Xadrez Dominical (5) – Detroit

Caros leitores

Antes de ler o post, dê play no vídeo abaixo e tenha uma boa trilha sonora para sua leitura.

O Xadrez Dominical de hoje, originalmente, era para ser sobre temas ligados ao papado. Devido ao pedido de concordata tratado aqui, decidi prestar uma pequena homenagem à Detroit, e Michigan, então, vamos lá. A cidade que rendeu frutos que misturam a influência da grande população negra da periferia, da população branca operária, da pujança contraditória da indústria automotiva. E, como só uma cidade de tais proporções culturais poderia proporcionar, o post de hoje tem muito de entretenimento, não apenas reflexão e referências mais “sérias”.

A trilha sonora que espero que esteja ouvindo é Inner City Blues, sobre a periferia de Detroit e como aquela desigualdade econômica poderia dar maus resultados. Irônico, não? O cantor, para quem esteve em Marte nos últimos anos, é Marvin Gaye (que era de Washington), mito do soul e do R&B e um dos pilares da lendária gravadora Motown, de Detroit, que revelou nomes como The Temptations (mais conhecida hoje, sessenta anos depois, pela música tema de Meu Primeiro Amor) , Stevie Wonder, Diana Ross & The Supremes (todos esses nativos da cidade e região).

Mas prefere escutar um rock/folk clássico? Que tal uma música de Johnny Cash (que não era de Detroit) sobre um operário que trabalha dia após dia na linha de montagem de Cadillacs, sabendo que jamais poderá comprar um; então, resolve roubar uma peça da linha por dia, durante décadas, e montar o seu próprio carro? Quer nativos da cidade do rockão clássico?  Bill Haley, da pioneira Rock Around The Clock, Bob Seger (o Metallica fez um cover desse blues/rock),The Rationals. Algo mais pesado? Iggy Pop e The Stooges (com a música que o Capital Inicial iria assassinar), Alice Cooper, Grand Funk Railroad. Algo mais recente? Que tal The White Stripes e seu hino de estádios?

Além desses, uma senhora nascida no Tennessee fez de Detroit seu lar musical, no grande estouro do R&B. Estou falando da Rainha do Soul, Aretha Franklin.

Finalmente, uma clássica do rock é….Detroit Rock City (embora o Kiss não seja da cidade. Muito menos agora que ela está falida). E, outra coisa: não importa o que aconteça, jamais assista ao filme de mesmo título.

Falando de outros estilos, Detroit é a origem de nada menos que Madonna, além de ter cenas fortíssimas de Jazz e HipHop (Eminem é de Detroit, e seu filme se passa na cidade). Mas o blogueiro não tem capacidade de recomendar algo nos estilos. Sinta-se à vontade para recomendar ai nos comentários!

Agora que você já tem o que ouvir na semana inteira, que tal uns filmes? Já ouviu falar de RoboCop? Se passa em uma Detroit arrasada, assolada pelo crime (novamente uma ironia do destino). A franquia tornou-se um caça-níquel, mas o filme original ainda é um clássico de ficção científica com elementos distópicos. Além disso, vem filme novo por ai, dirigido pelo brasileiro José Padilha (dos Tropa de Elite)

Agora, um filme obrigatório. Filmaço. Mesmo. Gran Torino, de Clint Eastwood, que trata de vários e vários aspectos diretamente ligados ao declínio da cidade. Eastwood interpreta (e dirige) um veterano da Guerra da Coréia que trabalhava como operário na indústria automotiva e vê seu mundo e sua cidade decaírem, tornando-se um cara bravo que adora armas (ou seja, ele torna-se Clint Eastwood). Enfim, com o Google você certamente achará ótimas sinopses. Gostaria de destacar uma cena; quando o personagem de Eastwood vê seu filho ir embora, dirigindo um Toyota, ele resmunga: “Você não poderia ao menos comprar american?”, referindo-se à tomada do mercado americano de automóveis pelos japoneses, que leva à decadência da região.

Esportes. Detroit é lar de times nas quatro grandes ligas esportivas americanas. A rivalidade, no fim da década de 1980, começo de 1990, do Detroit Pistons (os badboys de Isaiah Thomas e Dennis Rodman) com o Chicago Bulls de Michael Jordan é épica. Mas não vou recomendar algo sobre esportes profissionais. Recomendarei o documentário da ESPN sobre os Fab Five de Michigan University; um time que revolucionou a forma de encarar o esporte (além de ser um timaço, com quatro futuros craques da NBA), de agir, em que os atletas ganharam destaque social e comportamental (uma espécie de “Democracia Corintiana”). E também o choque racial, de cinco garotos pobres negros chocarem uma comunidade cuja elite é branca (infelizmente, não sei onde conseguir legendas, procurei e não achei).

Documentários sobre a situação política e econômica da região? Primeiro, Detropia (um jogo de palavras com Detroit e utopia), que ganhou vários prêmios e foi considerado um dos melhores documentários de 2012…

…e Roger e Eu, de Michael Moore, que já tem vinte anos. O filme não trata de Detroit, trata de Flint, cidade natal de Moore e vizinha de Detroit, que passou/passa pela mesma situação, já que também era uma das bases da indústria automobilística. E sim, eu sei que Michael Moore caiu em declínio recentemente, usa métodos intelectualmente desonestos, mas esse aí ainda é bom (assisti num VHS copiado pelo meu amigo Rodrigo…V-H-S!)

Esperamos apenas que o legado de Detroit permaneça vivo, que a cidade se reerga e que continue a ser um celeiro cultural fortíssimo.

Agora que você já tem trilha sonora pra semana inteira, filmes pra ver, documentários pra assistir, que tal colaborar e dar sua dica aí? Ou então, só compartilhar e divulgar com os amigos?

*****

Acompanhe o blog no Facebook e receba notificações de novos textos e posts, além de outra plataforma de interação.

Anúncios

2 Comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s