Xadrez Dominical – Caminho para a Primeira Guerra Mundial

Caros leitores, na última semana tivemos o aniversário da Crise de Agadir, no Marrocos, quando o Império Alemão demandou maiores concessões territoriais pelo mundo. A crise quase foi o estopim da Primeira Guerra Mundial e sua resolução apenas adiou o conflito. Um dos principais atores alemães da crise foi a canhoneira SMS Panther, também envolvida numa crise diplomática com o Brasil, explicada neste vídeo. Para elucidar melhor o assunto, vamos com um Xadrez Dominical com dicas sobre o caminho até a guerra.

Caricatura da época sobre a Crise de Agadir, com o "punho de ferro" do Kaiser alemão

Caricatura da época sobre a Crise de Agadir, com o “punho de ferro” do Kaiser alemão

As cinco habituais dicas serão de leituras. A menção final, o leitor verá. A primeira dica é um livro que foi recentemente lançado em português. Sempre que possível, tento recomendar obras disponíveis em nosso idioma, para facilitar o acesso. O livro é Os Sonâmbulos, editado no Brasil pela Companhia das Letras, do historiador australiano Christopher Clark, professor de Cambridge. O livro narra a sequência de eventos que levou a Europa para a guerra, aparentemente sem perceber que esse seria o grave resultado, como a caminhada de um sonâmbulo. É um livro espetacular.

A segunda dica, aparentemente, não tem nexo com o assunto. Recomendo o livro O Bloqueio da Venezuela em 1902, de Ana Maria Stuart, editado pela Editora Unesp. Qual a ligação, o leitor pode se perguntar? Os anos que antecederam a Primeira Guerra Mundial foram marcados pela “diplomacia da canhoneira”, em que a projeção de força global das potências, especialmente pela via naval, era utilizada como forma de pressão política. No caso venezuelano, após um calote do país vizinho, houve um bloqueio naval, feito pelas marinhas da Alemanha, Itália e Reino Unido. Um dos navios alemães envolvidos no episódio era, adivinhem? O SMS Panther, envolvido também na crise de Agadir, no Marrocos. A “diplomacia da canhoeira” é um fator importante para entender o contexto da guerra.

A terceira dica é outro livro recentemente lançado em português. Os Três Imperadores, da inglesa Miranda Carter e editado pela Objetiva. O livro é uma “biografia em conjunto” do Kaiser Guilherme II da Alemanha, do Czar Nicolau II da Rússia e de Jorge V da Inglaterra. O subtítulo do livro explicita sua abordagem: “Três primos, três imperadores e o caminho para a Primeira Guerra Mundial”. Os três imperadores eram netos da Rainha Vitória, e, por anos, tiveram uma convivência muito amigável, como primos. É um fato comumente negligenciado no Brasil, e uma tese relativamente recente, de que o caminho para a Primeira Guerra Mundial talvez tenha um tempero de “briga de família”.

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A quarta dica é um livro de um autor mais relacionado aos livros sobre a Segunda Guerra Mundial, mas Max Hastings também escreve sobre a Primeira Guerra Mundial. Catástrofe – 1914: A Europa vai à guerra, editado pela Intrínseca, tem como ponto de partida o assassinato do arquiduque. Ou seja, Hastings não trata do contexto e das crises anteriores, mas da escalada e acirramento dos ânimos e o consequentemente enfrentamento.

A quinta e última dica é justamente o contrário. Para entender o contexto histórico e político da “guerra para acabar com as guerras”, é necessário voltar muitos anos antes. Suprindo essa lacuna, minha recomendação é Era dos Impérios: 1875-1914, de Eric Hobsbawm. O livro traça um panorama amplo sobre todo o contexto imperialista e colonialista que, mais que anteceder, gerou o conflito. O livro é um clássico e, embora não seja uma “obra absoluta”, é bem completo para o leitor ocasional. O livro é editado pela Paz e Terra.

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E a menção do post, qual é? Para sair dos livros, a menção vai para uma série de TV dramática, um docudrama. Aproveitando o vindouro dia Quatro de julho, quando é celebrada a independência nos EUA, uma série interessante sobre o período é Filhos da Liberdade, que passou no Brasil exibida pelo History Channel

Gostaram, não gostaram, mais dicas? Comentem a vontade!

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