A Rússia tem um novo míssil chamado Satã?

No atual contexto de receio de uma Terceira Guerra Mundial, com as tensões entre EUA e Rússia acirradas, chega a notícia de que os russos estão testando um novo Míssil Balístico Intercontinental (conhecidos pela sigla em inglês ICBM). E o nome desse novo ICBM seria o apropriado “Satã 2”. Devido ao texto sobre as declarações de Janaína Paschoal, muitos me perguntaram se isso é verdade.

Os russos estão sim testando diversos novos equipamentos militares, assim como basicamente todas as potências. Dentre esses novos equipamentos está o ICBM RS-28, com alcance especulado de dez mil quilômetros, capacidade de quinze ogivas nucleares e uma velocidade que supera a resposta dos sistemas antimísseis ocidentais (especulada em vinte vezes a velocidade do som, cerca de 24.500 quilômetros por hora).

O RS-28 recebeu, na Rússia, o codinome Sarmat, referência aos Sármatas, um confederação de povos iranianos da antiguidade clássica. Eles habitavam principalmente as regiões do Cáucaso e da Ásia Central; mais um pequeno exemplo de como a Eurásia é o atual foco geopolítico russo, como afirmado no texto de ontem. Então, da onde vem o termo “Satã 2”, usado na matéria jornalística que diz o míssel pode destruir todo o Texas?

Os equipamentos militares soviéticos e, posteriormente, russos, sempre recebem um nome da OTAN, com referência numérica e codinome. Isso tem origem na Guerra Fria, quando o nome “verdadeiro” dos equipamentos não era sabido pelas autoridades ocidentais até muito tempo depois do desenvolvimento. Então, o caça Mikoyan MiG-29 ficou conhecido como “Fulcrum” (Fulcro). O sistema de mísseis antiaéreos 9K33 Osa tornou-se SA-8 “Gecko” (Lagartixa); no caso, SA significa “Surface to Air”.

Já o ICBM R-36M, de 1974, ganhou o reporting name de SS-18 Satan. No caso, SS para “Surface to Surface”. Como o novo míssil é considerado um sucessor, um desenvolvimento, desse, acabou ganhando o nome OTAN de “Satã 2”. Um nome ocidental, que não é utilizado pelos russos que o desenvolvem. Especula-se que o novo míssil entra em serviço em 2020.

Referências interessantes

Lista de codinomes OTAN para aviões

Matéria da RT, agência que reproduz o discurso do governo russo, sobre o novo míssil

Matéria do NTI sobre o RS-28

Matéria da NBC que iniciou o medo do nome do novo míssil


assinaturaFilipe Figueiredo, 29 anos, é tradutor, estudante, leciona e (ir)responsável pelo Xadrez Verbal. Graduado em História pela Universidade de São Paulo, sem a pretensão de se rotular como historiador. Interessado em política, atualidades, esportes, comida, música e Batman.


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