Xadrez Dominical (1) – John Reed

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Nem só de política vive o homem. Baseado no post anterior, sobre o documentário Um Longo Amanhecer, está inaugurada a sessão Xadrez Dominical, com dicas e informações culturais, ligadas ao tema do blog (ou não…).

Meu post sobre o discurso da presidenta Dilma foi chamado de “Dez dias em dez minutos”. Obviamente, mesmo que de forma inconsciente, é um reflexo do livro Dez dias que abalaram o mundo, do jornalista John Reed. Por isso, decidi inaugurar a sessão com o próprio John Reed.

Não irei me estender em detalhes biográficos, já que há vasta informação por ai (inclusive mais de uma biografia). Farei um mero resumo introdutório. John Reed nasceu em 22 de Outubro de 1887, em Portland, EUA. Formado em jornalismo por Harvard, foi também um poeta e ativista comunista. Seu estilo de narrativa e seus testemunhos oculares contribuíram de forma essencial para o nascente jornalismo internacional, contextualizando outras culturas e países para leitores distantes, em um tempo relativamente curto (para a época, sem comparar com os dias contemporâneos, em que a informação é global e em tempo real).

Foi correspondente de guerra durante a Primeira Guerra Mundial e cobriu a Revolução Russa de 1917, que o influenciou profundamente. De volta aos EUA, foi expulso da Convenção Socialista por divergências com os rumos do movimento local. Posteriormente, cria um Partido Comunista nos EUA, sofre perseguição política e consegue fugir para Moscou, onde morreria no dia 17 de Outubro de 1920, por tifo. Após um funeral com honras, ele foi sepultado no Kremlim, honraria reservada à um pequeno grupo de revolucionários, soldados e políticos da URSS.

Dentre sua produção, destacarei três obras. O critério é, basicamente, honestidade intelectual. São os três livros que o blogueiro leu.

Primeiro, seu maior livro, que se tornou um clássico e um parâmetro do jornalismo, o citado Dez dias que abalaram o mundo. O livro pode ser encontrado, em português, em edição de bolso, pela editora L&PM, ou numa opção maior, pelo selo Penguim da Companhia das Letras. Não sei se há um conteúdo extra nessa segunda opção, pois possuo a edição de bolso.

É uma leitura vital para compreensão dos acontecimentos iniciais da Revolução Russa. Além disso, o estilo de narrativa contribui para o aprendizado, pois o autor evita a prolixia e a especulação. É uma narrativa de uma testemunha ocular de um momento histórico. Além disso, é um ótimo caso para analisar como as primeiras impressões dissipam-se ou são deturpadas, um aspecto importantíssimo quando se lida com qualquer tipo de fonte primária.

É a base para o filme Outubro: Dez dias que abalaram o mundo, de Sergei Eisenstein, mesmo diretor dos clássicos e influentes filmes  Encouraçado Potemkin e Alexander Nevsky

A próxima recomendação, que na verdade é o favorito do blogueiro, se chama, na edição em português, Guerra dos Bálcãs. O título original é The War in Eastern Europe, e aborda os acontecimentos da Primeira Guerra no fronte oriental. A tradução para o português ficou ambígua, já que o termo Guerra dos Balcãs é utilizado para referir-se às diversas guerras entre os estados balcânicos que antecederam a Primeira Guerra Mundial, sendo parte da origem da Grande Guerra.

O livro, novamente, é de perspectiva local, com uma mistura de relatos jornalísticos e reflexões do próprio autor, considerando a violência, tanto da guerra, como do ódio entre os povos locais, que dura até hoje. É uma obra essencial para a compreensão da região, da formação e dissolução da Iugoslávia e de conflitos étnicos, como a Guerra do Kosovo.

Finalmente, A filha da revolução é um livro de crônicas, escritas por John Reed em diversos momentos, no México, em Nova Iorque e durante a Primeira Guerra Mundial. Mas são crônicas sobre os “pequenos personagens”, não sobre estadistas ou generais, nem sobre suas impressões pessoais. É um livro que esbarra na ficção, mas mantém a informação e a reflexão.

Ambos são publicados no Brasil pela editora Conrad, que é mais conhecida por seu trabalho com quadrinhos.

Gosta dos livros? Não gosta? Conhece, desconhece? Comente, divulgue, compartilhe.

Espero que as dicas sejam úteis e proveitosas.

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Para o leitor que não tem pressa e quer economizar, os livros da Conrad Editora e, alguns, da Companhia das Letras, podem ser adquiridos no fim do ano letivo, com 50% de desconto, na Feira do Livro da USP.

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