Uma breve reflexão sobre Brasil, Copa e eleições

Caro leitor, este breve texto é decorrente de alguns comentários em meu perfil pessoal no Facebook. Por isso, ao contrário do habitual, ele será em primeira pessoa. O tema do texto, como o título deixa claro, é o chocolate sofrido pela seleção brasileira de futebol, na tarde de hoje, para a Alemanha, na Copa do Mundo de 2014. Eu falo de futebol, de basquete, de judô, em meu perfil do Facebook, o ano inteiro. Sou apaixonado por esporte, assim como boa parte dos meus bons amigos, e me sinto a vontade para discutir o esporte e seu papel.

Hoje, ainda com meia hora de jogo para correr (embora a derrota estivesse sacramentada) e já se via um monte de gente ironizando sobre “Copa das Copas”, falando que a derrota é boa por que aí a Dilma (ou outros termos…) vai perder, como se as coisas estivessem ligadas de forma visceral, a Copa e as eleições. Pessoas que, até ontem, celebravam, falavam e postavam frequentemente coisas como o chavão “brasileiro com muito orgulho e com muito amor”. Até ontem pareciam os maiores torcedores do país, e hoje chamam o futebol de “pão e circo”.

Primeiro, a Copa mostra uma relação de amor e ódio do brasileiro com os aspectos nacionais. Os xingamentos à Dilma, tratados nesse vídeo, são um exemplo disso. A diferença de posturas das torcidas também. Uma coisa bem clara, pra mim, é que o Brasil só joga de fato em casa no Norte e no Nordeste. Jogou duas vezes no Mineirão e, somando, não teve a torcida que teve em Fortaleza, por exemplo. Não se trata de desmerecer o cidadão mineiro, ou o paulista, ou o carioca, apenas constatar os comportamentos diferentes, mesmo sendo dentro do mesmo país e no mesmo evento.

Como tratei nesse outro vídeo, é impossível fazer uma constatação eleitoral com as Copas do Mundo. Em 1998 houve um grande trauma nacional, na Copa da França, e Fernando Henrique Cardoso se reelegeu. Depois, em 2002, o Brasil venceu, mas FHC não elegeu seu sucessor. Essa foi a última Copa do Mundo vencida pelo Brasil, e nas eleições seguintes, houve vitória da situação, com Lula e Dilma.

Quem faz uma ligação eleitoral com o esporte, quem se deixa levar por isso, quem é conduzido pelo jogo midiático são vocês, que agem assim, da maneira referida no segundo parágrafo. Criticam a Copa, mas são levados pela catarse, colocam bandeiras nos carros, estouram fogos nas áreas residenciais nobres das cidades. Adoram imputar essa manipulação aos outros, especialmente aos beneficiários do Bolsa-Família, mas os manipulados são os supostamente esclarecidos de Facebook, que mudam sua postura em questão de cinco gols.

Essa reflexão merece ser mais aprofundada, mas, no momento, isso precisa ser dito.

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Uma edição posterior. Adiciono essa foto, que explicita bem parte do tratado aqui. Talvez mais que as palavras.

foto

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8 Comentários

  • Boa reflexão Filipe com i =D
    Muito triste essa imagem do povo queimando a bandeira.
    O Brasileiro ainda não sabe o que é patriotismo. É incrível de como o humor do povo brasileiro oscila em torno da questão futebol. Ganha= Amor. Perde=Ódio. Essa bipolaridade do brasileiro faz com que aconteça essas cenas tristes, e o brasileiro que é apenas brasileiro em tempos de Copa do Mundo é lamentável.

  • Flavio Nascimento Barreto

    Isso é um crime contra o País. Mas alguém da foto irá ser preso? Não. Pergunta para alguém na rua se ele sabe o que é comemorado hoje, dia 09/07? Poucos saberão. Em tempo: hoje se comemora a Revolução Constitucionalista de 1932, onde milhares de paulistas lutaram contra o governo de Getúlio Vargas.

  • Pobre de um pais onde tudo vira politica.Em 1970 torciamos contra o Brasil pois a esquerda dizia que a vitória favoreceria a Ditadura.Hoje acham que favoreceria o governo.Governo deveria se preocupar em governar e o povo saber que o futebol é um esporte e não a Pátria..Perder ou ganhar faz parte do esporte.

  • Concordo com tudo que foi dito, mas o fato é que quem estava contabilizando a campanha da Seleção Brasileira politicamente era a própria presidentA… a frase “Copa das Copas”, o ataque aos “pessimistas” e as falas ufanistas com a sua gestão política pela Copa ao final de cada vitória partiu sempre dela e de seus asseclas. Hoje, é claro, ninguém vai querer vincular uma ação política com uma derrota tão feia… só que agora é tarde, quem politizou as vitórias deve arcar com o ônus de uma derrota politizada (e QUE derrota)!!!

    • Uma coisa é politizar a execução da Copa, sua preparação, seus estádios, as obras atreladas, o turismo em torno, etc. Outra bem diferente é politizar o resultado obtido em campo. O ataque aos “pessimistas” que você se refere, por exemplo, é um ataque contra aqueles que diziam que não iria ter copa por conta das estruturas extra-campo, por falta de segurança, aeroportos, água, apagão, etc. Parece-me, Eduardo, que você está misturando as coisas.

    • Falou tudo o q eu pensava e penso sobre isso

  • Pingback: Resumo da semana – 07/07 a 13/07 | Xadrez Verbal

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