Fronteiras Invisíveis do Futebol #26 – Chapecó

chapeco

Fronteiras Invisíveis do Futebol é a nova iniciativa do Xadrez Verbal, um podcast sobre História, política atual, geopolítica, tudo isso com o fio condutor do futebol. Apresentado pelo meu amigo Matias Pinto, que também apresenta o podcast que vocês tanto apoiam, o programa será quinzenal, com um belo trabalho de edição. Em cada programa teremos A História, O Campo e O Mapa, contando sobre alguma região do planeta, sua identidade cultural e sua História. A série é motivada pela série de textos especiais Fronteiras Invisíveis da Europa, que discute nacionalismos, regionalismos e a União Europeia.

Ainda sensibilizados pela fatalidade da madrugada 29 de novembro, decidimos homenagear a Chapecoense e os habitantes da cidade, localizada no oeste de Santa Catarina. Os primeiros habitantes da região pertenciam ao tronco linguístico macro-jê, sendo denominados posteriormente de kaingangs (“moradores do mato”), dos quais muitos foram catequizados pelos jesuítas, enquanto outros foram escravizados pelos bandeirantes.

As margens do rio Chapecó, o principal afluente do Uruguai, sempre estiveram em disputa entre as populações nativas e os invasores espanhóis e portugueses. O impasse continuou no século XIX, com as independências de Argentina (1816) e Brasil (1822), além da Guerra do Paraguai (1864-70), conflito no qual alguns indígenas lutaram pelas tropas imperiais. Neste período, destaca-se a liderança de Vitorio Condá, cacique que garantiu a posse das terras que hoje formam a Aldeia que leva o seu nome – assim como o estádio – localizada a 15 quilômetros do centro da cidade, e a chegada dos primeiros imigrantes europeus.

Entre 1890 a 1895, as fronteiras entre as repúblicas argentina e brasileira foram delimitadas, destacando-se a atuação do barão do Rio Branco e arbitragem internacional do presidente estadunidense Grover Cleveland. Contudo, o munício era muito cobiçado, sendo incluído na disputa pela Guerra do Contestado (1912-16) entre Paraná e Santa Catarina.

Enquanto, sua área diminuiu ao longo das décadas, sua população seguiu crescendo graças à indústria frigorífica, base para o surgimento da Associação Chapecoense de Futebol, em 1973, fruto da fusão entre dois antigos clubes de Chapecó. Principal expoente futebolístico da região, a Chape conquistou cinco títulos estaduais (1977, 1996, 2007, 2011 e 2016) antes de entrar para a história como primeira equipe catarinense a chegar em uma final continental e ser aclamada campeã.

 

Referências no programa

Livro Navegantes, Bandeirantes, Diplomatas, de Synesio Sampaio Goes Filho

Livro As fronteiras do Brasil, em pdf, de Synesio Sampaio Goes Filho

Texto O dia em que o River conheceu o Índio

Podcast Dibradoras sobre a Chapecoense

Música Índio Condá, da banda Repolho

Ouça o podcast aqui ou baixe o programa. 

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A revista de política internacional do Xadrez Verbal é feita na Central 3, confira o restante da programação aqui.


assinaturaFilipe Figueiredo, 29 anos, é tradutor, estudante, leciona e (ir)responsável pelo Xadrez Verbal. Graduado em História pela Universidade de São Paulo, sem a pretensão de se rotular como historiador. Interessado em política, atualidades, esportes, comida, música e Batman.


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11 comentários

  • Prezado Filipe

    Acredito que tenha dado um bug no post. O título está Chapecó e o texto é sobre o Congo. O que houve?

  • Um belo tema, uma justa homenagem para a grande Chape.

    Ainda dentro do Brasil, seria interessante um programa sobre a famigerada Rússia BR, o PR. Analisar porque, apesar de termos aqui times de projeção nacional, como Coritiba e Atlético-PR, dificilmente alguém torce para eles fora de Curitiba (ao menos é minha impressão).

    Um abraço, força para a Chape e 2017 é o ano do Tubarão (Londrina Esporte Clube) campeão da série B.

  • Felipe, já que mencionaste Tubarão, minha terra natal, segue algumas informações sobre o futebol da cidade:

    o extinto Tubarão FC foi muito bem na Copa Sul-minas de 2002, terminando na quinta posição. Não chegou às semifinais por decisão extra-campo. O clube surgiu em 1992 quando o Ferroviário EC mudou de nome e o Hercílio Luz FC licenciou-se do futebol profissional deixando um só clube na cidade. Em 2005 o clube fechou as portas. Hoje a cidade tem dois clubes, o Hercílio Luz, que voltou à ativa em 2008, e está na segunda divisão estadual e o Atlético Tubarão “herdeiro” do Tubarão/Ferroviário, que jogará a primeira divisão estadual ano que vem.

    O Hercílio Luz é o clube em atividade mais antigo do estado, foi bi-campeão estadual e 1958-59 e primeiro time de SC a participar de um campeonato nacional.

    Abraço

  • Salve o Oeste Catarinense !!

  • MARCELO FERREIRA MAITA

    Também jogou no palmeiras, após passar pelo São Caetano, o zagueiro e lateral Marcão. Ele era o primeiro reserva do São Caetano na copa João Havelange. No Palmeiras era o marcador do Ronaldo fenômeno no gol de cabeça no clássico contra o Corinthians. Aquele da queda do Alambrado.

  • Muito bom o programa! Gostaria de ver mais Fronteiras Invisíveis do Futebol no Brasil. Nesse país imenso a gente acaba conhecendo só a história da nossa região (e olhe lá!) e ignorando completamente as particularidades históricas das outras regiões…

  • Amigos, mais um excelente podcast, muito obrigado pelo conteúdo e programa que vocês fazem. Apenas para apoiar o link do Livro Navegantes, bandeirantes, diplomatas está em falta na Amazon, logo aqui uma versão em PDF na Fundação Alexandre Gusmão http://funag.gov.br/loja/index.php?route=product/product&product_id=738&search=bandeirantes

  • moro a 11 km do taguaruçu até hoje se acha armas e munições e cemitérios da guerra.

  • Como um catarinense, fico feliz em ouvir este episódio, muito obrigado.

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