Xadrez Dominical (13) – Israel e Palestina

Caros leitores

No dia 13 de Setembro de 1993 foi assinada a Declaração de Princípios sobre as Negociações do Auto Governo Interino, mais conhecida como Acordo de Oslo, mais conhecida como “O acordo de paz entre Israel e Palestina quando o Rabin e o Arafat se cumprimentaram na Casa Branca com o Bill Clinton”. Por conta desse aniversário de 20 anos de uma data de grande força simbólica, o tema do Xadrez Dominical de hoje é a relação Israel-Palestina.

Foto: Vince Musi/Casa Branca

Foto: Vince Musi/Casa Branca

Yasser Arafat, líder palestino, e Yitzhak Rabin, Primeiro-ministro israelense, dividiram (junto com Shimon Peres, político israelense) o Prêmio Nobel da Paz de 1994. Infelizmente, a data, hoje, é simbólica, já que o processo de paz na região regrediu bastante; tecnicamente, esse acordo é chamado de Oslo I, já que houveram outros tratados posteriores. Motivo importante da regressão no processo de paz foi o assassinato de Rabin, por um sionista radical que era contra a paz com os palestinos. O vídeo do assassinato está aqui (escolhi um que não contém imagens tão fortes). No caso de Arafat, especula-se que ele pode ter sido envenenado; de qualquer forma, recomendo assistir seu pronunciamento na ONU, em 1974, com a famosa frase “Eu venho com um ramo de oliveira em uma mão, e uma arma em outra; não deixem o ramo de oliveira cair da minha mão”. Infelizmente não achei o vídeo com o discurso na íntegra e legendado; na íntegra, apenas se você souber árabe.

A origem do conflito está, obviamente, na fundação do estado de Israel, em 1948 (um esclarecimento posterior, pra evitar mal-entendidos e interpretações dúbias: meu caro amigo e consultor para assuntos israelenses e judaicos, Daniel Douek, me lembrou que o conflito, strictu sensu, não iniciou em 1948. Usei a data apenas como corte cronológico para o tema do post de hoje, não como argumento, e, de fato, o conflito na região remonta ao século XIX) ; é sobre esse período que trata o documentário O Longo Caminho Para Casa, ganhador do Oscar de Melhor Documentário em 1998. Do “outro lado”, o marco da causa palestina, quando ganhou visibilidade mundial, foi o assassinato de onze atletas israelenses na Olimpíada de Munique, em 1972, pela organização Setembro Negro, tema do documentário Munique, 1972: Um Dia em Setembro, que também é vencedor do Oscar de Melhor Documentário, em 2000. O documentário inclui entrevista com o único palestino sobrevivente da operação. Finalmente, em documentários, um preferido do blogueiro, que assisti tem muito tempo: Promessas de um novo mundo, de 2001, que entrevista crianças palestinas e israelenses, algumas querendo paz, outras já demonstrando ódio ao outro. Pouco divulgado é que, em 2004, fizeram uma pequena adição, chamada de Quatro anos depois, com as mesmas crianças, agora adolescentes, mudando, ou não, suas ideias (infelizmente, não achei essa versão).

Filmes. Ajami, filme israelense indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, é um filme com diversas histórias cotidianas no bairro de mesmo nome, um bairro em que pessoas de diferentes religiões coabitam, nem sempre de forma amistosa. A Banda não é um filme exatamente sobre o conflito Israel-Palestina; trata-se de um drama com toques de comédia, cuja história trata de membros de uma banda militar egípcia que se perdem em Israel, e como a cidadezinha israelense em que eles estão lida com esses estrangeiros árabes.  Finalmente, recomendo bastante Paradise Now, vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e primeira indicação palestina da história ao Oscar, trata de dois palestinos que estão em treinamento de homem-bomba suicida.

Música. Caso queira ouvir algo israelense, a música Together, do cantor local David Broza, foi escolhida como o Hino do 50º aniversário da Unicef,…

…mas, caso queira ouvir algo palestino, cujo principal estilo musical contemporâneo é o hip-hop como música de resistência e sobre a vida da população jovem, a referência é Shadia Mansour, que está se tornando cada vez mais famosa.

Finalmente, Serj Tankian, vocalista do System of a Down, em seu disco solo de 2012, Harakiri, escreveu a música Occupied Tears sobre o conflito. Recomendo dar uma olhada na letra.

Leitura. A graphic novel Palestina, de Joe Sacco. Ponto final, sem discussão. Sem preconceito por se tratar de um quadrinho, é melhor que muito livro por aí. E, como já lembrei várias vezes aqui, os livros da Conrad podem ser comprados no fim do ano letivo, na Feira do Livro da USP, com desconto.

Espero que gostem das dicas.

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