Assembleia Geral da ONU – Dilma

Caros leitores,

Dando sequencia ao post anterior sobre a Assembleia Geral da ONU, escrevo agora sobre a abertura feita pela Presidenta Dilma Roussef. Espero, de noite, escrever um apanhado geral sobre outros discursos, especialmente o de Obama (três posts no mesmo dia? Poxa, parece até que tenho leitores!).

Dilma Roussef, hoje, na Assembleia Geral da ONU Foto: Timothy Clary/AFP

Dilma Roussef, hoje, na Assembleia Geral da ONU
Foto: Timothy Clary/AFP

Como sempre, primeiro, priorizar a informação, para o leitor poder formular suas próprias ideias. Caso queira assistir o discurso de Dilma, o vídeo está abaixo; caso prefira ler o discurso, também na íntegra, pode ler a transcrição no Blog do Planalto.

Breve análise do discurso, com comentários do blogueiro e para o leitor que não teve paciência de ler, ou assistir, tudo. Na introdução, normalmente apenas formal, Dilma fez uma declaração de apoio regional, em relação ao Presidente da sessão, John Ashe, de Antígua e Barbuda, e também expressou repúdio ao ocorrido no Quênia, oferecendo suas condolências ao país e aos familiares.

Quase toda a primeira metade do discurso de Dilma foi sobre o caso de espionagem e privacidade na internet. Dentre comentários sobre eventuais medidas para proteção nacional, Dilma afirmou categoricamente que o ocorrido requer uma resposta da comunidade internacional, colocou que a participação de empresas privadas nos episódios de espionagem é ainda pior (ou seja, uma reflexão realista, que aceita a realidade espionagem inter-estatais) e citou diretamente a responsabilidade dos EUA no caso, não ficou em indiretas ou acusações abstratas, o que, para o blogueiro, é digno de nota, já que insinuações normalmente são comuns nesse tipo de evento.

Sobre o tema, Dilma encerrou com a sugestão de alguns pontos de um “marco civil multilateral para a governança e uso da internet”; uma sugestão muito válida, mas cujos cinco pontos (você pode checar nos links acima) ainda são um pouco abstratos; mas, claro, ali não era o momento de aprofundar tal discussão. Dilma aproveitou o tema da sessão, a agenda pós-2015, para destacar alguns aspectos de política interna, como a redução da mortalidade infantil, respaldando suas afirmações com dados da própria ONU, para evitar que tal discurso seja chamado de vazio; alguns outros aspectos foram claramente retóricos, como a citação dos cinco pactos, os quais alguns ainda estão parados, ou em exame no Legislativo.

Nesse trecho sobre a agenda pós-2015, Dilma fez duas observações muito sagazes, em minha opinião, e que imagino que passarão “batido” em boa parte dos veículos de mídia. A primeira foi alinhar a nova agenda com a Rio+20, ou seja, colocou o Brasil como já um formulador desta nova agenda (e lembro que o relator da Rio+20 foi o atual chanceler, Luiz Figueiredo). A segunda foi atribuir parte da situação econômica do país à “políticas macroeconômicas sólidas”, uma alfinetada no liberalismo que gerou a crise, em 2008. Finalmente, Dilma afirma que é vital para a realização da nova agenda um Conselho de Segurança reformado, que seja reflexo das novas dinâmicas mundiais, velho interesse nacional.

Ao encerrar, Dilma comentou o conflito na Síria, condenando uma eventual ação militar “ao arrepio do Direito Internacional” e transcrevo: “É preciso impedir a morte de inocentes, crianças, homens, mulheres e idosos. É preciso calar a voz das armas –convencionais ou químicas, do governo ou dos rebeldes. Não há saída militar. A única solução é a negociação, o diálogo, o entendimento.”. Ao encerrar, lembra que o multilateralismo foi o único elemento que garantiu a paz nos últimos anos. Todos esses recados muito claros e diretos, refletindo sentimento da comunidade internacional, assim como interesse nacional, seja doméstico, originado na grande comunidade sírio-libanesa no Brasil, seja internacional, vide os BRICS.

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