Xadrez Dominical – Ditadura Militar parte 1

Caros leitores,

Como a maioria de vocês deve saber, amanhã e depois, dias 31 de Março e Primeiro de Abril, será o aniversário de cinquenta anos do golpe de 1964 que iniciou a ditadura militar brasileira. Dada a importância da data, motivo de diversas coberturas na mídia e nas redes sociais, o Xadrez Dominical de hoje, e o do próximo domingo também, serão sobre o período. A primeira parte, de hoje, dará algumas dicas de filmes e de músicas. A segunda parte tratará de documentários e livros. Então, vamos ao Xadrez Dominical de filmes e músicas sobre a ditadura militar.

abaixoFilmes. Cinco dicas, em ordem cronológica, e uma menção.

Pra frente, Brasil, de 1982, com Reginaldo Faria e Antônio Fagundes, foi um dos primeiros filmes que abordou o tema da ditadura. O filme foi indicado ao Urso de Ouro do Festival de Berlim. Mesmo produzido durante o período da Redemocratização, o filme trouxe problemas para os produtores e pessoas envolvidas; Celso Amorim, futuro Chanceler, na época presidente da Embrafilme, teve que pedir demissão do cargo, por ter aprovado seu financiamento. Pra mim, o filme é um ótimo exemplo dos aspectos emotivos da sociedade brasileira; um cidadão que apoiava a ditadura apenas muda de ideia quando ele se vê vítima de abusos.

Sinopse do AdoroCinema: “Em 1970 o Brasil inteiro torce e vibra com a seleção de futebol no México, enquanto prisioneiros políticos são torturados nos porões da ditadura militar e inocentes são vítimas desta violência. Todos estes acontecimentos são vistos pela ótica de uma família quando um dos seus integrantes, um pacato trabalhador da classe média, é confundido com um ativista político e “desaparece”.”

Filme na íntegra

 

O Beijo da Mulher-Aranha, de 1985, é uma coprodução entre Brasil e EUA, dirigido por Hector Babenco, indicada a quatro prêmios Oscar, inclusive Melhor Filme, e também indicado à Palma de Ouro em Cannes; William Hurt venceu em ambos as cerimônias como Melhor Ator.

Sinopse do AdoroCinema: “Em uma prisão na América do Sul, dois prisioneiros dividem a mesma cela. Um é homossexual e está preso por comportamento imoral e o outro é um prisioneiro político. O primeiro, para fugir da triste realidade que o cerca, inventa filmes cheios de mistério e romance, mas o outro tenta se manter o mais politizado possível em relação ao momento que vive. Mas esta convivência faz com que os dois homens se compreendam e se respeitem.”

Filme na íntegra

 

O Que É Isso, Companheiro?, de 1997, dirigido por Bruno Barreto, foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 1998, com o nome de Four Days in September. É baseado no livro homônimo, de 1979, de Fernando Gabeira. O filme conta a história do sequestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick, em setembro de 1969, por integrantes dos grupos guerrilheiros de esquerda MR-8 e Ação Libertadora Nacional, que objetivavam trocá-lo por presos políticos.

Sinopse do AdoroCinema: “O jornalista Fernando (Pedro Cardoso) e seu amigo César (Selton Mello) abraçam a luta armada contra a ditadura militar no final da década de 60. Os dois alistam num grupo guerrilheiro de esquerda. Em uma das ações do grupo militante, César é ferido e capturado pelos militares. Fernando então planeja o sequestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick (Alan Arkin), para negociar a liberdade de César e de outros companheiros presos.”

Filme na íntegra

 

O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de 2006, dirigido por Cao Hamburger, foi nomeado ao Urso de Ouro do Festival de Berlim de 2007. O filme foi motivo de certa polêmica, pois foi o escolhido para ser a indicação nacional ao Oscar, em detrimento de Tropa de Elite; no fim das contas, o filme não foi selecionado nem para ser indicado. A produção do filme foi muito elogiada e ele divide com Pra frente, Brasil o fato de ter, como pano de fundo da trama, a Copa do Mundo de 1970.

Sinopse do AdoroCinema: “1970. Mauro (Michel Joelsas) é um garoto mineiro de 12 anos, que adora futebol e jogo de botão. Um dia sua vida muda completamente, já que seus pais saem de férias de forma inesperada e sem motivo aparente para ele. Na verdade os pais de Mauro foram obrigados a fugir por serem de esquerda e serem perseguidos pela ditadura, tendo que deixá-lo com o avô paterno (Paulo Autran). Porém o avô enfrenta problemas, o que faz com que Mauro tenha que ficar com Shlomo (Germano Haiut), um velho judeu solitário que é seu vizinho. Enquanto aguarda um telefonema dos pais, Mauro precisa lidar com sua nova realidade, que tem momentos de tristeza pela situação em que vive e também de alegria, ao acompanhar o desempenho da seleção brasileira na Copa do Mundo.”

Filme na íntegra

 

Faroeste Caboclo é o filme mais recente da lista, de 2013. O filme é baseado na música homônima da banda Legião Urbana, e foi sucesso de público. O filme não aborda diretamente o período da ditadura, embora algumas passagens fiquem implícitas, como páginas de jornal e a presença ostensiva do exército em algumas cenas de época. O filme é interessante para desmistificar um pouco o período, explicitando que durante a ditadura, vista como muitos como um período de grande segurança pública, havia tráfico de drogas, crimes variados, assassinatos, corrupção policial, etc.

Sinopse do AdoroCinema: João (Fabrício Boliveira) deixa Santo Cristo em busca de uma vida melhor em Brasília. Ele quer deixar o passado repleto de tragédias para trás. Lá, conta com o apoio do primo e traficante Pablo (César Troncoso), com quem passa a trabalhar. Já conhecido como João de Santo Cristo, o jovem se envolve com o tráfico de drogas, ao mesmo tempo em que mantém um emprego como carpinteiro. Em meio a tudo isso, conhece a bela e inquieta Maria Lúcia (Ísis Valverde), filha de um senador (Marcos Paulo), por quem se apaixona loucamente. Os dois começam uma relação marcada pela paixão e pelo romance, mas logo João se verá em meio a uma guerra com o playboy e traficante Jeremias (Felipe Abib), que coloca tudo a perder.

Filme na íntegra

 

Finalmente, saindo dos filmes dramáticos e históricos, menção ao filme O Homem que Comprou o Mundo, de Eduardo Coutinho, morto recentemente em um episódio trágico. O filme, de 1968, é uma sátira do regime militar e da Guerra Fria como um todo, usando países fictícios, como as Potências Anterior (paródia dos Estados Unidos) e Posterior (paródia da União Soviética). O filme tem um grande elenco da época, com Flávio Migliaccio, Marília Pêra, Raul Cortez e Milton Gonçalves, entre outros. Foi o primeiro filme longa-metragem de Coutinho.

Sinopse do AdoroCinema: Em uma sociedade fictícia, José Guerra (Flavio Migliaccio), cidadão comum, recebe um milionário cheque e não consegue retirar o dinheiro. Acreditando que o uso da fortuna colocará em risco a economia do país, as autoridades prendem José e exigem que ele mude de ideia.

Filme na íntegra

 

Músicas. Cinco dicas, em ordem cronológica, e uma menção, de músicas da época, sobre a ditadura ou icônicas do período; são dicas motivadas pelo significado cultural e social das canções, não por critérios musicais ou de gosto.

De 1967, de Caetano Veloso, Alegria, Alegria é um marco da Tropicália.

Trecho: Caminhando contra o vento/Sem lenço e sem documento/No sol de quase dezembro/Eu vou

 

De 1967, de Wilson Simonal, Tributo a Martin Luther King foi uma das primeiras músicas que trataram do tema do racismo no Brasil.

Trecho: Sim, sou um negro de cor/Meu irmão de minha cor/O que te peço é luta sim/Luta mais!/Que a luta está no fim…

 

De 1968, Caminhando (Para não dizer que não falei das flores), de Geraldo Vandré, se tornou um dos maiores símbolos do movimento estudantil do período. Linkei a versão com a poderosa voz de Zé Ramalho.

Trecho: Há soldados armados/Amados ou não/Quase todos perdidos/De armas na mão/Nos quartéis lhes ensinam/Uma antiga lição: De morrer pela pátria/E viver sem razão

 

De 1969, As curvas da Estrada de Santos, de Roberto Carlos, retrata o boom econômico do período, simbolizado pela indústria automobilística, e é um símbolo da Jovem Guarda, o movimento cultural que é muito criticado por ter sido “apolítico”, voltado apenas para a diversão.

Trecho: Você vai pensar que eu/Não gosto nem mesmo de mim/E que na minha idade/Só a velocidade anda junto a mim

 

De 1973, Cálice, de Chico Buarque, talvez seja a música mais direta sobre a repressão, que na época estava provavelmente em seu auge, durante o governo Médici.

Trecho: De muito gorda a porca já não anda (Cálice!)/De muito usada a faca já não corta/Como é difícil, Pai, abrir a porta (Cálice!)/Essa palavra presa na garganta

 

Finalmente, menção à Pra frente, Brasil, música tema da Copa de 1970, que foi usada, tanto a música quanto a conquista esportiva, pela ditadura para fins de propaganda, com forte tom ufanista.

Trecho: Noventa milhões em ação/Pra frente Brasil, no meu coração/Todos juntos, vamos pra frente Brasil

 

Fiquem de olho para a próxima parte, semana que vem.

Gostaram? Não gostaram? Mais dicas? Comente.

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