Assembleia Geral da ONU – Netanyahu, Palestina e um Nobel da Paz

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Finalizando a análise do Debate da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, vamos ao sétimo, e último, dia, Primeiro de Outubro. E quem melhor para encerrar esse Debate, o último discurso do último dia? Benjamin Netanyahu, Primeiro-Ministro de Israel. Minha fonte é a transcrição, em inglês e na íntegra, disponível no site do jornal israelense Haaretz.

Ontem, tratei da parte do discurso de Netanyahu que tratava do Irã; hoje, analisarei a parte em que o líder israelense falou sobre a Palestina. Parte de minha análise será baseada na aula aberta proferida pelo ex-presidente do Timor Leste e Prêmio Nobel da Paz (1996) José Ramos-Horta, que falou, na última terça-feira, sobre o tema “Perspectivas de Paz para Israelenses e Palestinos”, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, e que tive o prazer e o privilégio de assistir (a mesa do evento foi mediada pelo meu bom amigo, já citado aqui, Daniel Douek).  E, amanhã, farei um relato completo sobre a aula aberta, não percam pois valerá a pena.

ex-presidente do Timor Leste e Prêmio Nobel da Paz (1996), Representante Especial do Secretário-Geral da ONU e Chefe do Gabinete Integrado das Nações Unidas para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau (UNIOGBIS) José Ramos-Horta Foto: AP

Ex-presidente do Timor Leste e Prêmio Nobel da Paz (1996), Representante Especial do Secretário-Geral da ONU e Chefe do Gabinete Integrado das Nações Unidas para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau (UNIOGBIS) José Ramos-Horta
Foto: AP

Transcreverei aqui quase na íntegra o trecho do discurso sobre a Palestina: “Israel continua a procurar um compromisso histórico com nossos vizinhos palestinos, uma que termina o nosso conflito de uma vez por todas. Queremos a paz com base na segurança e reconhecimento mútuo, no qual um Estado palestino desmilitarizado reconheca o Estado Judeu de Israel. Continuo empenhado em alcançar uma reconciliação histórica edificante. (…) Meus antecessores estavam preparados para fazer concessões dolorosas. Eu também estou, mas até agora os líderes palestinos não se mostraram preparados para oferecer as dolorosas concessões que devem fazer, a fim de acabar com o conflito. Para que a paz seja alcançada, os palestinos devem, finalmente, reconhecer o Estado Judeu, e as necessidades de segurança de Israel devem ser atendidas. Estou preparado para fazer um compromisso histórico para a paz genuína e duradoura, mas eu nunca vou comprometer a segurança do meu povo e do meu país, o primeiro e único Estado Judeu.”.

Ramos-Horta afirmou, dentre outras coisas, que a existencia do Estado palestino é “inevitável”, restando saber se ocorrerá de forma pacífica ou após algum evento de grandes proporções, e a chave para a solução do conflito (embora ele tenha afirmado, de forma bem-humorada, que, se soubesse como solucionar o conflito, já o teria feito) é o reconhecimento internacional de ambos os países e a solução negociada de fronteiras. Ao responder uma pergunta sobre o Hamas, afirmou que não é um grupo terrorista; é um grupo extremista, mas organizado e que o extremismo só é arrefecido pela negociação, não pelo conflito, que apenas o alimenta, e deu o exemplo do Hezbollah, que era considerado um movimento terrorista, e hoje é parte do governo libanês que mantém laços com o governo dos EUA. Ramos-Horta usou bastante, num contexto geral, o conceito de liderança; no âmbito do conflito entre israelenses e palestinos, colocou a necessidade de um Israel “magnânimo”, pois a independência da Palestina pode apenas ocorrer via Israel; ao mesmo tempo, Israel depende da Palestina para sua própria legitimidade, pois, até esta solução, será sempre lembrado pelos seus excessos e seu domínio sobre os vizinhos. Para tal Israel “magnânimo”, é necessário um líder com visão e força de vontade.

Volto ao discurso de Netanyahu. Ele exige um Estado palestino “desmilitarizado”; além disso, afirmou que os “líderes palestinos” não estão preparados para fazerem suas “concessões dolorosas”. Tais concessões poderiam ser territórios que, originalmente, pertenceriam aos palestinos, como Acre e Haifa. Tais concessões dolorosas também poderiam ser sobre os assentamentos, ilegais, de judeus em território palestino. Talvez seja sobre manter um programa de anos relativo à retirada de cidadãos de cada lado para seu respectivo território, tal qual Israel fez com o Egito sobre a península do Sinai. Pode ser também sobre a presença dos EUA na região, tradicional, se não o maior, aliado israelense. Ainda, sobre a frequência de reuniões e negociações entre os dois governos, que diminuem toda vez que o partido israelense Likud assume o poder. Talvez sejam todas essas concessões e exigências ao mesmo tempo.

Se forem, o Presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, já cedeu em todas. Publicamente.

Apropriando-me da perspectiva de Ramos-Horta, falta uma atitude magnânima do governo de Israel, que conceda aos palestinos o seu país e garanta a legitimidade do seu próprio lar. Falta um líder com visão e força de vontade.

Pelo que se lê nos jornais, esse líder não virá do Likud. Pelo que ouvimos sobre o assunto na ONU, esse líder não é Netanyahu. Amanhã essa situação pode mudar, mas, hoje, o problema está no governo de Israel.

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