Xadrez Dominical – Haiti

Caros leitores,

Desculpem pela semana sem textos. Esse começo de ano tem sido mais complicado que eu imaginava. De qualquer forma, vamos ao Xadrez Dominical de hoje. Na última Quarta-Feira, dia Cinco de Fevereiro, fez dez anos do processo que levou à derrubada de Jean-Bertrand Aristide da presidência do Haiti. O golpe, até hoje controverso e, em diversos aspectos, mal explicado iniciou um período de reestruturação no país. A crise foi agravada com o grande terremoto de 2010, uma das maiores tragédias humanitárias do século XXI. Esse período de dez anos recebeu bastante destaque na mídia brasileira, devido ao papel do país no Haiti, liderando a MINUSTAH (a força de paz das Nações Unidas para o Haiti), dentre outros aspectos; por isso, e por conta da data, o Xadrez Dominical de hoje é sobre o Haiti.

haiti11Filmes. O filme mais conhecido que trata sobre o Haiti é Os Farsantes, de 1967, com Richard Burton, Elizabeth Taylor e Alec Guinness, que se passa durante a ditadura de François Duvalier, conhecido como Papa Doc.

Toussaint Louverture, líder da independência do Haiti, o primeiro movimento de independência liderado por negros nas Américas, é tema de diversos filmes menos conhecidos, peças de teatro e uma premiada série de televisão francesa (apenas no idioma original), mas ainda não tem uma cinebiografia do tamanho de sua importância histórica. Finalmente, cito dois diretores conhecidos que são haitianos, embora baseados na América do Norte, após a primeira Diáspora Haitiana (um grande fluxo de imigrantes do país, especialmente para a região francófona de Quebec, no Canadá): Arnold Antonin e Raoul Peck.

Documentários. Se preparem, pois a lista será grande, e eu recomendo todos. Papa Doc: The Black Sheep, episódio da série britânica de documentários Whickers World, com entrevistas com o próprio Papa Doc; o curioso filme produzido pela CIA, como propaganda interna, sobre a ditadura de Papa Doc, que era financiado pelos EUA com o intuito de “impedir o comunismo” no país, vizinho de Cuba; Aristide and the Endless Revolution, que eu recomendo bastante, mas, infelizmente, não encontrei com legendas em português; o premiado Divine Horsemen: The Living Gods of Haiti, sobre a cultura vodu do país; Haiti: Temos Que Matar Os Bandidos, documentário crítico à presença das tropas da ONU do país, e com cenas de violência crua (fica o aviso).

Haiti, a Safra da Esperança, com legendas em português, sobre as possibilidades de reconstrução do país.

E, após o terremoto de 2010, a Folha de S. Paulo produziu um webdocumentário interativo sobre as operações de resgate, chamado Resgate no Haiti, e a ESPN Brasil produziu, sob a coordenação do genial Lúcio de Castro, Haiti, o país dos Rest Avec, sobre a miséria da população, em contraste com o volume de investimento supostamente feito no país.

Livros. A vencedora do Pulitzer Rita Dove escreveu o poema Parsley, sobre o massacre de haitianos por parte do governo da República Dominicana, que recebe o mesmo nome. O romance A Ilha sob o Mar, de Isabel Allende, editado no Brasil pela Bertrand Brasil, se passa durante a Revolução Haitiana. Finalmente, dois livros sobre as perspectivas de brasileiros no Haiti: Haiti, depois do Inferno – Memórias de um Repórter, de Rodrigo Alvarez, repórter que cobriu o terremoto de 2010, e Um Soldado Brasileiro no Haiti, relato de um ex-membro da MINUSTAH.

Autores haitianos? A premiada Edwidge Danticat, que tem publicada no Brasil sua autobiografia, intitulada Adeus, Haiti, editada pela Ediouro.

Música. No contexto do terremoto de 2010, a banda Radiohead fez um show “intimista”, com ingressos leiloados, que arrecadou cerca de meio milhão de libras; você pode assistir o show na íntegra aqui. No mesmo contexto, foi lançada uma coletânea de versões da música do R.E.M. Everybody Hurts, com os lucros revertidos para o país. O conhecido músico e grande guitarrista Carlos Santana tem uma peça instrumental com o nome de Toussaint L’Overture e, aqui no Brasil, temos a conhecida Haiti, de Caetano Veloso, em que ele traça alguns paralelos sobre a situação brasileira, especialmente racial, e a miséria do Haiti.

O estilo de música “genuinamente” haitiano é o compas, muitas vezes cantado em creole, a língua nativa, junto com o francês. O compas é uma mistura de reggae com batidas e alguns elementos eletrônicos. O hip hop também é muito popular no país, e os dois músicos haitianos contemporâneos mais conhecidos são do estilo: Jimmy O, que morreu no terremoto de 2010 e Wyclef Jean, vencedor de três Grammy, fundador do lendário grupo Fugees, ator e futuro candidato à presidência do país (é sério). Um de seus álbuns é Toussaint St. Jean (From The Hut, To The Projects, To The Mansion), uma história de um “Toussaint Louverture contemporâneo”

Gostaram? Não gostaram? Mais dicas? Comente.

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