Xadrez Dominical – Maximilian Schell e Phillip Seymour Hoffman

Caros leitores,

Esse final de semana teve a morte de dois atores que marcaram seu nome na História do cinema. O Xadrez Dominical de hoje é uma pequena homenagem aos dois, relembrando e dando dicas das carreiras de Maximilian Schell, que morreu ontem, aos 81 anos de idade, de complicações de pneumonia, e de Philip Seymour Hoffman, que foi encontrado morto hoje, aos 46 anos, de causas não esclarecidas.

Maximilian Schell e Philip Seymour Hoffman

Maximilian Schell e Philip Seymour Hoffman

Maximilian Schell era austríaco, radicado na Suíça, mas marcou como um dos maiores, se não o maior, intérprete de personagens alemães durante o auge dos filmes sobre a Segunda Guerra Mundial; contribuía também o fato de Schell ser fluente tanto em alemão quanto em inglês. Ganhou o Oscar de Melhor Ator pelo seu papel do advogado alemão Hans Rolfe no filme Julgamento em Nuremberg, sobre os julgamentos dos criminosos da Alemanha nazista.

Também foi indicado ao Oscar por Um Homem na Caixa de Vidro, inspirado vagamente na história real de Adolf Eichmann, e por seu papel em Júlia, ambos os filmes retratando temas ligados ao nazismo.

Saindo dos dramas, destaco quatro filmes de guerra que contam com Schell. Os Heróis não Se Entregam, típico filme de guerra das décadas de 1950-1960, pastelão, com Charlton Heston como o “mocinho”. O Dossiê Odessa, baseado no ótimo livro de Frederick Forsyth (que não é atualmente editado em português, mas pode ser facilmente encontrado em sebos, e é uma ótima leitura de suspense), em que Schell interpreta o criminoso das SS Eduard Roschmann, o “Açougueiro de Riga”, com Jon Voigt como protagonista.

Dois clássicos do gênero também contam com Schell. Cruz de Ferro, um dos primeiros filmes sobre a guerra cujos protagonistas eram alemães, com James Coburn dividindo o protagonismo, e Uma Ponte Longe Demais, baseado no best-seller jornalístico de Cornelius Ryan (autor também dos clássicos O Mais Longo dos Dias e A Última Batalha, ambos atualmente editados pela L&PM); o livro não é atualmente editado, mas também é facilmente encontrado em sebos. Com um dos elencos mais estelares da história do cinema (Dirk Bogarde, James Caan, Michael Caine, Sean Connery, Anthony Hopkins, Gene Hackman, Laurence Olivier e Robert Redford, dentre outros), Schell vive o General der Waffen-SS Wilhelm Bittrich, comandante do II SS Panzer Corps e principal antagonista do filme, durante a Operação Market Garden, uma das maiores operações da Segunda Guerra Mundial (tema de um episódio da série Band of Brothers, de um jogo de estratégia, entre diversas outras referências). Você pode assistir o filme na íntegra, no idioma original, abaixo.

Mas, justamente para evitar ser tipificado apenas como intérprete de personagens alemães, Schell diversificou bastante sua carreira. Destaco sua participação no filme para televisão Stalin, produzido pela HBO e vencedor de três Globo de Ouro, incluindo Melhor Ator para Robert Duvall, intérprete de Stálin; Schell vive Lênin, o líder da Revolução Bolchevique. Finalmente, dirigiu o premiado (e indicado ao Oscar de Melhor Documentário) Marlene, sobre sua amiga, a atriz Marlene Dietrich, que relutou em participar do filme; sua participação se resume a faixa de áudio, explorada em uma estética totalmente nova por Schell.

Philip Seymour Hoffman nasceu e morreu em Nova Iorque. Seu primeiro papel de destaque, e com muito destaque, é no clássico Perfume de Mulher, com Al Pacino e Chris O’Donnell; ele é George Willis, Jr., um dos garotos suspeitos de vandalizar o carro do diretor. Ainda não lembrou? A clássica e memorável cena do julgamento talvez refresque sua memória (aviso de spoilers; você pode ativar a tradução das legendas).

Também esteve no filme indicado a três Oscars sobre a indústria pornô dos anos 1970 Boogie Nights, contracenou com De Niro em Ninguém é Perfeito, em que viveu a drag queen Rusty e também está no ótimo thriller O Talentoso Ripley, indicado a cinco Oscars.

Hoffman também fez comédias comerciais, papéis menores e filmes independentes até seu grande estouro, com Capote, em que ganhou o Oscar de Melhor Ator, logo em sua primeira indicação, em que vive o autor e jornalista Truman Capote, baseado na biografia Capote, editada no Brasil pela Editora Globo. O filme se passa no período em que Capote escrevia um de seus principais livros, A Sangue Frio, editado no Brasil pela Companhia das Letras.

Hoffman receberia outras três indicações ao Oscar, todas por Melhor Ator Coadjuvante; não venceria nenhuma. Foi indicado por Jogos do Poder, pelo ótimo Dúvida, em que vive um padre suspeito de pedofilia, em um ótimo trabalho de Meryl Streep e, mais recentemente, por O Mestre, protagonizado por Joaquin Phoenix; não assisti esse último, então, não posso comentar muito. Finalmente, destaco e recomendo um trabalho de dublagem de Hoffman, no ótimo Mary e Max: Uma amizade diferente, sobre a amizade via cartas (pen pals) entre uma garotinha e um senhor solitário. O filme atualmente está no Top250 do International Movie Database, na posição de número 172 (entre todos os filmes já produzidos catalogados!).

Gostaram? Não gostaram? Mais dicas? Comente.

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