Marina Silva e os três estados que decidirão a eleição brasileira em 2014

Caros leitores, faltando menos de uma semana para o segundo turno das eleições presidenciais mais acirradas dos últimos tempos, é normal que previsões e estimativas brotem por aí. O tipo mais comum é o que tenta calcular o tamanho da influência eleitoral de Marina Silva no segundo turno. A candidata derrotada no primeiro turno teve cerca de 21% dos votos, pouco mais que vinte e dois milhões de eleitores. Depois do polêmico (que será tratado aqui futuramente) apoio de Marina ao candidato Aécio Neves, muitos cálculos consideram que uma fatia considerável de seus eleitores migrará para Aécio. Dos dez maiores domicílios eleitorais do Brasil, analisar a situação e o histórico em três estados pode ser esclarecedor.

cabine

Claro que deve ser deixado claro que a abstenção recorde, de quase 20% do eleitorado, é um grande fator na balança, assim como os quase 10% dos votos inválidos. Cerca de vinte e oito milhões de votos podem ser subitamente somados ao cálculo eleitoral; entretanto, a média histórica demonstra que os números de abstenções e votos inválidos não sofrem flutuações radicais entre um turno e outro. Vamos então tratar dos votos já existentes. O primeiro estado merece sempre destaque por ser o maior domicílio eleitoral do país. Trinta e dois milhões de votos estão em São Paulo. Historicamente, desde a polarização eleitoral em 1994 e excetuando a eleição de 2002, o primeiro turno de São Paulo sempre favoreceu o PSDB, como visto no gráfico abaixo, com percentuais arredondados (clique nos gráficos para ver em tamanho maior, caso prefira)

Histórico eleitoral para Presidente; primeiro turno em São Paulo. Percentuais arredondados para cima.

Histórico eleitoral para Presidente; primeiro turno em São Paulo. Percentuais arredondados.

No pleito desse ano, Marina Silva e Dilma Roussef ficaram praticamente empatadas na casa dos 25 pontos percentuais; Dilma teve 25,82%. Somando Marina e os demais candidatos ditos nanicos, quase sete milhões de votos válidos do primeiro turno estão em disputa no estado. A diferença de votos que favoreceu Dilma Roussef foi de cerca de oito milhões e trezentos mil votos; ou seja, o peso de São Paulo na balança eleitoral pode mudar o cenário no segundo turno. E muito desses votos devem ir para Aécio Neves. O gráfico acima demonstra como a votação no PT está diminuindo no estado. Já o gráfico abaixo, do segundo turno no estado, mostra como isso é correspondido por um crescimento tucano nesse estágio da eleição, quando Marina Silva está fora do cenário.

Histórico eleitoral para Presidente; segundo turno em São Paulo. Percentuais arredondados para cima.

Histórico eleitoral para Presidente; segundo turno em São Paulo. Percentuais arredondados.

Pela média histórica, a votação de Aécio no segundo turno em São Paulo será maior que a sua votação no primeiro turno e com uma vantagem ainda maior sobre Dilma Roussef. O mesmo não pode ser dito nos terceiro e sétimo maiores domicílios eleitorais do Brasil. No Rio de Janeiro, terceiro domicílio nacional, Aécio Neves foi o candidato menos votado, com cerca de 27% dos votos. Marina manteve os cerca de 31% dos votos de 2010, enquanto Dilma Roussef caiu bastante, embora ainda tenha sido a mais bem votada no estado. Na média histórica, o candidato tucano só foi o mais votado no estado em 1994, na primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso.

Histórico eleitoral para Presidente; primeiro turno no Rio de Janeiro. Percentuais arredondados.

Histórico eleitoral para Presidente; primeiro turno no Rio de Janeiro. Percentuais arredondados.

Marina teve 2,6 milhões de votos no estado do Rio de Janeiro; somando todos os nanicos, o número de votos válidos sobe para 3,1 milhões, especialmente por conta de Luciana Genro. A média histórica do primeiro turno mostra que a tendência é que Dilma Roussef vença essa disputa, entretanto, a tendência fluminense no segundo turno é de uma progressiva aproximação dos tucanos. De 2002 para 2010, a porcentagem de votos do PSDB no estado subiu consideravelmente. Ou seja, a vantagem de Dilma no RJ, no primeiro turno, de cerca de 700 mil votos, deve subir, mas não muito. Não deve ser descartada a possibilidade, inclusive, de um empate entre os dois candidatos.

Histórico eleitoral para Presidente; segundo turno no Rio de Janeiro. Percentuais arredondados.

Histórico eleitoral para Presidente; segundo turno no Rio de Janeiro. Percentuais arredondados.

Finalmente, Pernambuco, o sétimo maior domicílio eleitoral brasileiro. Estado natal de Eduardo Campos, candidato do PSB que morreu em acidente aéreo, e onde a família de Campos declarou apoio à Marina e, posteriormente, a Aécio. Marina quase teve a maioria absoluta dos votos no estado, cuja população apoiou a sucessora momentânea de Campos: 48% dos votos válidos, quase dois milhões e quatrocentos mil votos, em números brutos. Dilma teve 44% dos votos e Aécio foi o terceiro colocado, com apenas 8,38% do eleitorado, pouco menos de trezentos mil eleitores. O eleitorado tucano no estado apenas cai, desde 1998, quando FHC teve 58% dos votos válidos em Pernambuco.

Histórico eleitoral para Presidente; primeiro turno em Pernambuco. Percentuais arredondados.

Histórico eleitoral para Presidente; primeiro turno em Pernambuco. Percentuais arredondados.

O apoio de Marina e da família de Campos pode ser decisivo no estado, entretanto, na média histórica, a votação no PT costuma ser substancial no estado. Em 2006, Lula chegou a ter 71% dos votos do estado e Dilma Roussef teve, no segundo turno do último pleito, 75% dos votos em Pernambuco. Ao menos naquela oportunidade, a maioria do eleitorado pernambucano que optou por Marina Silva no primeiro turno optou por votar em Dilma Roussef no segundo turno. Pernambuco inclusive será um ótimo termômetro para avaliar a influência eleitoral de Marina, já que ela foi a primeira colocada no estado. Obviamente, o apoio da família de Campos e as circunstâncias emotivas da morte do candidato também serão decisivos; entretanto, a história demonstra a força do PT no estado.

Histórico eleitoral para Presidente; segundo turno em Pernambuco. Percentuais arredondados.

Histórico eleitoral para Presidente; segundo turno em Pernambuco. Percentuais arredondados.

Somando São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco, temos quase treze milhões de votos válidos que estão “órfãos” no segundo turno. O número é mais que suficiente para reverter a vantagem de Dilma Roussef, caso Aécio Neves consiga atrair esses eleitores. O poder das abstenções, dos nulos e dos votos em branco é, sem dúvida, um elemento interessante no cálculo, mas o número provável em disputa é o de eleitores que já votaram e não possuem mais um representante. A História demonstra que, em São Paulo, Aécio conseguirá impulsionar seus números, mas também demonstra que não pode contar com o Rio de Janeiro nem com Pernambuco; entretanto, hoje, o eleitorado pernambucano é uma incógnita. Fora desses estados, não há capital eleitoral suficiente para reverter a conta. A Presidência do Brasil será decidida por São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco.

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