Assembleia Geral da ONU – Prelúdio

Caros leitores,

Hoje, às dez horas da manhã, horário de Brasília, a Presidenta Dilma Roussef abrirá a 68ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas. Por isso, este é um post preliminar, voltarei no período da tarde para analisar (olha a pretensão do blogueiro) como foram os pronunciamentos e, claro, nos outros dias também pretendo escrever algumas bobagens por aqui. Vamos a algumas informações preliminares importantes. O debate da sessão (ou seja, os pronunciamentos de Chefes de Estado, etc.) durará de 24 de Setembro até quatro de Outubro (a Assembleia em si seguirá seus trabalhos até 15 de Setembro de 2014, em todas as comissões, comitês, etc.); a Presidenta e sua comitiva estarão em Nova Iorque, sede da Assembleia Geral, até quinta-feira, onde participará de algumas mesas das Nações Unidas, além de encontros e reuniões. Dilma já se encontrou com Cristina Kirchner, Presidenta da Argentina, com Bill Clinton, ex-presidente dos EUA e, amanhã, antes da abertura da assembleia terá um encontro privado com Ban Ki-moon, Secretário-Geral da ONU.

Assembleia Geral da ONU.  Foto: Site da ONU

Assembleia Geral da ONU.
Foto: Site da missão afegã na ONU

O pronunciamento de Dilma certamente abordará os escândalos de espionagem que envolve o governo dos EUA; e o fará com apoio de outros países, mesmo que informal. Já o tom do pronunciamento, saberemos depois de assistir. Normalmente o pronunciamento brasileiro que abre as sessões dura em torno de vinte minutos. Curiosamente, depois de Dilma, quem falará perante a Assembleia? Barack Obama; resta saber se ele já tem alguma resposta pronta, embora eu acredite que ele citará o caso de espionagem internacional de forma defensiva, provavelmente se concentrará em dizer como “encontraram” (e sabemos que não foi bem assim), com a Rússia, uma solução para o conflito na Síria, com uma postura ideológica de autoridade moral em relação ao uso de armamento químico.

Neste primeiro dia, dentre os pronunciamentos na Assembleia Geral, além de Dilma e Obama, destaco: o Presidente turco Abdullah Gül, que certamente falará da Síria; o Presidente do Chile, Sebastián Piñera, que possivelmente falará do comércio global e de uma possível reforma do Conselho de Segurança; Horacio Manuel Cartes, Presidente recém-eleito do Paraguai, que, especulo, se não tratar de temas globais, certamente falará da situação sul-americana, ou seja, tema que concerne ao Brasil; Hassan Rouhani, Presidente do Irã, em sua primeira participação, que provavelmente buscará um tom conciliatório, em contraste ao antecessor e, finalmente, José Mujica, Presidente uruguaio, que provavelmente criticará uma eventual intervenção militar na Síria, os casos de espionagem e uma possível falta de resultados concretos em relação á contenção dos efeitos da crise econômica.

A Assembleia será presidida por John William Ashe, que era embaixador de Antígua e Barbuda. O tema escolhido é A agenda de desenvolvimento pós-2015: preparando o cenário, que se refere a uma renovação da chamada “Agenda de Metas do Milênio”. Chega de especulação e palpite, voltarei de tarde, para falar sobre matéria concreta. Os próximos dias serão bastante agitados, e espero dar conta de tudo (e, pela primeira vez, concretizar plenamente essa intenção). Para ficar informado, você pode checar a agenda da Presidenta no Portal Planalto; a programação do debate no site da 68ª Sessão da Assembleia Geral da ONU; notícias e releases no site da Assembleia Geral da ONU; e assistir aos pronunciamentos e demais coberturas no site oficial das Nações Unidas UN Web TV.

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A maioria dos sites brasileiros, inclusive da “grande mídia”, sempre afirma que a Presidenta Dilma abrirá a Assembleia Geral, pois é “tradição” que o Brasil inicie as assembleias da ONU, mas raramente explicam o motivo da tradição, que, diga-se, não é escrita nem explicitada em nenhum tratado ou documento. Desde a primeira sessão especial da ONU, em 1947, aberta por Oswaldo Aranha, chefe da delegação brasileira, um brasileiro ou uma brasileira abre a Sessão. Existem três motivos que explicam o ocorrido, que inaugurou a dita “tradição”. Primordialmente, o Brasil foi o primeiro país do mundo que aderiu à Organização das Nações Unidas, ainda em 1945. Segundo, em 1947 o país era visto como não só uma das potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial, mas o único país ainda não alinhado totalmente na bipolaridade da nascente Guerra Fria; ou seja, nenhum dos dois blocos que já se desenhavam teria fortes objeções ao Brasil (em contraste, seria impensável uma das superpotências, União Soviética ou EUA, dispor de tal prerrogativa sem protestos da outra). Finalmente, uma razão não oficial é que tal prerrogativa simbólica é uma espécie de “prêmio de consolação”, já que durante a Conferência sobre Organização Internacional das Nações Unidas, em São Francisco, entre Abril e Junho de 1945, que formulou a Carta de São Francisco (que estabelece a ONU), foi cogitada a inclusão do Brasil no futuro Conselho de Segurança, como potência efetivamente vencedora da Segunda Guerra Mundial, mas, como se sabe, isso não aconteceu.

Caso queira saber mais sobre o papel do Brasil na fundação da ONU, inclusive sobre ser o primeiro país a aderir e o quase estabelecimento do Brasil como sexto membro permanente do CSNU, existe o livro Sexto membro permanente: O Brasil e a criação da ONU, de Eugênio Vargas Garcia, com prefácio de um dos principais intelectuais brasileiros da área, Gelson Fonseca Júnior, da editora Contraponto.

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