Xadrez Dominical – Massacre das mulheres de Montreal

Caros leitores, tempos curiosos os nossos. Em meio a diversos episódios de machismo e violência de gênero, alguns de ampla repercussão, outros em círculos mais restritos, temos o aniversário de 25 anos do Massacre da Escola Politécnica de Montreal. Vinte e cinco anos atrás, um maníaco perturbado que culpava as mulheres “e o feminismo” por seus problemas decidiu entrar no referido instituto de ensino. Separou mulheres dos homens, mandou os homens embora e começou a atirar nas mulheres que via pela frente, matando catorze mulheres, outras dez mulheres feridas e quatro homens. Menos de vinte minutos depois, se matou. Desde 1991, o Canadá celebra, todo dia Seis de Dezembro, o Dia Nacional de Lembrança e Ação sobre a violência contra a mulher, o tema do Xadrez Dominical de hoje.

Placa que faz parte do memorial da Escola Politécnica de Montreal, com os nomes das mulheres vítimas.

Placa que faz parte do memorial da Escola Politécnica de Montreal, com os nomes das mulheres vítimas.

Antes das dicas culturais que são o cerne dos posts de Xadrez Dominical, deve-se perguntar: um quarto de século depois, a situação mudou tanto? Seja no Canadá, seja no Brasil, seja no mundo. Pode-se dizer que não tivemos no Brasil um caso de um maníaco que cometa um feminicídio em massa, como foi o Massacre de Montreal. E a violência cotidiana? O número de mortes por violência doméstica ou por “ciúmes”, que na maioria das vezes é a diminuição da mulher ao papel de mera propriedade do homem, que pode dispor dessa propriedade como quiser, incluindo direito ao viver? Ameaças, a violência verbal, que gera traumas tanto quanto a violência física? A polêmica vazia que condena o feminismo, pois seria um “machismo invertido”, ou seja, a vítima deve permanecer em papel de vítima e pronto. Todas essas posturas que não podem ser toleradas, mesmo correndo o risco do rótulo de “punitivismo”.

Depois dessa breve reflexão (cujas respostas são claras), vamos às dicas. A primeira é o filme Polytechnique, de 2009, dirigido por Denis Villeneuve. O filme gerou muita discussão por, primeiro, retratar a violência de forma direta e também por omitir a identidade do misógino que assassinou catorze mulheres e se matou. Isso seria para evitar que seu ato ganhasse destaque, virando até um eventual símbolo para seres com ideias, e planos, semelhantemente desprezíveis. O filme ganhou praticamente todos os Genie de 2010, o principal prêmio do cinema canadense.

Trailer

A segunda é a reportagem-documentário Legacy of Pain (Legado da Dor), produzido pela CBC, a televisão estatal do Canadá, inspirada na BBC. Um detalhe trágico cerca a produção, feita em lembrança de dez anos do massacre. Em sua nota de suicídio, o atirador, além de culpar o “feminismo” (por, por exemplo, mulheres ocuparem cargos de trabalho que deveriam ser dos homens desempregados como ele. Daí ter escolhido massacrar estudantes femininas de engenharia…), listou algumas mulheres que acabaram com sua vida e deveriam morrer. Uma delas era uma jornalista, chamada Francine Pelletier. Dez anos depois, Pelletier era a apresentadora do programa Fifth State, responsável pela reportagem.

Na íntegra, em inglês

A terceira dica é uma entrevista, chamada Faith in the midst of the Montreal Massacre (Fé em meio ao Massacre de Montreal), com Monique Lepine. Afinal, quem mais poderia discutir o ódio contra as mulheres e o machismo do atirador além de sua própria mãe?

Primeira parte de duas, em inglês

A quarta dica é uma compilação de matérias jornalísticas, novamente da CBC. Em seu arquivo digital, a emissora preserva diversas matérias relativas ao acontecimento, como entrevistas com vítimas e a subsequente onda de medo que tomou conta do Canadá e resultou em regulações armamentistas mais fortes.

A quinta e última dica é uma música. Give us back the night (Devolva-nos a noite), da dupla feminina canadense de música folk Open Mind, escrita em 1990 em tributo às vítimas do massacre.

Além das habituais cinco dicas, vamos à também habitual menção. No dia Sete de Dezembro de 1999, quinze anos atrás, iniciou-se o processo judicial, nos EUA, que seria um divisor de águas na internet e em como lidar com direitos intelectuais e compartilhamento de dados. Foi quando a Associação da Indústria Fonográfica da América processou o serviço de compartilhamento de arquivos Napster. A batalha judicial e suas consequências são tema do documentário Downloaded.

Trailer

Gostaram, não gostaram, mais dicas? Comentem a vontade!

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