Xadrez Dominical – Salazar e a Revolução dos Cravos

Leitores, espero que tenham visto a novidade anunciada aqui na quarta-feira. Não querem perder nenhum vídeo desde o primeiro? Acessem o canal do XadrezVerbal no Youtube e se inscrevam!

Caros leitores,

Nessa última semana, no dia 25 de Abril, foi o aniversário de quarenta anos da Revolução dos Cravos, o movimento que depôs o regime ditatorial do Estado Novo (não confundir com o Estado Novo getulista, no Brasil), cuja principal figura foi o ditador Antônio Salazar, que deteve o poder de 1933 até 1970, quando morreu. A revolução iniciou um processo que resultou em implantação de um regime democrático e com a entrada em vigor de uma nova Constituição. O movimento era formado principalmente pela sociedade urbana portuguesa e pelo baixo oficialato das Forças Armadas, desgastados pelas guerras coloniais. Após essa breve introdução, o tema do Xadrez Dominical de hoje é Salazar e a Revolução dos Cravos.

Motivo do nome da revolução: as flores nas armas dos soldados que se recusaram a reprimir a população lisboeta.

Motivo do nome da revolução: as flores nas armas dos soldados que se recusaram a reprimir a população lisboeta.

A primeira dica é a minha favorita. O filme Longwave – Nas Ondas da Revolução, uma comédia divertida que trata a Revolução dos Cravos com leveza. Profissionais de rádio suíços vão até Portugal para uma reportagem trivial, mas acabam, por acidente, no meio dos eventos da Revolução. O filme possui uma personagem que não é interpretada, a charmosa Kombi usada pela equipe suíça. Quem gosta de carros clássicos certamente vai gostar.

 

Sinopse do AdoroCinema: Em Abril de 1974, dois jornalistas da rádio suiça são enviados a Portugal para realizar uma reportagem. O técnico Bob (Patrick Lapp), que está quase se aposentando, acompanha os profissionais na viagem. Quando eles chegam em terras portuguesas, no entando, nada ocorre como haviam planejado.

A próxima dica também é um filme, o conhecido Capitães de Abril. O drama é um pouco confuso, mas é um bom filme. Um dos capitães do título é Salgueiro Maia, vivido por Stefano Accorsi, um dos principais líderes do movimento e figura referenciada até hoje em Portugal. O filme chegou a competir no Festival de Cannes, mas sem sucesso.

 

Sinopse do AdoroCinema: Em Portugal, na noite de 24 de abril de 1974, o rádio tocava uma canção proibida, “Grândola”. Era o esperado sinal para o grupo militar que iria mudar o destino do país. Ao som da voz do poeta José Afonso, as tropas avançaram, marchando sobre Lisboa. Em contraste com a trágica tentativa do ano anterior, a Revolução dos Cravos se desenrolou como uma grande aventura, em busca da paz e de lirismo.

A próxima dica é um documentário. “Portugal 74-75” – O retrato do 25 de Abril, de 1994, produzido pelos jornalistas Joaquim Furtado, José Solano de Almeida, Cesário Borga e Isabel Silva Costa. Pela cronologia presente no título, o leitor nota que ele não se restringe aos Cravos.

Exemplo da propaganda ufanista do regime de Salazar. Imagem retirada do blog: http://salazarvaiaocinema.wordpress.com/

Exemplo da propaganda ufanista do regime de Salazar. Imagem retirada do blog: http://salazarvaiaocinema.wordpress.com/

Aborda o golpe que pretendia acabar com a guerra colonial, o desejo de liberdade da população, a seguinte disputa política pela extrema esquerda e encerra com a Constituição de 1975, citada na introdução.

Documentário na íntegra

 

A próxima dica também é um documentário. Uma espécie de “direito de defesa”, o que tento fazer por aqui no blog. Salazar, ditador de Portugal por quase quarenta anos, ainda é uma figura influente na sociedade portuguesa. E uma figura também querida ou louvada. Foi eleito “O Maior Português de Sempre” pelo programa Os Grandes Portugueses, da RTP.  A escolha foi bastante criticada, por nomes como José Mattoso, António Reis e António Manuel Hespanha, autores e intelectuais portugueses bem estudados por aqui. O programa resultante está aqui, na íntegra

 

A última dica é um livro. A Revolução dos Cravos, do professor Lincoln Secco. O livro era editado pela Alameda, mas está fora de catálogo. Você pode achar uma ou outra cópia no Estante Virtual. Existe também uma versão paradidática do livro, bem menor (apenas 91 páginas), voltada ao público juvenil, editada pela IBEP como parte de sua coleção Rupturas. cravosA menção do post de hoje é a sátira Capitão Falcão. O filme, que rendeu outras mídias, apresenta o “primeiro super-herói Português”, “defensor do Estado Novo e do regime de Salazar contra a invasão comunista!”. Com um visual inspirado nos heróis das décadas de 1930 e 1940, como o Besouro Verde, o Capitão Falcão e seu ajudante, Puto Perdiz, lutam contra vilões que usam foices e martelos. Não sei se foi intencional, mas a fotografia deixa o filme muito parecido com a série clássica do Batman, com Adam West (aquela em que apareciam “soc”, “tum” e “pow” quando eles batiam nos capangas). Você pode acessar o site oficial do projeto aqui, ou ler uma resenha da Folha.

 

Gostaram? Não gostaram? Mais dicas? Comente.

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