G-20, primeiro dia: A insistência solitária de Obama

Caros leitores

Primeira vez que posto duas vezes no mesmo dia. Espero que um texto não comprometa nem a suposta qualidade do outro, nem a divulgação, mas, com tanta coisa acontecendo, era impossível deixar passar.

Hoje, dia cinco de Agosto de 2013, foi o primeiro dia da oitava Cúpula do G-20, que ocorre em São Petersburgo, com a presença da Presidenta Dilma Roussef. Os encontros de cúpula reúnem Chefes de Estado e Chefes de Governo de dezenove países (menos o Primeiro-Ministro australiano, que enviou representante), mais o Presidente da Comissão Europeia e o Presidente do Conselho Europeu. Estão representados ali os países responsáveis por 80% do PIB mundial, para discutir temas econômicos e financeiros; os temas de 2013 são: economia global e estabilidade financeira; o Marco para o Crescimento Forte, Sustentável e Equilibrado; cooperação tributária; criação de empregos; investimento e reformas estruturais; energia; desenvolvimento inclusivo; combate à corrupção; crescimento e comércio.

Agora, vamos trocar tudo isso em miúdos. Os principais tópicos econômicos serão a crise econômica, que começa a sair do eixo União Europeia-EUA e afetar os países ditos emergentes, e as questões cambiais, para evitar uma guerra cambial. Além disso, é o primeiro encontro público entre Obama e Putin desde o caso Snowden e o cancelamento da visita de Estado, e o clima político na Síria e os recentes escândalos de espionagem dos EUA certamente estarão no ar de uma cúpula que deveria ser exclusivamente econômica e financeira. Numa perspectiva brasileira, também deve ser mencionado o encontro informal dos líderes dos BRICS.

Dilma (Brasil), Singh (ìndia), Putin (Rússia), Xi Jinping (China) e Jacob Zuma (África do Sul) Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Dilma (Brasil), Singh (Índia), Putin (Rússia), Xi Jinping (China) e Jacob Zuma (África do Sul)
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Em relação aos assuntos econômicos pertinentes ao G-20, resultados, ou a falta deles, somente serão notáveis no encerramento do encontro, amanhã. Mas, da nota sobre a reunião dos BRICS, já podemos tirar algumas informações. Obama e os líderes europeus serão pressionados em temas cambiais e sobre o “aumento da volatilidade do mercado financeiro e do fluxo de capitais nos últimos meses”. Os BRICS também insistirão na reforma do Fundo Monetário Internacional e provavelmente colocarão esses temas à mesa com uma “sugestão” de que as arestas sejam aparadas até a 9ª Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio, em Dezembro.

Sobre a Síria, em entrevistas e conversas informais, já que, repito, o tema não é pauta do encontro, o vice-ministro das Finanças da China, Zhu Guangyao afirmou que uma intervenção na China causaria prejuízos à economia mundial e poderia elevar o preço do petróleo. O presidente da Comissão Europeia, o português José Manuel Barroso, alertou para a tragédia humanitária com elevado número de refugiados e afirmou que o conflito necessita de solução “política”. Conclusão: Obama se viu cada vez mais isolado, e sua última chance é no jantar de hoje, já que Putin disse que “faz questão” de tratar do tema durante o jantar.

Falando em Obama, alguns momentos Caras no blog. O encontro entre Putin e Obama foi extremamente formal, sem troca de palavras amigáveis (ao contrário do típico de ambos os Presidentes). Não houve encontro separado entre os dois e, em todas as imagens divulgadas, ambos conversavam amigavelmente com diversos outros membros de delegações, mas nunca entre si. Para completar o cenário, Obama confirmou um encontro, amanhã, com ativistas russos para discutir a lei “anti-gay” de Putin.

Foto: Yuri Kabodnov/AFP

Foto: Yuri Kabodnov/AFP

Obama também se atrasou para o jantar oficial do G20. A Presidenta Dilma também. Ambos chegaram atrasados e separados. O analista político Mark Knoller divulgou que a Casa Branca confirmou, posteriormente, que o atraso foi devido um encontro informal e privado entre os dois líderes. O motivo não foi citado. Mas não resta dúvida de que trataram do escândalo de espionagem e da revelação que a própria Presidenta teria sido espionada. Há inclusive uma distensão que pode levar ao cancelamento da visita de Estado de Dilma aos EUA, prevista para Outubro.

Conclusão desse blogueiro, sobre esse primeiro dia, sem informações divulgadas ainda de como foi o jantar do G20: Na obstinação de debater o assunto Síria, Obama ficou isolado, sem apoio nem de aliados europeus, e os temas econômicos, essenciais para o momento global, serão tratados amanhã, de forma apressada, e muitas pautas serão transferidas para a conferência da OMC em Dezembro. Nesse primeiro dia, em decorrência disso, quem ganharam foram os BRICS e Putin; a economia mundial pode ser prejudicada não apenas pelo conflito na Síria, mas pela insistência de Obama.

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O site oficial do evento, em inglês, está aqui.

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