. Ameaças de sanções em relação à anexação da Crimeia foram feitas e concretizadas, mas de nada adiantou. Entretanto, particularmente, não acredito que a Rússia ofereça algum perigo ao Brasil neste momento, mas sobre as reais intenções é impossível dizer. No momento, me parece apenas querer aproveitar da fragilidade venezuelana e, certamente, levar investimentos que farão os venezuelanos olharem para Rússia com bons olhos. No mais, espero que nunca precisemos entrar em guerra, porém precisamos estar sempre preparados para o pior.

  • Depois do discurso da Janaína tipicamente Malafaia não posso acreditar no que essa senhora fala. Aliás deveria pensar antes de falar tanta bobagem. O texto foi muito esclarecedor e imparcial. Parabéns. Sou um ouvinte do podcast fã de carteirinha. Abraços.

  • Texto bem interessante e bem fundamentado.
    É pena que, para muitos, a ficção/imaginação pode ser mais forte do que evidências.

  • Eu nem sabia dessa treta. E se soubesse, antes de ler o texto, já acharia a especulação meio biruta por imaginar que guerra é um negócio bem complicado pra todos os envolvidos. Enfim, hoje, analisando os debates sobre a tal PEC 241, cheguei a conclusão de que parece que tá todo mundo ficando louco. Não falta bom tratamento só do assunto política internacional, falta sobre quase todos.

    Sou ouvinte do Xadrez Verbal (ouço geralmente cozinhando, e aliás, o que vocês acham de Age of Empires?), acho um excelente programa, assim como acho muito esclarecedor o Salvo Melhor Juízo, sobre direito – se me permitem a indicação, vulgo jabá.

    Como jornalista, sinto que a imprensa brasileira está falhando muito – por vários e vários motivos – quando é preciso que mídias independentes esclareçam, ou tratem como se deve, assuntos tão importantes. Parabéns e muito obrigado. Um abraço.

  • Eu considero Janaína Paschoal uma doidivanas. Essa declaração dela, consegue ser mais ridícula que a de Jean Wyllys dizendo se tratar de ataque homofóbico, o motivo da queda do Boeing -777 da Malaysia Airlines na Ucrânia. Uma Maskirovka? É o que ela afirma…..

  • Filipe vc se equivocou. A Russia não é “o quarto país em produção Agricola”. Eles são o quarto em TRIGO (wheat) de acordo com o seu link. O Brasil realmente não é grande coisa na cultura de trigo. MAS quando vc muda pra cereais total e valor por exemplo, os russos ficam em oitavo atras do Brasil quinto. Faz muito mais sentido dado a qualidade do milho e soja brasileiros.

    Não que isso mude o sentido do texto e a maluquice da Jana.

      • Tranquilo. Sobre o Putin: ainda vejo ele como um businessman usando sua influência pra fazer suas empresas ligadas ao setor do gás e petróleo lucrarem mais. Isso significa que ele é um cara legal? Claro que não, muito pelo contrário na verdade. A própria Janaina Paschoal levantou um bom ponto hoje no Twitter: qual o interesse russo em manter uma base militar com comida e armamento na situação lixo em que a Venezuela se encontra? Só consigo pensar em duas coisas: melhorar a rede de distribuição de armamento russo para um cliente de longa data e tentar usar a influência da Venezuela na OPEC (uma vez que os outros países cagam e andam pra Rússia. Tudo bem que também cagam e andam pra Venezuela, mas enfim…) Há quem diga que os russos estariam perdendo a influência em Cuba. Eu não sei se acredito nisso, além do que Cuba sempre foi uma grande bravata, uma provocação. Mas partindo de que existe uma base na Venezuela pra existência de um plano mirabolante de invadir o Brasil são outros 500. É muito devaneio da Janaina. Mas celebridade, sabe como é…

  • Esse texto me lembrou o quanto a Sarah Palin foi ridicularizada e zombada quando ela disse que a Rússia invadiria a Ucrânia… O tempo passou e foi exatamente isso que aconteceu. A Rússia invadiu a Crimeia, num ato que ninguém acreditou que seria possível. Muita gente boa queimou a língua e a tal da opinião qualificada de nada serviu. A verdade é que não existe conhecimento teórico e histórico que permita prever o futuro. A possibilidade de que a Rússia invada o Brasil via base militar na Venezuela é remotíssima, mas a gente está acostumado a ver no noticiário que ação internacional desses países é algo que muitas vezes tem uma lógica difícil de compreender (se é que em determinados casos a loucura tem método) e que pode refletir o voluntarismo de um líder. Minha opinião como leitor é que esse é um texto muito bom do ponto de vista informativo, mas que pisou na bola ao tentar diminuir uma outra pessoa que não é especialista. E, sinceramente, achar que o TIAR teria algo peso em tal situação hipotética… Que tal perguntar para a Argentina de que serviu o TIAR na Guerra das Malvinas (claro, tem a questão do Reino Unido ser parte da OTAN)?

    • Anônimo, diminuir quem? Me diga o trecho do texto que ofende alguém.

      Segundo, a lógica não é tão difícil de compreender, mas, se não é compreendida, que se deixe de lado. É o mesmo motivo pelo qual esse site não trata de cardiologia, por exemplo.

      Terceiro, Sarah Palin disse que a Rússia invadiria a Ucrânia se Obama fosse eleito. A operação russa na Ucrânia teve ligação com Obama? Não, com uma mudança de rumo da própria Ucrânia.

      Finalmente, o TIAR é um tratado de defesa; no caso das Malvinas, a Argentina foi a agressora, não a atacada. E hoje se sabe que o TIAR que evitou que o território continental da Argentina fosse atacado pelo Reino Unido.

    • “mas a gente está acostumado a ver no noticiário que…”
      talvez o problema esteja no noticiário, na duvida, me diga qual ação militar relevante dos últimos anos você não reconhece os incontáveis precedentes.

  • Nada impediria que a Rússia fizesse no Brasil como fez na Ucrânia invadindo o território se apossando da Crimeia, e nada foi feito pela OTAN tendo como principal aliado o Estados Unidos. O presidente da syria só não foi derrubado pois tem apoio Russo, e não a muito que os Estados Unidos possa fazer a menos entrar em conflito diretamente com a Rússia. É isso fica fora de cogitação pois duas potências nucleares como USA e Rússia tem que evitar ao máximo a ponto de um conflito oque todo o planeta sofreria consequências dramáticas. Hoje a Ucrânia pertence a NATO (OTAN) e mesmo assim a crimeia permanece sobe domínio Russo. Então o TIAR não faria muito caso a Rússia colocasse suas tropas em alguma região do Brasil que no caso vamos dizer o estado de Roraima onde tem as
    Maiores jazidas de Nióbio concentrada do planeta. Então a única resposta que o TIAR daria seria vinda dos EUA impondo mais sanções econômicas à Rússia como tem feito na invasão da Ucrânia, ou respondendo com força nuclear o que seria desastroso para todo o planeta… Sendo assim meio o plano B (nuclear) ficando sempre como a última extrema opção para os dois lados, cabendo assim algum das partes abrindo as pernas e aceitando a situação para evitar um
    Conflito nuclear.

    • Legitimidade, auto-determinação, apoio interno, resistência popular a ocupação, você esta esquecendo simplesmente tudo oque mais importa.

  • Comparar uma invasão russa no Brasil com a Crimeia não faz sentido. É como comparar uma intervenção brasileira no Paraguai a uma outra na Indonesia. Existem questões de dimensão e geografia física distintas em ambos os casos.
    O que Felipe demonstrou é que se trata somente de um posicionamento estratégico em repostas às bases de outras potências (por isso ‘Xadrez Verbal’). O equivalente (nas devidas proporções) da escalada de tensão da base soviética em Cuba em resposta ao equivalente americano na Turquia durante a Guerra Fria.
    Felipe, seu texto foi claro, elucidativo e recheado de exemplos que demonstram o que você pretende explicar. Parabéns!

  • Tão bom o seu texto, não entendi como pode ter o erro na regência de “devido”. A palavra exige a preposição “a”, por exemplo, “Devido AO seu papel no processo”.

  • Só queria entender uma coisa, uma base russa na Venezuela não é algo que merece atenção das autoridades brasileiras ? Eu creio que sim, e não foi isso que a Janaina tentou alertar ? Pelo que eu entendi foi isso também. Os motivos que ela alegou, podem não ser válidos ou baseados em “teorias da conspiração”, mas o alerta é valido. Gostei do texto ele é muito bem embasado, muito informativo, mas percebi um certo tom de deboche nele, muito sutil é claro. Outra coisa que me intrigou no texto são as informações que demonstrão uma guinada ideologica na russia para um viés conservador, mas apesar disso qual a razão de todos os países comunistas/socialistas abrirem suas portas para a russia ? Não seria um alinhamento ideológico ?

    • Boa pergunta, eu acredito que a chave para entender esta questão é o fato da Russia ter herdado a tecnologia militar soviética, algo que é bem pouco discutido, mas analisando os acontecimentos na pratica se percebe a extrema relevância do poder de fornecer novos conceitos e equipamentos militares superiores, veja os nacionalistas árabes ou os iranianos por exemplo, eles continuam rivais dos EUA, e ainda precisam de tecnologia militar para não serem destruídos pelos amiguinhos dos EUA, e o caso do Irã é ainda mais interessante, pois estes rejeitavam relações com os comunistas, e agora compraram dos russos um sistema sofisticado de defesa antiaérea, que é algo que não se encontra em toda esquina, e o outro possível fornecedor, os EUA, não curtiram nem um pouco essas vendas não autorizadas e não desejadas por eles, com isso, pessoas como Hugo Chávez vão ver Putin/Rússia como os salvadores da humanidade.
      Quanto a abertura ser ideológica, é algo discutível, pois para alguns a abertura é puro pragmatismo, enquanto outros vão forçar as decisões politicas de seu pais para ajudar a luta geopolítica da Rússia, que pode ser visto como idealismo, mas que pode também ser a melhor estratégia na defesa do interesse do pais, ninguém pode dizer com certeza, e o mesmo pode se dizer sobre o financiamento da tecnologia americana pelos países da OTAN.
      Para concluir, oque realmente aconteceu “no fim da guerra fria” foi que a Rússia se livrou definitivamente da antipatia que existia por serem comunistas, e com a volta do investimento no complexo militar totalmente independente dos EUA, o “monstro soviético” voltou com cara nova.

  • Que empenho em buscar uma lista de argumentos para explicar os devaneios de uma pirada. Sério, eu não acredito que o brasil deu voz para uma doida destas.

  • Muito bom texto! Mas apesar do exagero ou “teorias da conspiração” de Janaina Paschoal, o alerta é sim válido e deve ser objeto de monitoramento por parte das autoridades brasileiras. Além da Rússia, a China também tem grande interesse em ter posições em nosso continente e já tem na Argentina, por exemplo… Rússia e China são nações que culturalmente tem pouco ou nada que as ligue ao nosso continente e à formação do nosso povo, diferentemente de potências da europa ocidental como Alemanha, Itália, ou na ásia o Japão e dos EUA que pro bem ou pro mal sempre estiveram por aqui e duvido que vão ceder esse domínio à influência oriental tão facilmente assim.

  • só um erro. Dizer que a Janaína tem alguma relevância…

  • Se eu continuasse a ouvir a rádio https://br.sputniknews.com estaria neste momento estocando alimentos liofilizados ou traçando rota para o Uruguai. Aquela rádio é um alarde só. Mas fica bem evidente na rádio os interesses e a posição estratégica do Brasil.

    E por falar em Uruguai descobri ontem que abrir uma conta no Banco do Uruguai é abrir uma conta internacional e nem precisa estar presente para abrir … óia só!!
    Se eu abrir uma conta exterior e pedir um cartão de crédito internacional de lá pago IOF ou IR se usar aqui???
    Por exemplo a ActivTrades emite cartões de crédito e cobra sómente 1,5% de saque. Muito menos que repatriar dólares e pagar IR.

  • Pingback: Janaina Paschoal e o medo da ameaça russa no Brasil | Brazil News | Iniberita.link

  • E as dezenas de bases americanas na América do Sul, também não a preocupa? Inclusive na Veznezuela, Brasil, Macri abrindo pra mais duas…

  • Sou completamente contrário à instalação de bases militares na América Latina por qualquer outra potência fora da América Latina. Não é por perigo de invasão, tampouco por risco de implantação de armas nucleares. Simplesmente porque acho que o Brasil, como a potência regional, deve ser o único que deveria ou poderia implantar bases militares na região da América do Sul (e talvez na América Latina). É uma questão de considerar esse subcontinente a nossa esfera de influência. Permitir que uma potência militar estrangeira instale bases militares nesse subcontinente coloca em risco a nossa área de influência. O Brasil deveria usar todo o seu poder diplomático, não apenas para impedir a Rússia nessa empreitada, mas também os EUA e a China de instalarem e retirarem eventuais bases da América Latina.

  • Narcizio Gomes de Souza

    Acredito que essa Janaina precise de alguma avaliação psiquiatrica com urgencia.
    Já que pelo visto, ela não sabe lidar com o estrelismo e isso lhe subiu a cabeça.

  • Eu leio esse tipo de afirmação sem sentido da Janaína Paschoal e me sinto mal mesmo, essas ideias ainda da guerra fria estão esquentando, com perdão do trocadilho, no país hoje. E nós estamos na segunda década do séc. XXI! Tenho vários amigos que engoliram essas ideias, alguns de quem gosto muito, e não sei o que fazer pra ajudá-los.

  • Perfeito! Não existe qualquer indício de invasão ou coisa do tipo, isso é só mais uma sandice tragicômica da direita brasileira que vive ainda Guerra Fria.

  • Não ia ler mais foi me dando vontade a cada linha…parabéns!!!!

  • SEM MUITA PALAVRAS… DEVEMOS ESTAR SEMPRE EM ALERTA PARABÉNS
    PELO TEXTO

  • Mas o Macri permitiu a instalação de DUAS BASES AMERICANAS, sendo uma delas na tríplice fronteira e ninguém está falando nada…

  • Guerras, invasões, suposta defesa de terceiro país atacado, sempre existiu, o interesse como disse o Felipe é econômico, pecuniário. Quem invade ou ganha, leva o espólio e os escravos, assim como alguém ganha também, vendendo armas para um dos lados ou ambos. Ninguém está aí para ajudar o outro, está aí só para ganhar… Quanto ao medo, de que serve, com ele ou sem ele, se as bestas quiserem, o apocalipse acontecerá.

  • Legal !!

    Mas o Filipe Figueiredo é gatinho .. Será que ele é hominho ?

  • A Janaina Paschoal tem razão ou não? Ou tudo isso é balela!!! No Brasil de hoje devemos ter cuidado porque assim como fizeram com a proposta de botar o Temer à força Presidente do Brasil é tudo com muito cuidado. Mas, os russos invdindo Brasil? Teremos que dar algum tiro? Continuaremos a mandar em nosso terreno? Como fica? Com a palavra o (bobão) no nosso Presidente!!!

  • Felippe Malagueta Fernandes

    Muito bom texto Filipe, um grave problema no pais é justamente a falta de informação, e com isso pessoas com influencia podem gerar grande estardalhaço com ideias como essa, e lembrando que no mundo real as ações de um pais não são iguais as que ocorrem nos filmes de espionagem, em que podem ser feitas de maneira tão oculta e simples.
    Ótimo conteúdo e continue com o bom trabalho!

  • não há nada mais parecido com um conspiracionista de esquerda do que um conspiracionista de direita

  • Pingback: SuperAmiches – Xadrez Verbal – Pois Nem só de Babaquice e Memes Vive a Internet

  • Show, estou aprendendo muito com o site.

  • Excelente texto Felipe parabéns, muito esclarecedor nesses tempos de penamento neo macartista e conspirações em todos os lados é bom ler algo que foge dessa paranoia de alguns grupos conservadores sobre a possível “ameaça vermelha” e usa um pensamento mais logico e realista sobre esse assuntos, onde as vezes eu penso que fui dormir e acordei nos anos 50.
    parabéns mais uma vez pelo trabalho.
    ps: desculpe os possíveis erros ortográficos.

  • Pedro Valente Monteiro

    http://veja.abril.com.br/mundo/brasil-abandona-projeto-de-compra-de-defesa-aintiarea-da-russia/
    nao vai rolar, mas de equipamento russo q nos temos, oq eu me recordo mesmo eh o Sabre Ah2, vulgo helicoptero do Rambo 3…fora esse, nao lembro de nenhum outro equipamento nao…umas kalashnikov mas no Comando de Op Esp, la em Goiania, mas coisas esporádicas…acho q Janaina Paschoal deu uma certa viajada, eu ouvi esse discurso ha um tempo atras, mas nao lembro dela ter usado nenhuma referencia p esse tema…

    vdd eh q as relacoes mais estreitas Russia x Brasil, sempre foram através da subversão, podendo pegar como exemplo os efetivo de infiltrados da KGB desde os anos 30. Olga Benário, uma notória presença entre elas. A América Latina, ficava à cargo da StB que seria a KGB não-russa, ou seja, uma ramificação dela nos países do bloco.

    http://historia-heroica.blogspot.com.br/2014/12/a-stb-no-brasil-ano-de-1961-os.html

    Eles operaram aqui sim, durante um certo tempo. No youtube (me perdoe nao colocar o link aqui, bloqueado no meu trampo) tem um vídeo de um polonês radicado no Brasil que trata desse tema nos pormenores. Como o texto afirma: não existe estado bonzinho, mas sim uma agenda específica. Acho muito superficial a sua análise, pois você citou apenas temas rasos, como Alcântara, petróleo, água potável, mas esquece que a Amazônia é logo ali, e uma quantidade gigantesca de minérios ali se encontram. COINCIDENTEMENTE boa parte delas se encontram em “terras indígenas”. Talvez esse seja um ponto a se pensar. Mas é muita ingenuidade achar que a Rússia ampliaria seus gastos militares ultramarinos, para simplesmente estar lá.

    Um forte abraço, parabéns pelo podcast, ouço sempre que posso!
    Espero podermos trocar uma idéia sobre esse tema, pois muito me interessa…

    • “pois você citou apenas temas rasos”

      Trecho do texto: “Segundo a própria Janaína Paschoal, parte desse interesse seria explicada pela riqueza do Brasil, em água e terras férteis.”

      Citei os temas, rasos ou não, citados pela própria Janaína.

  • ___123___Janaina Paschoal e o medo da ameaca russa no Brasil | Xadrez Verbal___123___

  • Obrigado pelo texto positivo. Provavelmente você estará interessado em saber sobre a organização russa da SPLCRB, que surgiu após as enormes prisões arbitrárias de turistas russos no ano passado. Agora, essa organização está envolvida na luta contra a Russofobia e na prevenção de novas repressões contra os russos no Brasil. https://www.facebook.com/CPLCRB/

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