Xadrez Dominical (14) – Chile

Caros leitores

Escolher o tema de hoje foi difícil, já que os posts da semana não eram necessariamente de uma única temática. No dia 18 de Setembro foram celebradas as Fiestas Patrias no Chile, lembrando do início da independência em 1810. Mesmo não sendo uma data “redonda”, afinal, 203 anos, decidi que o tema será este país que tenho muito desejo de visitar e muito respeito por sua História (quem disse que os seminários da faculdade não adicionam alguma coisa?), o Chile.

O Chile é um país que experimenta grande popularidade no Brasil, destino de viagens, um suposto paraíso liberal, terem o maior IDH da América Latina, etc.; mas todos esses fatores estão ligados à sua História como um dos países com mais tradição democrática da América Latina. Inclusive, esse é um dos motivos da ditadura de Augusto Pinochet ser um grande marco de divisão na sociedade chilena, já que, além de sanguinária e, obviamente, autoritária, ela é uma mancha de exceção na História nacional.

Tal marco é tão forte que os três filmes que indicarei aqui tem conexões, diretas ou indiretas, com o regime de Pinochet. Um filme que ainda não vi, preciso ver, é quase uma vergonha admitir que estou defasado, é o muitíssimo elogiado No, com Gael García Bernal, sobre o referendo de 1988 que terminou com o governo do general e deu um golpe final em sua imagem pública. Um clássico sobre o período é Desaparecido, dirigido por Costa Gravas e com Jack Lemmon, indicado ao Oscar no papel principal, sobre o desaparecimento de um jornalista dos EUA durante o golpe de 1973. Indicado a quatro Oscars, inclusive Melhor Filme, ganhou um. Finalmente, um filme mais leve, romântico e com comédia, mas nem por isso sem força: o belíssimo filme italiano O Carteiro e o Poeta é uma história de ficção sobre o período em que o poeta chileno Pablo Neruda ficou exilado na Itália, em que um carteiro pede ajuda à Neruda para conquistar a mulher pela qual é apaixonado, vivida pela belíssima Maria Grazia Cucinotta, que chegou a ser chamada de a “nova Sophia Loren”.

Falando em Pablo Neruda, ele talvez seja o chileno mais famoso fora da política. Ganhador do Nobel de Literatura em 1971, diplomata e comunista, seus livros são muito editados aqui no Brasil e são fáceis de achar, inclusive em edições de bolso de baixo custo. Infelizmente, suas memórias estão como esgotadas na editora; numa nota pessoal, o título de suas memórias serviu de, digamos, “inspiração” para o título das memórias de meu tio-avô, o escritor, engenheiro e professor universitário Ariosvaldo Figueiredo

Mas não pense o leitor que Neruda é o único Nobel de Literatura do Chile. Gabriela Mistral, a única mulher latino-americana a receber um Nobel, em 1954. Infelizmente, o blogueiro é ignorante sobre sua obra, mas, caso conheça ou queira recomendar, o espaço de comentários está aí pra isso. Finalmente, um livro sobre política não poderia faltar: A Revolução Chilena, da coleção sobre revoluções da Editora Unesp, é a minha dica. Bem abrangente e com muitas indicações de fontes e leituras mais aprofundadas.

A imagem da capa do livro, para quem não tenha aberto o link, é a famosa foto do Palácio de la Moneda sendo bombardeado pelos militares golpistas em 1973, fato que levaria ao suicídio de Allende. Sobre esse evento, não há outra dica que não o premiado e conceituado A Batalha do Chile. Resultado do trabalho de seis anos, é divido em três partes, cada uma com cerca de noventa minutos; ou seja, assista um capítulos por vez. A parte um está aqui; a parte dois, El golpe de estado, está aqui; finalmente, a terceira parte, El poder popular, está aqui. Todos os vídeos na íntegra e legendados, só clicar e assistir!

Outro documentário muito bom, que recomendo bastante, sobre o tema é o capítulo sobre o Chile da série Memórias do Chumbo- O Futebol nos Tempos do Condor, do excelente jornalista e historiador brasileiro Lúcio de Castro, que mostra o uso do futebol como arma política, da resistência política pelo esporte e da transformação do Estádio Nacional em centro de tortura.

Música. A única referência musical que tenho do Chile é a banda Los Prisioneros, que fazia letras carregadas de tons políticos…

…e também, você sabia que Tom Araya, baixista e vocalista da clássica banda de thrash metal Slayer é chileno? Um vídeo da turnê Big Four, não recomendado para ouvidos sensíveis.

Para encerrar, não custa lembrar ao pessoal que a famosa Ilha de Páscoa, Patrimônio da Humanidade, conhecida por suas estátuas gigantes moais e sua cultura rapa-nui, pertence ao Chile, ou seja, é a rota para visitar a ilha. Não está ligando o nome ao lugar? Moai é esta estátua aqui. (e recentemente descobriram que algumas tem o resto do corpo na escultura).

moaiFinalmente, se você quiser uma dica, em São Paulo, de onde comer um típico prato chileno, as empanadas, além de outras comidas, recomendo o El Guaton. A casa é aconchegante, a comida é deliciosa e os preços, para os padrões da metrópole mais cara do mundo, são bons.

Espero que gostem das dicas.

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