O Batismo de Bolsonaro

– por Alexander Stahlhoefer

Caros leitores, fui, de curioso, pedir algumas considerações teológicas sobre o batismo do deputado federal Jair Bolsonaro, em Israel, para o teólogo Alexander Stahlhoefer, que já participou do podcast do Xadrez Verbal. A curiosidade saiu melhor que o soneto e o Alexander resolveu brindá-los com um texto analisando, em um ponto de vista teológico e político, o episódio. Espero que gostem!

Conversão religiosa é um fenômeno plenamente normal. Corresponde inclusive à um direito humano, o da liberdade religiosa. Nenhuma pessoa humana pode ser coagida por quaisquer meios a permanecer, abandonar sua confissão religiosa, assim como não pode ser obrigado a converter-se a uma outra religião. Sua consciência é a única juíza adequada para decidir sobre questões de fé e religião. Dito isto, pode parecer desnecessário uma tentativa de analisar o batismo do Deputado Federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), ocorrido na última quarta-feira (11/05) no Rio Jordão em Israel. O ato religioso foi realizado pelo pastor Everaldo Dias Pereira, ministro da Igreja Evangélica Assembleia de Deus Ministério Madureira do Rio de Janeiro, presidente nacional do Partido Social Cristão e candidato à Presidência da República no pleito de 2014.

Entretanto, como o ato de Bolsonaro foi uma manifestação pública da fé cristã e um rito de entrada na comunhão de uma igreja cristã, é preciso olhar mais de perto quais as consequência e até possíveis razões do ato. A primeira questão que se coloca é a validade do ato em si. Embora o batismo cristão seja compreendido e praticado de diversas formas, há alguns pontos em que as diversas confissões cristãs concordam. O batismo deve ser realizado com água. As confissões divergem sobre o modo e a quantidade de água. Algumas afirmam a necessidade de submersão em um rio, mantendo-se fiel ao significado da palavra batismo na língua grega, isto é, o de mergulhar na água. Além disto o batismo deve ser precedido por uma confissão de fé pessoal por parte do batizando, ou por parte de pais e padrinhos nas igrejas que batizam crianças. Além disto o batismo deve ser feito em nome de Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Todos estes elementos estão presentes no batismo do Deputado Bolsonaro, o que nos reconhecer que o batismo dele é válido.

Porém, é preciso notar que um destes aspectos comuns na compreensão do batismo, é que ele marca a entrada na comunhão de uma igreja. Isto é, o batizado passa a ser considerado membro da igreja na qual ele foi batizado. Especialmente quando o candidato ao batismo é adulto, entende-se que se trata de um ato público de confissão de fé do batizando. É uma concordância com o ensino professado por aquela confissão religiosa. Por isto é um rito de entrada na igreja. Analisando por este viés, teríamos que entender o batismo de Bolsonaro como uma conversão à Igreja Evangélica Assembleia de Deus. Entretanto a assessoria de imprensa do Deputado afirma que ele é (permanece) católico. Esta declaração nos causa estranheza. Quais razões teria uma pessoa para participar de um rito de iniciação em determinada igreja e por outro lado sustentar a pertença a uma outra denominação cristã? Se ao menos uma delas tivesse caráter sincrético ou aberto em sua compreensão de pertença e membresia, não haveria qualquer problema em uma membresia dupla, assim pensam algumas correntes do espiritismo kardecista, que não pede que seus adeptos deixem sua religião de origem, por exemplo. Como este não é o caso da Igreja Católica, muito menos o caso da Assembleia de Deus, teremos que aguardar posterior manifestação do próprio Deputado Bolsonaro sobre a sua suposta conversão religiosa.

Mas quero conjeturar um pouco mais. Supondo que ele mantenha a posição dada por sua assessoria, de que ele é e permanece católico, então ele terá um problema a resolver com esta instituição religiosa. Isto porque os cânones da Igreja Romana não concebem que um católico receba o batismo pela segunda vez. Na compreensão católica o batismo tem caráter indelével. Ele comunica uma graça especial ao batizando, graça esta que nenhuma pessoa pode “descomunicar”. Pela desnecessidade da repetição do ato do batismo defere-se também que uma repetição é compreendida como um “pouco caso” do batismo recebido anteriormente, e portanto um erro, um pecado. Caso a pessoa que rebatizada queira voltar à comunhão da Igreja Católica, terá que confessar que este rebatismo foi um erro do qual se arrepende e terá que confessar publicamente que errou e quer voltar à Igreja Romana. Portanto, caso o Deputado Jair Bolsonaro queira manter a sua posição de católico terá que se apresentar à uma paróquia católica, confessar-se perante um padre e em seguida confessar publicamente na Missa o seu erro. Acredito que politicamente isto não seja uma atitude interessante para um político que recentemente trocou de sigla, aderindo ao Partido Social Cristão, com clara intenção de tornar-se candidato à Presidência da República.

Importante notar que a própria viagem à Israel, onde o batismo se consumou, não é mero turismo religioso do deputado e seu “mentor espiritual”, muito antes, trata-se de uma agenda política do PSC. De acordo com o blog do Pr. Everaldo, presidente da sigla, diversos encontros com autoridades políticas israelenses foram estabelecidos, para inclusive reverter a decisão do governo Dilma de rejeitar a nomeação do diplomata Dani Dayan para a embaixada de Israel no Brasil, caso Bolsonaro seja eleito Presidente.

A aproximação do PSC com o governo de Israel, especialmente com políticos e religiosos israelenses que defendem uma visão mais ortodoxa e conservadora do judaísmo, se coaduna com compreensões teológicas típicas de grande parte do evangelicalismo brasileiro. Não seria, portanto, muito oportuno para Bolsonaro neste momento aliar à sua imagem de conservador um elemento religioso que o torne ainda mais aceitável à população evangélica brasileira? Não seria, além disto, muito astuto da parte do deputado “converter-se” fora de um templo pentecostal, em terreno neutro, e além disto insistir que permanece católico para manter-se palatável ao eleitorado católico conservador? Em breve saberemos o quanto o batismo de Bolsonaro foi realmente uma conversão religiosa e o quando foi tão somente uma estratégia política. Mal posso esperar pelos debates dos presidenciáveis!


Alexander Stahlhoefer é teólogo e ministro luterano, doutorando em Teologia pela Universidade Friedrich-Alexander de Erlangen-Nuremberg, Alemanha. Blogueiro e podcaster no Bibotalk


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62 comentários

  • Rene Gonçalves da Silva

    BOA, Alexander Stahlhoefer . Penso que é preciso “monitorar” desde já esta escoria da ditadura de 64. Melhor será que nem seja candidato, pois que pré-candidato já é muita tolerância mesmo em um sistema “mafiocrático” .

  • Veronica Christina Rodrigues Dutra

    Adorei o ponto de vista, resumindo uma atitude totalmente politica.

  • Por que que ao invés de fazer 300 mil conjecturas, não se pensa no mais óbvio: que o batismo no Jordão foi muito mais um ato místico (onde Jesus se batizou) do que qualquer outra coisa? Muitas igrejas incentivam seus membros a irem e se batizarem no Jordão e nunca causa alvoroço. A diferença é que qualquer coisa referente ao Bolsonaro dá fricote nas pessoas. Em nenhum momento ele disse que aderiu a igreja protestante, apenas quis se batizar onde Jesus se batizou. Se você acompanha o mínimo do Bolsonaro, quando que ele quis fazer média com alguém?

    • Neste caso ele nao precisaria se batizar, e ao faze-lo estaria contrariando as regras da igreja catolica, a qual conforme lembrado pelo Alexandre, nao reconhece esta pratica e ainda a condena. Este texto nao trata o batismo dele no rio jordao como um fricote, apenas faz uma analise teologica do mesmo. Entendo, pelo seu texto que vc admira o cara, mas nao deixe a sua admiracao ofuscar seu olhar. Ele pode sim, usar este ato para atrair um eleitorado bem especifico como o evangelico, o qual, por mais odiado que seja, possui grande influencia na sociedade brasileira. Isto e normal no meio politico, seja aqui no Brasil ou em qualquer outro lugar.

      • Veronica Christina Rodrigues Dutra

        Concordo totalmente com você!

      • Ñ sei pq chegamos à esse assunto,tem q ser um teólogo mt bosta pra escrever nada..ñ importa isso,é um ato pessoal de uma pessoa,ñ muda em nd o q ele é até hj e vai continuar a mesma pessoa.Já. percebi q quem arruma coisas sem coesão pra falar são essas pessoas q escrevem pra sites…ngm quer saber um relato seu qñ dispertar curiosidade,uma coisa a mais.Vai buscar escrever alguma coisa interessante,ai vem uns bocós escrever bobeiras q ele é católico e ñ pode fazer isso…ah pelo amor,mandam a igreja católica fazer atos bonitos como esse pra ñ ter problemas.

        • Serio que voce esta definindo o cara como um teólogo muito bosta, só p q vc nao concorda com o que ele escreveu? Vc deve ser o cara mesmo né. Ta até definindo a qualidade dos outros. Imagino p q é tao dificil para algumas pessoas, escrever algo sem ofender a outra e manter um nivel agradável. Quanto ódio, por nada. O Bolsonaro é apenas um homem comum, cuja visao politica é conservadora e que trabalha para fazer aquilo que acredita. Ele nao é um “deus” ou o ursinho de pelucia de alguem, daqueles que ficam guardados sob uma redoma de ciumes. Acredito que ele mesmo, teria uma resposta mais voltada para o diálogo, do que pra esse tipo de critica.

        • Favor fazer algo mais construtivo que apenas ofender o autor. Esse tipo de comportamento é pra outros espaços de comentários.

    • Concordo totalmente amigo!

    • Anderson,
      sim, bem poderíamos entender o batismo do Bolsonaro com um emocionalismo. Ele se emocionou ao ver o rio Jordão, talvez lhe dirigiram alguma palavra que provocou emoções mais fortes e ele se identificou com elas e resolveu tomar um banho no rio. Acredito que até uma pessoa totalmente avessa à religião faria isso, apenas pela experiência mística. Também você tem razão ao dizer que muitas igrejas incentivam o ato. Há aquelas que simplesmente não veem problema em repetir o batismo, mas isto se deve mais a uma suposta busca por zelo doutrinário e desconfiança de que o batismo anterior não tenha sido feito de modo “correto”, do que uma busca por algum efeito mágico ou místico no ato em si. Há também entre os que não aceitam a repetição do ato batismal meios para mesmo assim revivê-lo. Nas Igrejas Católica e Protestante é possível fazer um ato de rememoração do batismo, e creio que é exatamente isto que ocorre quando católicos, que viajam em grupos dirigidos por ministros católicos, se banham no rio. Revivem seu batismo. Há uma diferença sutil na liturgia, onde a maioria nem percebe e acredita se tratar de um batismo, sendo na realidade um rito de rememoração. No caso de Bolsonaro é liturgicamente um batismo. Pra concluir, pode ser que ele só se emocionou mesmo, mas pode ser que ele aproveitou a “emoção” do momento e resolveu compartilhar na rede, talvez com outras intenções, pq não?

  • Excelente texto, manteve um tom de neutralidade e profundidade que raramente aparece na internet quando o assunto é Bolsonaro

  • Cláudio Antônio da Silva

    Eu já havia lido uma reportagem sobre o assunto, e para mim, ficou claro a intenção política do Bolsonaro, já que ele tem intenção de concorrer à presidência no próximo pleito, claro que não posso afirmar que seja isso, mas é como disse o Alex em seu excelente texto, esperar para ver o que vai acontecer.

  • Muito bom o texto. Mas gostaria de levantar um debate entre os leitores. Vocês acham que ele pode ganhar?
    Vejo que o deputado em questão desenvolvel sua carreira politica baseado apenas em polêmicas e brigas. Analizando sua trajetória politica não encontramos nenhum trabalho relevante, nunca foi prefeito, senador , governador ou atuou de forma relevante na câmara. Cresceu, ganhou fama e o apelido de “Bolsomito” por declarações polêmicas e participações no super pop.
    Apesar dos problemas que o deputado tem é presciso abrir o olho para um outro problema. A possibilidade de “Trumps” na politica. Por exemplo um outro deputado tentar crescer, ganhar fama falando polêmicas causando brigas etc.
    A câmara não deveria ser lugar para essas coisas…

  • de DEUS nao se zomba , nao se brinca de se batizar , vai prestar contas a DEUS , se for comprovado vai perder milhoes de votos. Nao tenho nada contra ele , mas vou ficar muito atento .

  • Onde está a neutralidade deste artigo que eu não vi? Totalmente tendencioso. Nunca fui batizado e nem me considero pertencente a uma religião específica, mas o dia que eu visitar Israel, também quero ser batizado no rio Jordão. No mais, o Xadrez Verbal está de parabéns.

    • Neutralidade não existe, isso costuma ser outra maneira de dizer “não gostei do que li”.

      • Faz sentido, realmente não gostei do que li porque foi tendencioso. Você sabe o real motivo de ele ter ido a Israel? Aposto que sabe, você é um cara bem informado. Agora eu te pergunto, onde está o artigo com comentários de um especialista para analisar os principais objetivos da visita dele àquele país? Ainda não vi, mas o batismo, algo que muitos turistas aproveitam independentemente de religião, mereceu um artigo com teólogo e tudo. Eu não gostei do que li e você não gostou do que viu, estamos empatados.

        • Leonardo, se foi tendencioso, é uma interpretação sua. Não vi panfletarismo algum nas palavras do Alexander. Também não há empate algum, reste tranquilo. E o texto fala do exato objetivo da visita dele à Israel: relações públicas e imagem, já que a única ligação do deputado com as relações Brasil-Israel é ser suplente da CREDN, algo muito tênue, convenhamos.

          • Precisa só acertar que Everaldo o pastor foi candidato a presidente em 2014. Aí vc alinha a ida do Bolsonaro pro PSC e preparativos p 2018.

            A título de curiosidade anedótica, o pastor Caio Fábio disse que nos últimos anos tem evitado esse trecho do Rio Jordão por estar muito poluído.

          • Mas é muito óbvio que ele está se promovendo com tudo isso, ele é um político e está de olho em 2018, tem que estar em evidência. Mas criar um artigo para destacar um ato pessoal dele, dizer que é um ato possivelmente político e ignorar a busca de conhecimento e tecnologias em diversas áreas que podem ser implantadas no Brasil, se isso não é ser tendencioso, difícil saber o que é. Mas está ok, vou continuar com minha interpretação.

          • Aí que tá: relações entre dois países são regidas pelo Executivo, não pela Câmara dos Deputados. Ele foi a Israel como cidadão, não em missão oficial ou com algum poder executivo. Ele não tem como “implantar” nada, no momento, nessa viagem.

          • Concordo, mas o fato dele se preocupar em trazer algo que pode ajudar o Brasil, mais especificamente o Nordeste, já é digno de uma matéria bem escrita. Tenho certeza que as ideias que ele trouxer de lá serão usadas na sua campanha presidencial, em 2018. E acredite, ele vai conseguir muitos votos do povo daquela região com isso. Se você jogar no google “Bolsonaro em Israel” só aparecerá matérias falando do seu batismo, como este artigo. Qual a importância disso? Nenhuma.

  • Gustavo Concórdia

    O rio Jordão é emblemático pra qualquer vertente do cristianismo, muitos não perderiam a oportunidade de passar por um batismo ali ainda que simbólico, sem necessidade de conversão. Eu diria isso se fosse qualquer outra pessoa, nesse caso tem cunho político claro.

  • No momento em que nós, os cristãos, não refletimos as atitudes e o pensamentos de Jesus, nós apenas mudamos a religião; e a religião só serve para segregar,separar, controle social. Lucas 6:44 ” a árvore se conhece pelos frutos”, palavras ditas pelo próprio JC, ou seja, falar de religião e dar sermão qualquer um consegue, mas viver aquilo que prega é o que está faltando na maioria.

  • Batismo no Jordão é o souvenir de Israel pelo jeito. Não chama de batismo então, diz que vai dar um mergulho que fica melhor.

  • Concordo plenamente com você, mas, não se deve esquecer que caravanas e caravanas de católicos romanos – e quem sabe até de luteranos – aproveitam para se batizar no Jordão apenas como um ato que imita o batismo de Jesus. Acho que o do Bolsonaro não entra nesta questão pois foi batizado por um pentecostal, mas, já presenciei muitos católicos se batizando ali e que continuam católicos…

  • Só o tempo trará a verdade à tona!

  • O que os luteranos estão fazendo pelas almas perdidas, como o Bolsonaro? O que significa para essa igreja apagada o “IDE por todo mundo”. O que vocês têm a ver com a vida do Bolsonaro? Vão catar coquinho! Por que ninguém se propõe a discipular o sujeito? Quantos participantes deste post realmente foram “sepultados” no batismo? Olha crentaiada, vocês têm de começar a andar nos passos de Jesus ao navegar na internet.

  • Para que tanto mimimi o cara somente quiz ter um memento mistico com Deus..num lugar especial. Infelizmente os Teologos da Teologia da Libertacao so conseguen enxergar con os oculos do marxismo. Pensam roboticamente ideologicamente.( pastor Ideifle Teologo e Filosofo Umesp.).

    • Pior que um comentário que busca apenas atacar o autor, é um que o faz de forma errada: Alexander não é da Teologia da Libertação.

    • Que topeirice, atacar o Alexandre p q ele escreveu um texto, sendo que pediram para o cara fazer uma análise sobre o caso. Pastor? Ideifle, menos…

    • Olá pastor,
      obrigado pela reação. Não sou da libertação não, sou pietista mesmo. Mas como gosto do debate político, as vezes o pessoal confunde denuncia de pecado com teologia da libertação…
      Vou responder pra ti o que já escrevi ali em cima:
      Bem poderíamos entender o batismo do Bolsonaro com um emocionalismo. Ele se emocionou ao ver o rio Jordão, talvez lhe dirigiram alguma palavra que provocou emoções mais fortes e ele se identificou com elas e resolveu tomar um banho no rio. Acredito que até uma pessoa totalmente avessa à religião faria isso, apenas pela experiência mística. Também você tem razão ao dizer que muitas igrejas incentivam o ato. Há aquelas que simplesmente não veem problema em repetir o batismo, mas isto se deve mais a uma suposta busca por zelo doutrinário e desconfiança de que o batismo anterior não tenha sido feito de modo “correto”, do que uma busca por algum efeito mágico ou místico no ato em si. Há também entre os que não aceitam a repetição do ato batismal meios para mesmo assim revivê-lo. Nas Igrejas Católica e Protestante é possível fazer um ato de rememoração do batismo, e creio que é exatamente isto que ocorre quando católicos, que viajam em grupos dirigidos por ministros católicos, se banham no rio. Revivem seu batismo. Há uma diferença sutil na liturgia, onde a maioria nem percebe e acredita se tratar de um batismo, sendo na realidade um rito de rememoração. No caso de Bolsonaro é liturgicamente um batismo. Pra concluir, pode ser que ele só se emocionou mesmo, mas pode ser que ele aproveitou a “emoção” do momento e resolveu compartilhar na rede, talvez com outras intenções, pq não?

  • Veronica Christina Rodrigues Dutra

    Resumo dos fatos: Defensores do Bolsonaro justificando sua atuação totalmente politica para conquistar adeptos do protestantismo e possíveis eleitores em 2018, entretanto atacam Doutores de forma irrelevante como a atitude desse cidadão (Bolsonaro) fosse permeada de boas intenções. Filhos estamos em um jogo do poder e as armas são usadas como tal. Não desmerecendo membros de nenhuma religião, mas por falta de conhecimento e de uma vida mais participativa nos governos muitos indivíduos “vendem” seus votos simplesmente pq determinado candidato compartilha da mesma fé. E, parem! Falar que o Bolsonaro age pensando no Brasil é no mínimo injúria, ouso dizer que suas atitudes são todas premeditadas. Pronto falei! Venham apedrejar!

  • Parabéns pela lucidez deste post Alexandre, muito didático e teológico. Nem parecia que você é luterano. Só esqueceu de fato, que muitos pensaram que era um batismo judeu, mas isso foi comprovado a você que não é verdade.

  • Blz sabemos que ele é católico agora sabemos se ele já tinha sido batizado na igreja católica? Esse é o ponto Drr Sabidao, lie seu texto inteiro e não vi vc falando que ele já tinha sido batizado na igreja católica na verdade quase niguem sabe, eu nunca vi essa informação a respeito do batismo dele ,e creio que vc tbem não viu.

    • Juno,
      não sei se você tem algum conhecimento da teologia católica, mas para alguém se dizer católico ele tem que ter sido batizado e isto via de regra acontece já na infância. Considerando que o Brasil é um país majoritariamente católico é bem natural que papai e mamãe Bolsonaro levaram seu Bolsonarinho ao padre para batiza-lo com alguns dias ou meses de vida. Logo, ele é um católico. Se praticante, já não sei…

  • Não concordo com essa prática de “batismo turístico”, que me parece ser o caso. Tenho visto muitos evangélicos, crentes de carteirinha, batizados a tempos, mas que ao fazerem uma viagem a Israel, acabam levados pela emoção a fazerem essa bobagem. Tá mais pra foto de lembrança do que testemunho de conversão. Acho que um mergulho normal no Jordão, seria mais proveitoso. Sobre o Bolsonaro em particular, prefiro aguardar alguma declaração dele. Enquanto isso, vejo como mais um ato de meninice, igual ao de tantos irmãos meus, que já batizados vão lá e fazem o mesmo.

    • Thani,
      replico a resposta que dei acima:
      sim, bem poderíamos entender o batismo do Bolsonaro com um emocionalismo. Ele se emocionou ao ver o rio Jordão, talvez lhe dirigiram alguma palavra que provocou emoções mais fortes e ele se identificou com elas e resolveu tomar um banho no rio. Acredito que até uma pessoa totalmente avessa à religião faria isso, apenas pela experiência mística. Também você tem razão ao dizer que muitas igrejas incentivam o ato. Há aquelas que simplesmente não veem problema em repetir o batismo, mas isto se deve mais a uma suposta busca por zelo doutrinário e desconfiança de que o batismo anterior não tenha sido feito de modo “correto”, do que uma busca por algum efeito mágico ou místico no ato em si. Há também entre os que não aceitam a repetição do ato batismal meios para mesmo assim revivê-lo. Nas Igrejas Católica e Protestante é possível fazer um ato de rememoração do batismo, e creio que é exatamente isto que ocorre quando católicos, que viajam em grupos dirigidos por ministros católicos, se banham no rio. Revivem seu batismo. Há uma diferença sutil na liturgia, onde a maioria nem percebe e acredita se tratar de um batismo, sendo na realidade um rito de rememoração. No caso de Bolsonaro é liturgicamente um batismo. Pra concluir, pode ser que ele só se emocionou mesmo, mas pode ser que ele aproveitou a “emoção” do momento e resolveu compartilhar na rede, talvez com outras intenções, pq não?

  • Se Bolsonaro fosse comuna alegaria que foi torturado através de afogamento e depois pediria indenização pro estado de Israel! Kkkkkkkkk

  • Por que não deixar de fazer propaganda gratuita a esse tipo de pessoa? Ele já tem muitos seguidores que não conseguem aceitar qualquer argumentação. Por que então deveríamos dar mais visibilidade a alguém assim? Qualquer pessoa com o mínimo de inteligência vê que o ato do batismo foi político. Uma forma de conquistar ainda mais a simpatia dos eleitores evangélicos. Quem não entende isso, não deve ter a menor vontade de ler um “textão” sobre a falta de legitimidade do batismo do deputado. Sinto muito, há pessoas que só enxergam o que querem.

    • Sim Elis,
      todos nós só enxergamos o que queremos, temos viés.
      Por isso sou o tipo de chato que insiste com o textão, pra mudar essa cultura que acrediq que não dá pra aprender com o outro e de que não dá pra construir no diálogo. Talvez os mais ferrenhos não mudem mesmo de posição. Mas não quero ser acusado, num futuro, de ter sido um “religioso” que se calou quando um politico usou a religião para legitimar seu discurso de intolerância.

    • “Qualquer pessoa com o mínimo de inteligência vê que o ato do batismo foi político.” … Ter inteligência para perceber isto não nos tira o direito de gostar dele ou nos tornam más pessoas.
      O brasileiro tem o lugar comum de condenar o ‘desejar algo’ que neste caso é o desejo dele se tornar presidente e assim o tornam uma má pessoa.

  • Muito boa reflexão. Com tudo, gostaria de destacar que quem vai à Israel e especialmente visita o rio Jordão, tem por prática ser batizado nele remontando o batismo de Jesus por João Batista. Não se trata de uma confissão de fé e sim uma tradição. Assim como quem vai a Minas e de lá não retorna sem comer o pão de queijo original. Se é portanto um erro ou ma heresia, eu não saberia avaliar. Mas que se tornou tradição esse “mergulho em forma de batismo no Jordão” sem duvida se tornou.

    • Rogério,
      replico minha resposta já dada acima:
      sim, bem poderíamos entender o batismo do Bolsonaro com um emocionalismo. Ele se emocionou ao ver o rio Jordão, talvez lhe dirigiram alguma palavra que provocou emoções mais fortes e ele se identificou com elas e resolveu tomar um banho no rio. Acredito que até uma pessoa totalmente avessa à religião faria isso, apenas pela experiência mística. Também você tem razão ao dizer que muitas igrejas incentivam o ato. Há aquelas que simplesmente não veem problema em repetir o batismo, mas isto se deve mais a uma suposta busca por zelo doutrinário e desconfiança de que o batismo anterior não tenha sido feito de modo “correto”, do que uma busca por algum efeito mágico ou místico no ato em si. Há também entre os que não aceitam a repetição do ato batismal meios para mesmo assim revivê-lo. Nas Igrejas Católica e Protestante é possível fazer um ato de rememoração do batismo, e creio que é exatamente isto que ocorre quando católicos, que viajam em grupos dirigidos por ministros católicos, se banham no rio. Revivem seu batismo. Há uma diferença sutil na liturgia, onde a maioria nem percebe e acredita se tratar de um batismo, sendo na realidade um rito de rememoração. No caso de Bolsonaro é liturgicamente um batismo. Pra concluir, pode ser que ele só se emocionou mesmo, mas pode ser que ele aproveitou a “emoção” do momento e resolveu compartilhar na rede, talvez com outras intenções, pq não?

  • Eu acredito que ele futuramente diga que a cerimônia no Rio Jordão foi uma benção e não um batizado, deixando assim claro que é católico mas que tem as bençãos da Igreja Assembléia de Deus. Desta maneira ele não compromete sua fé católica e não desagrada os fieis protestantes.

    • Gilberto,
      Os católicos não vão querer se complicar com a questão. Consultei um padre e ele levou a questão a alguns outros teólogos católicos. Nenhum deles exigiria mais do que a oração de um Credo Apostolico na Missa sem maiores explicações aos presentes. No fundo, ninguém se importa com o Bolsonaro e ninguém quer se meter na treta dele.
      abraço

  • Neiva Lidyane Gomes

    Parabéns! Maravilhoso seu post!

  • estantedowilson2014

    Confesso que o batismo do Deputado Federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) era uma brincadeira que circulava por aí. Nem me dei conta quando vi essa imagem que fosse verdadeiro. Acreditei de fato quando li esse post que por sinal está muito esclarecedor. Em relação ao batismo e a conduta do Bolsonaro espero que haja mudanças, afinal, alguns depoimentos dele não são condizentes. Aliás não está muito fácil emitir qualquer opinião sobre políticos brasileiros. O show de horror que temos visto nos últimos tempos é evidente. O ódio é o motor de muitas discussões e as discussões pautadas por argumentos sólidos não existem mais. Fico preocupado também, sobre os evangélicos estar atuantes na política e me pergunto sempre: Vou conseguir separar o líder religioso do político? Tudo está uma bagunça sem precedentes. A pergunta que vale 1 milhão: Por que ele se batizou se afirma, segundo o texto, ser católico? Tempos de muita confusão.

    Abraços.

    Wilson Brancaglioni
    http://www.estantedowilson.com.br

  • Pingback: 1979: O Ano Que Não Terminou. - ARCADAS | Um jornal independente

  • Uma coisa que eu noto em todas as matérias referentes ao Bolsonaro é essa postura ofensiva de seus seguidores em relação a qualquer possível crítica feita a ele. As pessoas que o seguem tendem a defendê-lo cegamente e se exaltam facilmente quando ele é criticado. Fico pensando, como uma figura que atrai esse tipo de seguidor poderá se tornar um líder político? Não deveria ser a política baseada principalmente no diálogo? O que esperar de um regime que se apóia numa base destas? Toda nação é formada de pessoas com diferentes visões de mundo, como conciliar um regime democrático com a linha de pensamento dos seguidores desse senhor?

  • Pessoal. É certo que o batismo é um sacramento que deve ser feito dentro dos padrões já instituídos e para a finalidade pela qual ele existe. Mas vamos lá… Quando vi a imagem do Jair se Batizando, logo entendi como simples e puro sentimentalismo que muitos que vão na “terra santa” sentem. Não vi como algo serio, e isso esta na cara. Mas dai maldar o ato dele, como se fosse com intenções politicas e tal.. Para vai!

  • Deixe que o tempo mostre a verdade! Aliás, denegrir a imagem de uma pessoa com especulações que os fatos não permitem ao menos decorrer, é feio! Você não tem fato o suficiente para montar uma análise que mostre uma mal intenção dele. Desculpa, são puras especulações e que não vejo base cristã para especular como esta fazendo! Tratar a questão da banalização do batismo, usando o ato, até que vai, mas comentar isso aqui…”Pra concluir, pode ser que ele só se emocionou mesmo, mas pode ser que ele aproveitou a “emoção” do momento e resolveu compartilhar na rede, talvez com outras intenções, pq não?” ou “Mas não quero ser acusado, num futuro, de ter sido um “religioso” que se calou quando um politico usou a religião para legitimar seu discurso de intolerância”. Isso sim é um artigo cristão http://oagrestepresbiteriano.blogspot.com.br/2016/05/jair-bolsonaro-e-batizado-no-rio-jordao.html

  • Atitude política obviamente, políticagem e teatro. A direita neo liberal, que de liberal não tem nada, é isso, teatro pra fascistas e maus resolvidos psicologicamente acreditar, em boa moral e bons costumes e aqueles velhos papos de gente sádica, conservadora e infeliz. Coerência existe, um fascista delirante, sádico se unir a uma instituição que no caso, Assembleia de Deus, uma seita fundada por neo nazistas americanos, para enganar pobres e humildes, ate chegar no Brasil pra lavar dinheiro e explorar mais gente, tem tudo a ver.

  • Bolsonaro Foi batizado Católico,mas em 2005,deu seu sim a uma lei que é considerada pela igreja católica,como abortista. Câmara dos Deputados em relação ao destaque do artigo 5 do Projeto de Lei de Biossegurança (no. 2401/03). Aqueles que votaram sim, votaram pela destruição de uma vida inocente, contra a orientação da Igreja Católica e incorrerão automaticamente na pena de excomunhão logo depois que o primeiro embrião humano for morto (CIC – Can. 1398 cc Can 1329 parágrafo 2). Ele já estava nessa grave ofensa,mas no programa da Mariana Godoy,rede TV,entrevista com Bolsonaro,ele firmou mais uma vez essa veia anticatólica e cristã,pois afirma ser favorável ao planejamento familiar e dá o motivo para isso:por o “Brasil estar crescendo 2000.000!” Genocídio.


    • 2000.000,de pessoas ao ano’

      • Sou Católico.Muitas coisa que falam do Bolsonaro é besteiras,votaria nele…mas ele mesmo com sei trejeito populista,perdeu seu voto! Não posso votar nele por várias situações que ele sabendo,concordou: Foi contra a Igreja Católica,(CIC – Can. 1398 cc Can 1329 parágrafo 2),se expos em perigo de apostasia…indicando ocorrido em fatos e fotos,firmou mais de uma vez sua conduta aborteira, e logo…contra a vida!

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