Xadrez Dominical (22) – Escravidão e racismo no Brasil

Caros leitores,

Como não poderia deixar de ser, vide os textos da semana, o tema do Xadrez Dominical de hoje é racismo e escravidão no Brasil. Como a discussão envolvia alguns aspectos que são mais, ou tanto quanto, presentes na cultura estrangeira, e o exemplo do texto era a Rihanna, pensava originalmente em fazer um Xadrez Dominical mais amplo; porém, pela abundância de dicas nacionais, decidi fazer um post exclusivo sobre o Brasil e, num futuro próximo, um outro Xadrez Dominical sobre escravidão e racismo em outras culturas.  Deixo claro que o post trata dos africanos e seus descendentes.

Começando pelos filmes Quilombo, de 1984, dirigido por Carlos Diegues, com Zózimo Bulbul e Milton Gonçalves, um dos atores mais injustiçados do Brasil. O filme fortalece o mito de Zumbi de Palmares e pode ser assistido na íntegra.

Besouro, de 2009, trata do capoeirista conhecido pelo título do filme. A história se passa na Bahia no início do século 20, pouco tempo após a abolição da escravidão e o início da luta pelos direitos civis e culturais dos negros. Finalmente, Xica da Silva, o original de 1976, também dirigido por Diegues e que conta com Zezé Motta no papel principal, da escrava que se torna aristocrata. Você pode assistir ao filme na íntegra aqui neste link.

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DocumentáriosQuanto Vale Ou É Por Quilo?, de 2005, faz uma comparação entre o Brasil escravagista e o Brasil contemporâneo, tendo como base o conto Pai contra Mãe, de Machado de Assis (que será tratado mais adiante). No parágrafo anterior, afirmei que Milton Gonçalves era dos atores mais injustiçados do Brasil; para ver mais sobre isso, recomendo bastante A Negação do Brasil, de 2000, que fala de como os atores negros são relegados ao segundo plano e a papéis estereotipados.  Vista minha Pele, produzido com apoio da Unesco, é um documentário curta-metragem  que usa do sarcasmo para falar sobre racismo, invertendo os papéis históricos de negros e de brancos na sociedade brasileira.

Open Arms Closed Doors (Braços Abertos Portas Fechadas) é um documentário produzido no Brasil, mas uma produção estrangeira. Conta a vida de um angolano, negro, imigrante, que mora em uma favela carioca e sofre preconceito por ser africano, inclusive preconceito vindo de outros negros. É uma situação complexa, e vale a olhada. Finalmente, Abolição, dirigido por Zózimo Bulbul, é um documentário longa metragem que fala da cidadania negra no Brasil.

Música. O estilo musical que melhor, e com mais frequência, aborda o tema é, sem dúvida, o rap nacional; mas o blogueiro não é nenhum perito no estilo, então, colaborem nos comentários. Uma música mais recente é Todo Camburão Tem Um Pouco De Navio Negreiro, d´O Rappa. Sobre a escravidão contemporânea, sugiro Expresso da Escravidão, dos Ratos de Porão. E dois clássicos de Milton Nascimento, um dos maiores cantores do Brasil: Os escravos de Jó, gravada de forma quase instrumental, com linhas vocais dramáticas, já que teve sua letra censurada, e Caxangá, cantada por Elis Regina, que se trata de Escravos de Jó com a letra censurada resgatada.

Livros.  Preto no Branco, de Thomas Skidmore, é um clássico sobre o tema, o livro que primeiro desconstruiu a ideia de “democracia racial” e afirma que o racismo brasileiro é velado e inconsciente, mas poderoso. Negro no futebol brasileiro trata do racismo na primeira metade do século 20, uma obra seminal tanto sobre raça e sobre futebol, escrita por Mário Filho, cujo nome batiza o Maracanã. Quando posso, dou dicas de livros de bolso, que podem ser lidos pelo publico leigo, sem comprometer sua rotina (dá pra ler no ônibus, por exemplo). Sobre o tema, recomendo dois. Negros e política (1888-1937), da ótima coleção Descobrindo o Brasil, da Jorge Zahar, e Racismo no Brasil, da historiadora Lilia Moritz Schwarcz, da coleção Folha Explica. Finalmente, O Negro e a Violência do Branco, do sociólogo, professor universitário e jornalista, e meu tio-avô, Ariosvaldo Figueiredo.

Literatura. Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães, é um manifesto abolicionista usando a ironia de uma escrava branca. Dentre os abolicionistas, talvez o principal nome seja Castro Alves, autor de, por exemplo, o poema Navio Negreiro, que rendeu diversas adaptações para teatro, televisão e música, como nesta versão de Caetano Veloso. Mas, sem dúvida, o principal autor para ler sobre o tema é Machado de Assis; além de ser o maior autor brasileiro, Machado, negro, trata da escravidão justamente com o seu tom de ironia e sua perspectiva pessoal de alguém que era alvo do referido preconceito implícito que foi tema dos posts da semana, como a dissimulação e a falsa camaradagem na relação senhor e escravo. No caso de Machado de Assis, não vou recomendar um livro específico. Leiam tudo.

Gostou? Não gostou? Tem mais dicas? Comente!

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