Conheça Robert Fisk

– por Bruno Brasil

Agora o Xadrez Verbal terá conteúdo novo todo dia, leia mais no editorial sobre esse importante passo no blog.

Bom, antes de tratar do tema de hoje, farei uma breve apresentação. A pedido do dono deste blog, vou começar a escrever periodicamente. Na verdade, nunca escrevi para um público mais abrangente, a não ser alguns comentários em alguns blogs, mas isso faz tempo. De qualquer maneira, espero que a experiência seja bem proveitosa, para quem escreve e para quem lê.

Fisk

Assim como o dono deste blog, gosto muito de História, de futebol, de política e de cultura. Dentre meus temas/lugares favoritos – que são muitos, diga-se –, está o Oriente Médio. Tudo a respeito deste lugar me encanta, me fascina. Em especial o conflito Israel-Palestina, que se arrasta desde muito antes de 1948, algo que muitos omitem.

E como o tema de hoje é Oriente Médio, resolvi fazer algo diferente. Ao invés de falar de um assunto específico, decidi apresentar a todos vocês uma pessoa. Sim, é isso mesmo, um jornalista, para ser mais preciso. Esta apresentação é, claro, virtual, já que não o conheço pessoalmente, embora não desperdiçaria a oportunidade. Trata-se de Robert Fisk.

Ele é minha principal fonte de informação e de análise sobre o que se passa na região. Mora em Beirute desde 1976, como correspondente da imprensa britânica (pelo The Times e pelo The Independent), quando se iniciou a guerra civil libanesa. Antes de se aventurar pelo Oriente Médio, foi correspondente em Belfast – nos tempos quentes do conflito, imortalizado na imortal canção “Sunday Bloody Sunday”, dos imortais de Dublin. Aliás, o cara tem Doutorado em Ciência Política pelo Trinity College Dublin (1983), cujo tema de dissertação é: A condition of limited warfare: Eire’s neutrality and the relationship between Dublin, Belfast and London, 1939–1945. E passou por Lisboa, cobrindo a Revolução dos Cravos.

Na década de 1990, ele ficou mundialmente conhecido por ter conseguido entrevistar pessoalmente ninguém mais ninguém mesmo do que Osama Bin Laden, quando este começava a ganhar certa notoriedade na mídia ocidental. Isso sem contar a cobertura que fez da Revolução Iraniana, da invasão soviética ao Afeganistão, da guerra civil na Argélia, a guerra da Bósnia, a Guerra do Golfo, a invasão do Afeganistão e do Iraque, a Primavera Árabe (termo que ele rejeita) e o conflito Israel-Palestina. Ou seja, ele está há bastante tempo envolvido com o Oriente Médio e com o mundo árabe e muçulmano. Além disso, Fisk não poupa críticas às desastradas/danosas políticas de EUA e Reino Unido na região.

Admiro Robert Fisk não só pela amplitude dos temas que trata, mas também pela maneira como escreve. Em primeiro lugar, Fisk tem um estilo próprio, texto fluido, com muitas ironias e palavras – digamos – rebuscadas, o que é um ótimo treino na língua inglesa. Em segundo lugar, ele sempre se posiciona. Com ele, não tem essa de “equilíbrio entre as diferentes opiniões”, “imparcialidade”, ilusão que a grande imprensa brasileira alimenta diariamente. Em seus artigos, percebe-se claramente uma preferência pelos que são injustiçados, pelos que sofrem, pelos que não têm voz.

Por exemplo, no massacre de Sabra e Chatila, 1982, milhares de refugiados palestinos, sobretudo mulheres e crianças, foram brutalmente assassinados por milícias cristãs drusas, sob os olhares coniventes de tropas israelenses, aliados dos cristãos drusos na guerra civil libanesa. Robert acompanhou de perto o massacre. Em seus textos, deu muito mais espaço para as vítimas palestinas. Não julgou correto dar o mesmo espaço para vítimas e criminosos. Outro exemplo. Durante a segunda Intifada, o Hamas promoveu uma série de atentados a bomba (homem-bomba, melhor dizendo) em cidades israelenses, trazendo uma sombria atmosfera de medo e de terror a Israel. Em sua cobertura, Robert preferiu focar o desespero e o sofrimento das famílias israelenses que perderam entes queridos do que ao braço armado do Hamas.

Esse posicionamento é confirmado pelo próprio Robert Fisk em entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, em 2007, em plena Flip, em Paraty.

 

Robert Fisk escreveu vários livros premiados. Os dois últimos são: “The Great War for Civilisation: The conquest of the Middle East” e “The Age of the Warrior: Selected Essays by Robert Fisk”.

Para finalizar, eis o link para a página dele no site do jornal The Independent.

Vale à pena dar uma conferida, pois ele costuma escrever com certa frequência, ainda mais em tempos turbulentos como este (se bem que, no Oriente Médio, tempo de paz é algo bastante raro, senão inexistente). Também, basta entrar no YouTube, digitar seu nome e assistir às entrevistas e palestras que dá mundo afora. É bem legal.

Espero que tenham gostado desta apresentação e que passem a acompanhá-lo.

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Bruno Brasil é leitor do Xadrez Verbal e mestrando em Relações Internacionais pela Universidade de São Paulo. Pode ser contactado em camponesdobrasil@usp.br . Textos de autoria de Bruno Brasil.

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