O pensamento vil e os acontecimentos na França

Caros leitores, enquanto essas linhas são escritas, na noite de sexta-feira, dia 13 de novembro, chegam uma enxurrada de informações sobre o que aconteceu na França. Mais de uma centena de mortos em uma série de ataques coordenados, incluindo ataques suicidas à bomba perto do estádio onde jogavam as seleções de futebol de França e de Alemanha, com a presença do presidente francês, François Hollande. Cerca de cem reféns em uma casa de shows, fronteiras fechadas, estado de emergência declarado pelo presidente após ser evacuado para um lugar protegido. O início de mais uma caçada ao autores em solo francês, que viu também uma caçada após os atentados de Charlie Hebdo. No momento que esse texto for lido, provavelmente outras informações terão surgido, talvez para o pior. O que fica explícito no dia de hoje é a canalhice, o vil modo de pensar do Terror pelo Terror.

Costuma-se dizer que o terrorista de um é o herói do outro. Os movimentos militantes armados, historicamente, possuem uma causa, normalmente um motivo nacionalista, por autonomia ou contra o que entende-se como um invasor estrangeiro. Diversos exemplos caem nessa definição, como o IRA irlandês, o ETA basco, a OLP palestina; movimentos extremos e armados que, enquanto são condenados internacionalmente como terroristas, também são defendidos ao menos por parcelas locais de suas populações. Por esses motivos e essa base de identidade, esses movimentos não cometeriam atos intencionais contra seu próprio povo. Não é mais o que acontece.

Os prováveis autores dos atentados são ou o autointitulado Estado Islâmico ou a al-Qaeda, dado o tamanho, o planejamento e o escopo dos ataques. Não foram atos isolados, foram atividades de grupos que desejam apenas o Terror pelo Terror. Os atentados contra a redação do Charlie Hebdo, por exemplo, foram assumidos pela al-Qaeda iemenita. Na França a situação é ainda mais complicada, já que muitos nacionais franceses de origem árabe se juntam aos grupos terroristas e retornam ao seu país de origem, possibilitando a criação de células terroristas no país. E, mais do que terem como causa algo extremamente nebuloso, sem claros propósitos políticos, esses grupos criam uma situação extremamente nociva ao seu próprio povo, à sua própria religião.

A França é um dos principais destinos de imigrantes e de refugiados na Europa. O fato de ter uma grande comunidade que descende do seu antigo império colonial, um Estado e uma sociedade tolerantes em uma perspectiva religiosa, uma série de motivos explicam esse fato. Após os atentados, pela primeira vez, a França ordenou um fechamento completo de suas fronteiras, inclusive para auxiliar a investigação. Nos últimos meses, a crise de refugiados causou fechamento de fronteiras pelos Bálcãs e tensões políticas por todo o continente, especialmente na Alemanha. O Reino Unido coloca o controle fronteiriço como uma de suas prioridades em renegociar sua posição na União Europeia, promessa de campanha de David Cameron. A paranoia e a intolerância se alimenta ainda mais hoje.

Com o esfacelamento da Síria e o surgimento do autointitulado Estado Islâmico, mais de setecentos mil refugiados do Oriente Médio e do norte da África chegaram à Europa apenas em 2015. Segundo a Comissão Europeia, a estimativa é de que, até 2017, sejam três milhões de seres humanos buscando refúgio. E a situação que esses refugiados encontrarão será ainda mais tensa, ainda pior. Por causa do próprio Terror do qual essas pessoas fogem. Esse “caos orquestrado”, a situação do medo, da paranoia que existe em Paris será espalhado pela Europa. Os franceses tragicamente mortos causarão um trauma em sua sociedade, uma ferida social que demorará em cicatrizar. E uma sociedade traumatizada torna-se um lugar à menos para refúgio, tanto dos franceses quanto de pessoas de qualquer origem. Ninguém se sente à salvo em uma sociedade tomada pela paranoia.

É por isso que Barack Obama coloca que o ocorrido é um atentado contra a humanidade. O preço não será pago apenas pelos mortos. A vida na Europa demorará para ser normalizada, a vida dos refugiados sequer sabe-se se, um dia, será “normal”. O Terror que atacou em Paris, hoje, não defende uma bandeira, uma causa, não deseja alguma coisa. Para esses grupos, quanto pior, melhor. É no vácuo de poder que esses grupos se estabeleceram, seja no Afeganistão da década de 1990, seja no Iraque da década de 2010 ou na Líbia de 2015. Essa é uma das lições que precisam ser aprendidas, a de que, na atual política internacional, vivemos uma situação virtualmente inédita. A outra lição é de que não se pode combater o sintoma sem atacar a causa.

Se existem vácuos de poder nessas regiões é por posturas e análises equivocadas do passado e do presente. Intervenções unilaterais como a invasão do Iraque pelos EUA em 2003. A falta de uma solução perene na Palestina e em Jerusalém, causando uma escalada de tensões religiosas. O conflito sectário na Síria, com virtualmente todas as potências regionais e globais tentando impor sua agenda particular, incluindo suspeitas de cooperação entre o EI e um país membro da OTAN, a Turquia, contra um inimigo em comum, os curdos. A crescente disputa geopolítica entre as duas potências regionais, Irã e Arábia Saudita, com um perigoso componente da religião, um tema muito debatido aqui no Xadrez Verbal, assim como a complacência ocidental com o país árabe.

A monarquia absolutista saudita, ao buscar ser protagonista regional e do Islã, fomenta as disputas sectárias entre sunitas e xiitas por toda a região. As minorias xiitas são apoiadas pelo Irã, rival religioso e geopolítico. Desse projeto de poder saudita que temos a guerra civil no Iêmen, parte do conflito na Síria, o EI, a escalada de tensões no Líbano. Em janeiro apontou-se, aqui neste texto, a contradição do próprio presidente francês, que quer combater o terror mas vendia armas aos sauditas. E, novamente, Hollande promete retaliações duras aos que atacaram sua população. E que, principalmente, matam milhares no Oriente Médio, deslocam centenas de milhares em fuga para longe de onde eram suas casas. O Terror pode acreditar que está infligindo mortes ao Ocidente, mas sua covardia é tamanha que a maioria de suas vítimas, sem casa e com cada vez menos lugares para onde ir, são os indefesos de seu próprio povo.

PS: Como dito no podcast de hoje, lembro-os que teremos G20 amanhã e a COP21, daqui três semanas, justamente em Paris. A tensão deve apenas aumentar.


assinaturaFilipe Figueiredo, 29 anos, é tradutor, estudante, leciona e (ir)responsável pelo Xadrez Verbal. Graduado em História pela Universidade de São Paulo, sem a pretensão de se rotular como historiador. Interessado em política, atualidades, esportes, comida, música e Batman.


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72 comentários

  • Solução=orientemedio=estacionamento

      • Acho que não fui muito claro ,no estado atual de intolerância ,violência e extremismo que o islã se encontra ou uma milagrosa gigantesca mudança de visão nessa pessoas ocorre e eles percebem que matar qualquer um que discorde deles não é civilizado ou fogo vai chover dos céus e uma terceira guerra mundial é inevitável ,se o nível da tentativa da imposição da religião seja por parte da bancada religiosa aqui do brasil ou algo pior e de maior escala como esses ataques ou o isis continuar ou crescer eu sinceramente não vejo a civilização humana existindo daqui 50 anos.

        As fortes relações comerciais dos países ocidentais com o oriente médio fazem eles terem rabo preso e não terem poder algum de parar essa barbárie torna isto ainda pior.

        Pelo que vejo não existe dialogo ,ou o islã faz uma gigantesca mudança em si mesmo oque acho muito improvável ou o conflito armado é único o resultado possível.

        Espero ter sido claro

    • Sensacional esse seu mundo preto e branco, onde não se filtra nada vindo de um celebridade no Twitter.

    • adriano williams da silva paiva

      que pensamento egoísta , atrofiado e sórdido é o seu Gille Louback…

  • Lucas Alvim P. Motta

    Excelente texto como sempre, muito elucidativo. Na tristeza dessa escalada da violência não posso deixar de perceber que o atentado ao Charlie foi objetivo à um jornal, agora toda a nação francesa é atacada, sem distinção e como dito, sem bandeira. A questão que se repete, como quebrar o pensamento vil?

  • Muito bem colocado Filipe, embora no calor dos acontecimentos, seu texto enfatiza bem o principal fato dessa insanidade; Terror por terror!

  • Ótimo texto…

  • Excelente texto, marca do Xadrez Verbal. Infelizmente a escalada do terror têm consequências nefastas, atingindo sempre quem nada tem a ver com a história de fato.
    No caso do EI, o seu próprio povo sofre sob o jugo do extremismo.
    E infelizmente a retaliação vai causar mais sofrimento para parte do povo, aquela que realmente é inocente.

  • Sinto pena dos refugiados que saem de uma desgraça pra entrar provavelmente em outra, com o aumento da desconfiança e preconceito sobre esse povo já castigado.

  • Parabéns pelo texto, muito bem construído.

  • Xadrez, por favor, tire uma dúvida? No texto você cita a Invasão do Iraque em 2003. Mas esse movimento terrorista, não tem uma origem um pouco anterior a isso? Quero dizer, vi alguns comentários colocando os terroristas como criação dos governos dos Bush pai e filho. Mas recordo de já ter lido que isso teria uma origem lá pelo final dos anos 70 (após invasão soviética no Afeganisitão, e depois quando os EUA treinam ‘a resistência’ aos soviéticos etc) e isso me deixa intrigada, resumidamente, quero saber: o movimento de terror que vemos hoje, com esses atentados, têm origem em 2003, após invasão do Iraque ou no final da década de 70?

    • Acho que pode colocar a culpa até nas cruzadas. Essa questão está igual a aquela pegunta “quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?”. Tendo a acreditar que a questão é o que deve ser gerido? Poder? Dinheiro? Pessoas?

    • Priss, o Terror originado no final da década de 1970 tem seu “ápice” com os ataques ao WTC. Ele possui uma base territorial no Afeganistão, lugar em guerra permanente virtualmente desde o século XIX. Sua principal causa é a “unificação do mundo islâmico” contra a “corrupção ocidental”; as aspas são pq estou resumindo bem, obviamente.

      O antiamericanismo de pessoas como Osama bin-Laden é exacerbado após a Guerra do Golfo, com a presença de tropas “infiéis” em solo sagrado; no caso, a Arábia Saudita, que serviu como ponto de concentração das forças da ONU.

      Já o atual momento teria um “recomeço” após 2003. A base territorial é o Iraque e seu vácuo de poder. A morte de Osama faz com que grupos criem dissidências, inclusive algumas mais radicais (por mais bizarro que pareça, a al-Qaeda não reconhece o EI) e sejam tomados também pelas lutas internas ao mundo islâmico, sunitas vs xiitas, Arábia Saudita vs Irã. A falta de coesão interna colabora para esse Terror pelo Terror, sem pautas políticas concretas, o mero extermínio.

      Então, dá pra falar que existe uma continuidade, mas também uma transformação, uma mudança de forma e de propósito.

      Um abraço

  • Olá Felipe. Bom texto, para min começa a parecer meio evidente que violência gera violência. O trauma provocado hoje será lembrado por muito tempo aos parisienses e seguramente a resposta causará um trauma que se prologara por gerações. É de acreditar na frase de Platão “só os mortos verão o fim da guerra”.

  • Excelente texto, enfatiza muito bem essa situação: Terror pelo terror, sem bandeiras, nem nada, só ódio respingando para todos os lados (inclusive os lados “amigos”).

  • Mesmo considerando a realidade multifacetada do radicalismo muçulmano e os antecedentes históricos onde a responsabilidade das potências européias e das superpotências da Guerra Fria abundam, o que me preocupa é onde isto irá desembocar. Há uma expressiva população muçulmana na Europa, quase sempre na base da pirâmide social, e não é necessário aqui discorrer sobre as tensões sociais, culturais e religiosas consequentes, ainda mais num país como a França com sua tradição secularista, seu passado recente colonialista e sua posição contemporânea aliada aos Estados Unidos. Cada ato deste eh combustível para os movimentos políticos reacionários e xenófobos europeus. Quantos atentados serão necessários para uma vitória de uma UKIP ou FNP? Até o mais moderado cidadão, pressionado por uma percepção de insegurança, uma hora votará pensando na própria sobrevivência dos seus e do seu conceito de direito e de Estado. Então onde terminaremos, numa guerra aberta de civilizações? Ou numa prolongada guerra suja, no estilo Irlanda do Norte, mas espalhada por toda Europa e até além dela?

  • Os “jokers” da vida real, agentes do caos sem causa. Moro na Rússia, faço faculdade de relações internacionais aqui e tive uma aula hoje mesmo sobre terrorismo. As notícias me deram insônia e um pouco de medo. Nunca tinha sentido medo desde que me mudei pra cá, mas pela primeira vez me dei conta que o caos não tem fronteiras. Obrigada por colocar de forma coesa nesse texto a enxurrada de pensamentos que me atingiu nessa madrugada. Fico aguardando os comentários no próximo podcast, espero que até lá já consigamos fazer uma análise mais concisa. Muita água vai rolar nessa semana. Abraço Filipe.

  • Complementando, aparentemente alguém (ou um grupo de pessoas) foi até o acampamento em Calais onde estavam os refugiados, que estão justamente fugindo de situações de violência como essa, e colocou fogo no acampamento.
    https://www.rt.com/news/321967-calais-refugee-camp-fire/

    O ocorrido em Paris é lamentável mas infelizmente não podemos esquecer além dos 120+ mortos em Paris esse mesmo terrorismo já causou a morte de mais de 250 mil pessoas no Síria e no Iraque e não se viu esse qualquer tipo de consternação por esses mortos infelizmente.

    Talvez seja hora de começar a se discutir a responsabilidade por grupos como o Estado Islâmico existirem em primeiro lugar para se entender como combater esse mal para começo de conversa, e quando falo isso não estou apoiando quem cometeu esses atos em Paris (ou que colocou fogo no campo de refugiados em Calais, isso é apenas reconhecer que enquanto ficarmos combatendo os sintomas sem combater a causa o que iremos ver é apenas medida paliativa.

    • Além disso é bom lembrar que boa parte dos fundadores do Estado Islâmico juntaram a causa na Síria depois de atuar na Líbia, com treinamento e armamento francês junto com o resto da OTAN para derrubar o Gaddafi. Enquanto os países do ocidente continuarem a alimentar seus “terroristas moderados” infelizmente esse cenário vai continuar a se perpetuar ad eternum.

      • Muito bem posto. Concordo com isso. A retrolimentação desses grupos é a Força principal. A começar pelo óbvio financiamento bélico. Nenhuma das armas usados em tiroteio e de fabricação da Al Quaeda ou do Auto-intitulado Estado Islâmico. No Twitter já vi galera colocando um cavalo de Tróia, entregue pelos refuigiados à Paris, e dentro o ISIS. NÃO É ISSO. Aumentaremos em muito a tragédia Humana. Acho que a Resposta Francesa e do Mundo é um Grande, NÃO TEMOS MEDO DE VCS

  • Primeiro a França tem papel extremamente ativo na invasão da Líbia e na deposição extremamente violenta do ditador Gaddafi; A Líbia, maior IDH da África, vira um território quase que anarquista e em estado permanente de guerra civil; Nesse vácuo de poder, crescem e florescem grupos de extremistas-terroristas que dominam parte do país; Esse mesmo tipo de extremistas que a invasão da Líbia acabou por fomentar matam 120 pessoas na França e causam nível de terror quase que sem precedentes.

    Não há uma relação direta e é um pensamento extremamente simplista, obviamente, mas é uma reflexão curiosa.

    • E parte dos que lutaram na Síria foram para a Síria (na rasteira da “primavera árabe”) e acabam entrando em grupos como a irmandade muçulmana e o próprio Estado Islâmico. Não é absurdo dizer que a própria França ajudou a armar e treinar os grupos que agora atacaram Paris.

  • Pingback: Eu, Metazoário – Tragédias: quanto Vale uma vida? | Dragões de Garagem

  • Alguém sabe me informar algum site, blog, ou canal do youtube que fale de religiões de forma metodológica e isenta de opiniões, acho importante conhecer as variantes de todas as religiões para tentar entender o por que das rupturas e atritos entre elas.

  • Ótimo texto. Como você mesmo citou, os mais prejudicados nessa situação serão os próprios muçulmanos, que, acredito, enfrentarão uma paranoia europeia no nível da paranoia americana pós 9/11. Se os movimentos nacionalistas já vinham fortes, por conta da questão dos refugiados, e da tentativa de uma Europa unificada, isso agora só vai se intensificar, e todos sabemos de que lado essa corrente vai estourar.
    Só gostaria de saber sua opinião sobre algumas análises que vi a respeito do ISIS (ainda não assumiu a autoria do ataque): muitos destacam a “primavera árabe” como o principal evento fortalecedor (não originário) do Estado Islâmico, e que por causa de toda aquela confusão é que esses terroristas ganharam o poder que têm hoje. Concorda com isso Filipe? Abraços.

  • Ótimo texto, Filipe. É sempre importante analisar as origens e causas de um problema antes de começar a julgar.
    Uma pergunta: teremos podcast sobre o assunto em breve ou só na sexta?

  • Filipe uma das possíveis causas de alguns países europeus fecharem as suas fronteiras, seria para evitar situações como essa que está acontecendo na França ?

  • Belo texto, parabéns pelo site e pelo canal no YouTube.
    Lamentável o que aconteceu porém nada diferente do se imaginava, pelo menos para as pessoas que acompanham política internacional.
    Certamente o ataque foi muito bem planejado e temo que algo numa escala ainda maior esteja sendo elaborada para os próximos meses.
    Temo ainda que esses atentados aumentem a força de partidos de extrema direita tanto na França como na Europa, aí haverá mais racismo, mais xenofobia e fobia gerará fobia ad eternum.

  • Minha pergunta pode parecer simplista ou tendenciosa… mas se os EUA (e a Franca) não estivessem ajudado a financiar o caos tentando derrubar o governo sírio financiando rebeldes muito deles terroristas ou no minimo envolvido com o terrorismo, teria acontecido esse ataque? é só lembrar que o auto intitulado estado islâmico nasceu no caos que foi instaurado na síria e no Iraque.
    só uma pergunta quem invadio o Iraque transformando aquilo que já era ruim em algo pior?
    por favor me entendam eu não sou nenhum esquerdopata ou adepto de teoria de conspiração, mas quando potencias como os EUA, Franca ou Russia tentam intervir em outras nações para resolver problemas históricos acaba piorando a situação para si mesmo.

  • Pingback: Massacre de Paris!!!! | Rock Me ONRock Me ON

  • Além disso sabe o que os ataques em Paris comprovaram mais uma vez? Não importa o quanto os governos de todo o mundo se esforcem e gastem para violar as liberdades individuais e a privacidade de seus cidadãos em nome da “segurança contra o terrorismo” pois os ataques terroristas sempre irão acontecer. Como disse Benjamin Franklin “Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança.”

    • Isso não é exatamente uma verdade. Os EUA (símbolo maior do assim chamado “ocidente”) não sofreram mais nenhum ataque terrorista desde 9/11, exceto pelo ataque de Boston, mas que foi trabalho de “lobo solitário”. A própria inteligência francesa admitiu que tinha dificuldades para monitorar as ameaças em potencial. Um ataque dessa magnitude, com esse planejamento e complexidade, seria muito difícil de acontecer nos EUA ou no Reino Unido, por exemplo.

      • Será mesmo Rafael? Pela forma invasiva e generalizada que a população mundial está sendo espionada uma operação da magnitude necessária para produzir ataques como esses teria que ser identificado com essa espionagem generalizada. Já tivemos inúmeros ataques apenas em membros da OTAN nos últimos tempo, o atentado em Ankara em outubro era o mais recente até o ataque em Paris e a espionagem ao estilo melhor “Stasi da nova geração” não conseguiu impedir esses ataques. A espionagem mesmo com todos os recursos mostrados ao mundo pelo Snowden são incapazes de impedir esse tipo de coisa, e mesmo que impedisse 100% não justificaria tamanha invasão da privacidade das pessoas.

        • Aí vai da opinião de cada um. Fato que os países que mais investiram nos serviços de inteligência não sofrem um ataque terrorista há um bom tempo (e não faltam relatos de tentativas de ataque frustadas).
          Agora com mais informações fica evidente a falha enorme da inteligência francesa, ainda mais depois do atentado contra o Charlie Hebdo. Um dos principais participantes do ataque era francês, tinha treinado na Síria em 2013, a polícia sabia do passado do sujeito e não manteve uma vigilância mínima em cima dele. Acho que as liberdades individuais tem de ser respeitadas, mas em tempos de conflito, as pessoas, e principalmente os governos, precisam rever suas prioridades.

  • Caro Filipe, pelo blog do Flávio Prado soube do seu Xadrez Verbal e vim conhecer. Legal, você como historiador domina as conjunturas básicas desse “xadrez”, dessa trama politica no Oriente Médio, de repercussão mundial. Mas digo conjunturas “básicas”, porque são as de senso comum dos estudiosos e analistas. Eu, como mero cidadão de média formação, sem grande aprofundamento, me permito a liberdade de especular sobre conjunturas menos ortodoxas. Num quadro tão complexo, em que o mundo se tornou uma quitinete de interesses e poderios, não descarto nenhuma hipótese. Sem pretensão de fechar questão, deixo em aberto a possibilidade de tramas outras, que não essas relacionadas por você e pela mídia em geral. O 3º lado da moeda, como dizia Betting, que envolveria o interesse objetivo das indústrias militares, a orquestração desse ópera sendo feita por interesses fortemente ocidentais, com blocos à direita (e extrema direita) tanto dos EUA quanto da Europa induzindo (patrocinando, ou pior, planejando) esses atos asquerosos para o povo, mas interessantes para seus interesses. Hollande estava em um estádio, bem visível e midiático, na hora em que tudo isso aconteceu… Coincidência? Não sei. Repito: não sei. Não sei de nada, e exatamente por isso não elimino nenhuma hipótese, mas desconfio das análises main-stream que Globo e a grande imprensa fazem… Há mais mistérios entre o céu e a terra… Valeu!

  • Um dos terroristas foi identificado como jovem cidadão francês. Agora os terroristas são recrutados pela internet. Não consigo entender suas motivações.

    • Até que não é tão difícil, pense que existem milhares de jovens, filhos e netos dos imigrantes que foram convidados para irem morar na França durante a reconstrução pós segunda guerra, que tem educação abaixo da média do resto do país, vivendo em verdadeiros guetos e favelas ao redor dos grandes centros urbanos, sendo discriminados por causa de sua origem, sua pele e sua religião e a grande maioria desempregado e/ou sem qualquer perspectiva de vida sem acesso a todos os “benefícios” de uma sociedade de consumo, então eles encontram alguém que os diz que eles poderão ter tudo o que sonham ao abraçar a versão mais radical da fé pra já tem e que os manda para treinar em ex-colônias europeias devastadas pelas guerras muitas vezes patrocinadas por suas ex-colônias e está feito o cenário de terroristas “nativos” que podem entrar e se movimentar livremente pela Europa sem qualquer risco de ser parado pelo fato de serem franceses de fato (nascidos e criados na França).
      Infelizmente a incapacidade da França de integral seus imigrantes a partir dos anos 40 (e que piorou significativamente após os anos 70) é uma das maiores causas do terrorismo “domestico” na França e na Europa hoje, e muitos acreditam que a solução é aumentar ainda mais essa política fracassada.

  • Seria interessante se o Trump tivesse um irmão gêmeo francês. kkkk

  • Ótimo texto Filipe, mesmo com suas ideias expostas eu ainda não consigo ter uma opinião formada sobre o assunto mediante a complexidade do assunto. Não sei se é justificável, mas eu também fico com raiva e estou com xenofobia por muçulmanos, você e muitos outros escritores dizem que isso (o terror, do nosso ponto de vista) não é o verdadeiro islã, mas quem disse que não? Desconheço os dogmas dessa religião e não sei quanto você sabe sobre, mas tenho a impressão que os terroristas são os verdadeiros muçulmanos e os demais que não cometem esse tipo de atos são muçulmanos “amolecidos” ou ocidentalizados. No fundo ambos querem dominar o mundo, sem distinção entre xiita e sunita, é isso que o islã prega.
    Desculpe o texto um pouco confuso e gostaria de pedir mais publicações do tema. Espero um bom podcast, Valeu

    • Você pode interpretar desse jeito. Mais acho injusto julgar mais de 1 bilhão mulçumanos por atos de extremistas.

    • Esse simples vídeo mostra como a “impressão” do Jorge é mais verdadeira do que imaginamos…

      • Assumir que ele representa e fala em nome de todos os muçulmanos do mundo é como dizer que o Malafaia representa e fala em nome de todos os cristãos do mundo.

        • O comentário do Sydnei Vasconcelos, abaixo do nosso, exprime bem o que estou pensando…
          Talvez a questão seja que, “islão de verdade” seja essa bárbarie toda! Assim como o Malafaia é o “cristão de verdade”…
          Reitero minha opinião e concordância com o Jorge, muçulmanos pacíficos são os muçulmanos “amolecidos/pacificados”! Da mesma maneira que sempre chamei os católicos no Brasil de “Católijutos” (Católicos Fajutos) já que, por exemplo, a cultura carnavalesca torna imperativo o uso da camisinha, proibida pelo poder central Católico (Vaticano). Ou a confluência de catolicismo e espiritismo vista em muitas famílias… Nada disso é “Cristão de verdade”!

    • Muito pertinente sua colocação.
      Eu vejo com muita frequência que excelentes formadores de opinião como o Filipe e outros utilizam um pouco da falácia do “escocês de verdade” na hora de abordar o Islã.
      Eles, assim como o Obama, afirmam que o ISIS “não é islâmico” como se de alguma forma eles mantivessem a autoridade de dizer o que é ou não Islâmico.
      A partir do momento que integrantes do ISIS seguem preceitos religiosos escritos em um livro religioso, perseguem minorias religiosas justamente por serem de uma religião diferente, lêem e proclamam aos 4 ventos versos de um livro religioso pra justificar suas ações à “infieis” e afirmam abertamente que lutam por um califado islâmico eu acho pretensão de quem quer que seja de afirmar “quão” islâmicos eles são ou se não são islâmicos absolutamente.
      Essa é a famosa estratégia do “pick and choose” onde as pessoas escolhem a partes pacíficas e interessantes das religiões e fazem vista grossa à toda a violência, misogonia, homofobia e apologia à guerra que são inerentes a maoria das religiões existentes (principalmente as monoteístas abraâmicas).
      A verdade é que embora a grande maioria dos muçulmanos que moram no Ocidente não sejam fanáticos a ponto de sairem fuziliando inocentes eles demonstram sim (evidenciadas em pesquisas realizadas) preocupantes visões totalmente contrárias aos conceitos de igualdade de gênero, de liberdade de expressão, de direitos LGBT, da própia laicidade. Ideiais esses que foram conquistados à duras penas no Ocidente.
      Precisamos URGENTEMENTE discutir sobre isso!

      • Me parece que é doloroso para as pessoas reconhecer que os livros sagrados contêm, de fato, essas mensagens terríveis! Aí o “pick and choose” entra em ação e, de boa vontade, Obama, Filipe e outros acabam fazendo as tais vistas grossas…

        • Eu não faço vista grossa. Pelo contrário, eu não culpo UMA religião por reconhecer o potencial de violência de TODAS as religiões. Temos grupos extremistas/terroristas judaicos, cristãos, budistas, hindus…

          • Não vejo aonde que o Sydnei ou eu isentamos as religiões não-islâmicas de conter grupos extremistas…
            Anders Breivik manda lembranças à qualquer cristão pacífico…

            https://pt.wikipedia.org/wiki/Anders_Behring_Breivik

          • Longe de mim querer discutir mais esse assunto, Filipe!
            Mensagem só pra dizer que sou MUUUITO fã do Xadrez Verbal, conheci há pouco por causa do Nerdcast!
            Passei a sexta na expectativa de ver sua análise da reviravolta política de Portugal… Me frustrei. Espero que, com mais informações, você nos faça uma análise de alto nível como já me acostumei a ter em seu programa!
            Abraços!

      • O que é difícil aqui é definir o que/ quem é muçulmano. Seria o indivíduo que segue apenas 99% do alcorão ou ele deve seguir 100%? Quais trechos do alcorão os “terroristas” seguem? Esses 1 bilhão de mulçumanos no mundo, são contados pela ONU, IBGE ou eles mesmos?
        EU por exemplo (sendo evangélico) não considero católicos como cristãos, devido as práticas deles que contradizem os ensinamentos da bíblia, e mesmo eu as vezes cometo pecados que vão contra os ensinamentos da bíblia, mas até que ponto eles, ocidentais e árabes, são ou não católicos ou muçulmanos e eu sou evangélico? Realmente não sei. acho que a questão é relativa do ponto de vista, de quem você é no momento da análise. Como e quando cristão eu digo “Deus, abençoe os mulçumanos, eles não sabem o que fazem”, no olhar de ser humano vivente em comunidade que busca o desenvolvimento da espécie humana (esse sendo a conveção feita pela maioria) digo “Esses terroristas são animais e devem pagar pelo que fizeram”, enquanto que também tem o lado do “acho válido e muito normal existir um grupo de pessoas que buscam exterminar seus semelhantes por religião”, a religião permite isso acima de qualquer coisa do ponto de vista “faço o possível para sobreviver nessa realidade e impor minhas vontades inerentes ao meu ser”, como eu classifico.
        Enfim, por conseguir enxergar mutios pontos de vista que entram em contradição prefiro não ter opinião sobre o assunto, que na verdade não tem nada de complicado por si só, quem complica somos nós, devido à caracteristicas humanas de ignorancia e preconceito (ou não, depende da sua entidade existencial na análise) pelo desconhecido e diferente. Só sei que opiniões como a minha pela minha natureza estão sujeitas a falácias, mesmo sendo imparcial, ainda mais por serem esboçadas nesses poucos minutos da manhã.

        PS: depois de começar acompanhar o site/podcast só passo stress com o conteúdo Filipe hahaha, vou alí resolver umas integrais pra relaxar. Hail matemática.

        • O Vinicius foi exatamente no cerne da questão! Em nenhum momento eu deixo de reconhecer o potencial destrutivo das religiões não-islâmicas. Eu mesmo já comentei diversas vezes como o Cristianismo exterminou milhares de pessoas em vários continentes com as Cruzadas, Inquisição, guerras santas, etc.
          Reconhecer e discutir a influência que os dogmas religiosos exercem nas motivações desses terroristas é extremamente necessário e urgente!
          Eu compreendo que esse “consenso” que existe entre a maioria dos formadores de opinião e mesmo os líderes ocidentais em tirar o Islã do debate é justamente pra proteger as minorias muçulmanas de qualquer perseguição no ocidente. Todavia, isso é incorrer em erro porque enquanto o Islão não for levado a constate questionamentos, debates e mudanças estruturais assim como o Cristianismo foi ao longo dos séculos vão ser as mulheres, homossexuais, agnósticos e livres pensadores muçulmanos as maiores vítimas.
          Podemos perfeitamente confrontar os dogmas islâmicos ao mesmo tempo que confrontamos os dogmas cristãos, judeus, hindus, etc. Uma coisa não precisa negar a outra.

          Em relação ao tema se o ISIS é ou não islâmico eu me lembrei agora de uma entrevista com a Nabila Ramdani que é uma correspondente francesa da BBC (e muçulmana) sobre o caso do Charlie Hebdo. Na ocasião ela alegou que os terroristas daquele ataque não eram sequer muçulmanos porque, vejam só, foi dercoberto que eles bebiam álcool, transavam fora do casamento, usavam drogas…ora ora, quando ela alega que eles não são muçulmanos ela automaticamente isenta o Islão totalmente e absolutamente de qualquer parte de responsabilidade do ocorrido. (Semelhantemente ao Filipe, Obama e outros quando afirmam que ISIS não é islâmico).
          Se trouxermos essa lógica que a Nabila usou para os cristãos no Brasil poderíamos afirmar sem sombra de dúvidas que TODOS os cristãos do Brasil não são cristãos!
          Esse não é o caminho gente e a falácia do “escocês de verdade” não vai defender o Islã das tragédias cometidas em seu nome por muito tempo.

          • Sydnei, vc está ouvindo o Hangout? Até te citei. Depois vou postar no canal e eu começo a responder essas questões (que vou abordar em vídeo) sobre Islã, religião e política.

            Repito: o problema ali não é religioso, é político.

            Um abraço

          • Estou vendo um documentário chamado The Power of Nightmares de 2004 que mostra bem que esse “problema” de religioso não tem quase nada e na verdade os terroristas muçulmanos não são muito diferentes dos neoconservadores americanos.

          • Estou ouvindo o Hangout “Anticast, Xadrez Verbal e Bibotalk” (pausado em 1h50 pra esse comentário).

            Toda a complicação geopolítica das potências regionais do Oriente Médio foram muito bem explicadas! Fascinante! Mas negar a ligação intrínseca entre as potências geopolíticas e suas vertentes religiosas e afirmar ser somente caos político, discordo…

            Agora, você mesmo citou um caso de um debate que iria participar em que o clérigo muçulmano cancelou a presença! A conivência das populações islâmicas com os extremos da religião deve ser colocada em pauta, sim!

            Estou, de agora em diante, na expectativa de que as tais minorias islâmicas do ocidente aumente seus esforços de divulgação do que seria o “muçulmano de verdade”, pacífico e tolerante com as diferenças, que exija o direito de ir pra escola de véu na cabeça, mas que aceite mulheres de shorts, casais homossexuais compartilhando seguro de vida e “ateus” comendo carne de porco (ou qualquer outra coisa que os ofendam…)
            Levantar plaquinhas de “Não me representa” tá sendo pouco!

            @BK
            Não assisti ao documentário, mas culpar os EUA/Ocidente por tudo que acontece por lá é participar das vistas grossas aos problemas causados pela religião… No Hangout mesmo o Filipe cita o anti-americanismo como uma vertente moderna, existente principalmente à partir da criação do Estado de Israel.
            Por fim, em momento algum, eu ou o Sydnei (com quem pareço compartilhar ideias acerca do tema) dissemos que “neoconservadores americanos” são o contraponto ideal ao extremismo islâmico!

  • Minha impressão é que é intenção clara do Estado Islâmico justamente impedir ou atrapalhar a migração desses refugiados, desde que emitiram aquela declaração de que não sei quantos terroristas estavam infiltrados entre a massa que vagava pela Europa buscando refúgio. Não cabe usar palavrões aqui, mas “canalha” é um termo leve demais para esses ### que matam, torturam, transformam execuções em espetáculos e ainda espalham aos quatro ventos que fazem isso para salvar a humanidade.

    E o pior é que não sei o que pensar sobre toda a questão de terror e do islã hoje. Vejo muitos dizendo em tom de alarme que a população muçulmana cresce no mundo (e no Brasil) e apontando estatísticas que mostrariam que um parcela significativa dos muçulmanos de determinados países ocidentais acham que mexer com Maomé deveria ser proibido (ou até punido com morte), ou que conseguem entender por que pessoas decidem se tornar terroristas suicidas. Não acho esse tipo de pesquisa tão válida porque, pelo menos no meio evangélico, no qual vivo minha vida toda, sei que muitos diriam igualmente que não se pode mexer com Deus e que apoiariam lutas armadas hipotéticas em favor do cristianismo (obviamente tirando a parte do suicídio, que a maioria considera proibido pela bíblia), e mesmo assim não vejo movimentos extremistas evangélicos se multiplicando em toda parte. Também não conheço as doutrinas islamicas pra dizer o que penso delas, e nem vi até hoje alguém explicando essas doutrinas de forma clara e sem levantar bandeiras. Só vejo de um lado pessoas dizendo que qualquer interpretação do Corão que leve à violência será sempre falaciosa, o que eu acho muito difícil, e de outro repetições incessantes de uma colagem dos mesmo textos, sem contextualização nem reflexão nenhuma, dizendo “Ah-há! Viu só? O islã prega o extermínio de todos os infiéis!”. E eu sei muito bem que a bíblia também tem uma tonelada de textos que incitam à violência, e parece que nessas horas ninguém lembra disso.

    Mesmo assim, usando o argumento de que o terrorista não tem rosto nem uniforme, e de que é impossível dialogar com essa parcela violenta, cada vez mais pessoas dizem que na verdade não existe a possibilidade de convívio pacífico com muçulmanos em países ocidentais, ou pelo menos que o risco que essa convivência traz não vale a pena. Não sei se a solução para esses é segregar os muçulmanos, impedir completamente sua migração, monitorar a todos… Me recuso a aceitar que essas sejam soluções, me recuso a sequer considerar esse tipo de pensamento. Como advogado fico imaginando os absurdos jurídicos necessários para implementar medidas como essas e lembro te tantos casos históricos estudados em sala de aula nos quais medidas desse tipo foram tomadas e de como a turma debatia se perguntando como foi possível que leis assim tenham existido, como ninguém percebeu que medidas desse tipo estão fadadas a só causarem mais problemas.

    Mas quando alguém me pergunta então o que eu penso disso tudo eu sinceramente não sei. Não sei nem por onde começar a pensar uma solução. Mas não acho que trazer ainda mais divisão, reforçar ainda mais o pensamento “nós x eles” seja uma solução, já que quem está causando esse problema todo prega que o mundo funciona justamente dessa forma e usa isso pra justificar suas ações. Enfim.

    Não pretendia escrever um texto tão longo, mas isso foi quase um desabafo – me incomoda muito estar tão perdido nesse assunto, e a raiva que me causa covardias como a de ontem só piora tudo. Aliás, gostei muito do texto. Já acompanho seu canal no youtube há algum tempo, mas é a primeira vez que venho ao site. Vou voltar com frequência, com certeza.

  • Obrigado Felipe! Mais uma vez é bom ouvir sua opinião sobre assuntos tão sérios. As vezes penso que o ideal seria uma intervenção pesada de todas as grandes potências para acabar de vez com o EI. Mas nãoi sei realmente se isso seria possível.

  • Postagem do jornalista esportivo Flavio Gomes sobre o episódio é também bastante interessante.

    http://flaviogomes.grandepremio.uol.com.br/2015/11/paris-2/

  • Olá Filipe, tudo bem?

    O acordo de Skyes-Picot de certo modo ainda tem impactos na política do oriente médio? Dizem que uma das causas de todo essa confusão é a falta de refino cultural dos diplomatas dos EUA de hoje em relação aos diplomatas do império britânico e francês na época desse acordo, criando vácuos de poder após as invasões e não respeitando as tradições culturais dessas civilizações.

    Sem querer ser chato, você poderia falar sobre um pouco desse acordo no próximo podcast?

    Um abraço!

    Rafael

  • Guilherme Lourenço

    Felipe, hoje eu ouvi numa certa emissora que a Rússia ataca as milícia contra o ditador da Síria e ignora totalmente DAESH. Isso é verdade?

  • as causas eas consequencias dos atentados na frança?

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