Xadrez Dominical – Israel e Palestina

Caros leitores do Xadrez Verbal, por conta do período fora desse que vos fala, resgato um dos primeiros Xadrez Dominical da história do site; para quem não sabe, todo domingo é postado uma compilação de cinco dicas culturais de um mesmo tema, como filmes ou músicas. Este post ficará como o Xadrez Dominical das próximas semanas, cobrindo a lacuna enquanto eu estiver viajando. Por conta disso, fugi um pouco do formato e coloquei algumas dicas a mais. Espero que gostem!

No dia 13 de Setembro de 1993 foi assinada a Declaração de Princípios sobre as Negociações do Auto Governo Interino, mais conhecida como Acordo de Oslo, mais conhecida como “O acordo de paz entre Israel e Palestina quando o Rabin e o Arafat se cumprimentaram na Casa Branca com o Bill Clinton”. Yasser Arafat, líder palestino, e Yitzhak Rabin, Primeiro-ministro israelense, dividiram (junto com Shimon Peres, político israelense) o Prêmio Nobel da Paz de 1994. Infelizmente, a data, hoje, é simbólica, já que o processo de paz na região regrediu bastante; tecnicamente, esse acordo é chamado de Oslo I, já que houveram outros tratados posteriores. Motivo importante da regressão no processo de paz foi o assassinato de Rabin, por um sionista radical que era contra a paz com os palestinos. O vídeo do assassinato está aqui (escolhi um que não contém imagens tão fortes).

No caso de Arafat, especula-se que ele pode ter sido envenenado; de qualquer forma, recomendo assistir seu pronunciamento na ONU, em 1974, com a famosa frase “Eu venho com um ramo de oliveira em uma mão, e uma arma em outra; não deixem o ramo de oliveira cair da minha mão”. Infelizmente não achei o vídeo com o discurso na íntegra e legendado; na íntegra, apenas se você souber árabe.

A fundação do estado de Israel, em 1948 é tema do documentário O Longo Caminho Para Casa, ganhador do Oscar de Melhor Documentário em 1998. Do “outro lado”, o marco da causa palestina, quando ganhou visibilidade mundial, foi o assassinato de onze atletas israelenses na Olimpíada de Munique, em 1972, pela organização Setembro Negro, tema do documentário Munique, 1972: Um Dia em Setembro, que também é vencedor do Oscar de Melhor Documentário, em 2000. O documentário inclui entrevista com o único palestino sobrevivente da operação. Finalmente, em documentários, um preferido do blogueiro, que assisti tem muito tempo: Promessas de um novo mundo, de 2001, que entrevista crianças palestinas e israelenses, algumas querendo paz, outras já demonstrando ódio ao outro. Pouco divulgado é que, em 2004, fizeram uma pequena adição, chamada de Quatro anos depois, com as mesmas crianças, agora adolescentes, mudando, ou não, suas ideias (infelizmente, não achei essa versão).

Filmes. Ajami, filme israelense indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, é um filme com diversas histórias cotidianas no bairro de mesmo nome, um bairro em que pessoas de diferentes religiões coabitam, nem sempre de forma amistosa. A Banda não é um filme exatamente sobre o conflito Israel-Palestina; trata-se de um drama com toques de comédia, cuja história trata de membros de uma banda militar egípcia que se perdem em Israel, e como a cidadezinha israelense em que eles estão lida com esses estrangeiros árabes.  Finalmente, recomendo bastante Paradise Now, vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e primeira indicação palestina da história ao Oscar, trata de dois palestinos que estão em treinamento de homem-bomba suicida.

Música. Caso queira ouvir algo israelense, a música Together, do cantor local David Broza, foi escolhida como o Hino do 50º aniversário da Unicef…

…mas, caso queira ouvir algo palestino, cujo principal estilo musical contemporâneo é o hip-hop como música de resistência e sobre a vida da população jovem, a referência é Shadia Mansour, que está se tornando cada vez mais famosa.

Finalmente, Serj Tankian, vocalista do System of a Down, em seu disco solo de 2012, Harakiri, escreveu a música Occupied Tears sobre o conflito. Recomendo dar uma olhada na letra.

Leitura. A graphic novel Palestina, de Joe Sacco. Ponto final, sem discussão. Sem preconceito por se tratar de um quadrinho, é melhor que muito livro por aí.

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