Xadrez Verbal Podcast #17 – Relógio do Ahmed, Japão e Jerusalém

Um menino fazer um relógio para a feira de ciências do colégio é algo bom, certo? Depende. Do quê? Imagina. Falamos do garoto Ahmed, que vai conhecer Obama após ser preso de forma surreal. Tratamos novamente do Japão, seu crescente armamentismo e a porradaria entre seus senadores ao discutirem enviarem tropas para o exterior. E, claro, o documento JENIAU do seu ministro da “educação” sobre as ciências humanas.

Coreia do Norte, Mauro Vieira no Líbano e, no Xeque da semana, discutimos os confrontos em regiões consideradas sagradas de Jerusalém e os riscos envolvidos, com alertas da ONU e do Rei da Jordânia. Afinal, Jerusalém tem dono? Burkina Faso, peões da semana, terremoto no Chile, dicas culturais, Venezuela, Colômbia e um sensacional Menino Neymar cortesia do tradutor online.

Você nem sempre tem tempo, mas precisa entender o que acontece no Mundo, ainda mais porque o planeta está uma zona. Toda semana, Matias Pinto e Filipe Figueiredo trazem pra você as principais notícias da política internacional, com análises, críticas, convidados e espaço para debate. Toda sexta-feira, em menos de uma hora, você se atualiza e se informa.

Image: Ahmed MohamedDicas do Sétimo Selo

Filme A Vida de Brian, trailer aqui

Livro A fantástica vida breve de Oscar Wao

Textos

Humanities under attack, no Japan Times

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assinaturaFilipe Figueiredo, 29 anos, é tradutor, estudante, leciona e (ir)responsável pelo Xadrez Verbal. Graduado em História pela Universidade de São Paulo, sem a pretensão de se rotular como historiador. Interessado em política, atualidades, esportes, comida, música e Batman.


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25 Comentários

  • Felipe a parte boa do Japão fechar faculdades de humanas pro brasileiro é bom porque você aprende a falar japonês e vai pro Japão e começa e advogar por la da aula de historia e ainda ganha bem

  • Saudações,

    Conheci recentemente o site e consequentemente o Podcast. Acho muito interessante os debates levantados por vocês, bem como o seu desenvolvimento irreverente. Gostaria de deixar aqui uma contribuição de outros pontos de vista a respeito de dois assuntos comentados no ultimo Podcast.

    Primeiro, o caso Ahmed Mohamed. Analisando o caso Ahmed, somando aos fatos do acontecido, o de que Ahmed Mohamed é provavelmente o nome mais estereótipicamente árabe que eu poderia imaginar, levasse a crer, principalmente por causa da imprensa, que esse é um caso ligado diretamente a raça do garoto, mais até do que o medo do terrorismo em si. No entanto basta analisar outros casos como os de crianças punidas com suspensão ou mesmo expulsão de escolas apenas por imitar o formato de uma arma com a mão, ou ainda o caso do pai que foi preso porque a filha desenhou uma arma no quadro da escola. Basta fazer um procura um pouco mais caprichada para encontrar por casos de pessoas, crianças, até mais novas que o próprio Ahmed, brancas, que sofreram punições iguais ou piores pelas maiores trivialidades possíveis.

    Isso se deve a paranoia americana fomentada desde o 11/09 e todo contexto criado desde então, considerando ainda, os até relativamente recentes, atentados armados por jovens em escolas e locais públicos no país. Isso criou, especialmente em escolas, essa paranoia maluca explicita que para nós brasileiros e extremamente difícil de entender (não que ela seja justificada).

    Existe preconceito baseado em cultura, etnia e religião? Obvio que existe, isso é inegável, porém em casos como esse, a história aqui deveria ser a respeito da incompetência da polícia por prender uma criança sem se quer averiguar a realidade dos fatos, basicamente por reagirem pelo medo, no susto. O ponto é que esse tipo de coisa simplesmente não deveria acontecer com criança alguma.

    O que vejo na internet, principalmente em redes sociais são pessoas que deveriam estar juntas discutindo e botando em pauta essa política de segurança baseada na paranoia, se dividindo, não só no assunto em questão, querendo sempre encaixar esses debates que deveriam ser mais amplos em minorias especificas, polarizando a discussão e no final das contas o mais importante é deixado de lado e questões como essa continuam acontecendo.

    O segundo assunto é a questão envolvendo as ciências sociais e humanas no Japão. De forma geral, obviamente concordo plenamente com vocês quanto ao posicionamento em relação a essa arbitrariedade. No entanto, acho importante todos fazermos um rápido exercício e analisarmos todo o contexto japonês. Primeiro, é um país que está vivendo uma grave crise de natalidade, fenômeno que está gerando menos bebês e cada vez mais idosos, e a médio longo prazo pode ter graves consequências. Segundo, é um país que está propenso a absolutamente quase todos os grandes desastres naturais possíveis, terremotos, tsunamis, vulcões, furacões, tufões, etc.

    Considerando as razões mencionadas acima, acho que não fica tão custoso presumir a razão desses conselhos, não só o de educação, serem compostos na sua grande maioria por engenheiros e economistas.

    O caso é que de um escopo mais geral, essa decisão é facilmente classificada como arbitraria e sem sentido, contudo analisando isso com a visão de quem tem que lidar com a realidade descrita anteriormente na prática, de problemas populacionais, econômicos e de infraestrutura, não fica tão difícil imaginar o por que da necessidade do foco em áreas “mais úteis para a sociedade”, como foi dito pelo ministro.

    Bom, esses são resumidamente, dois pontos de vista os quais me deparei ao refletir sobre esses assuntos, muito por que vivi um pouco da realidade desses dois países por um tempo.

    Gostaria de agradecer pelo trabalho de vocês, muito construtivo no sentido de informar e fomentar debates os quais a maioria das pessoas infelizmente não tem acesso.

    Um abraço.

    Rafael Henrique.

    Ps: Seguem algumas referências em relação ao que foi citado no texto de casos de pessoas punidas pelas maiores trivialidades possíveis.

    http://www.dailymail.co.uk/news/article-2107461/Jessie-Sansone-Canadian-man-shocked-arrest-daughter-drew-picture-gun-school.html

    http://toprightnews.com/high-school-student-suspended-for-shirt-quoting-the-2nd-amendment/

    http://edition.cnn.com/2014/03/04/us/ohio-boy-suspended-finger-gun/

    http://www.huffingtonpost.com/2015/03/06/6-year-old-fingers-shape-of-gun-suspended_n_6813864.html

    http://www.cbc.ca/news/canada/student-suspended-for-chicken-finger-gun-1.288498

    https://www.bostonglobe.com/metro/2014/11/19/fifth-grader-suspended-for-pointing-imaginary-gun-his-hand/I7MqowzO5yEP5yb4IFXemN/story.html

    http://www.komonews.com/news/local/Edmonds-students-suspended-for-using-Nerf-gun-at-school-210013811.html

    http://gizmodo.com/394544/optimus-prime-t-shirt-transforms-into-arrest-threat-at-airport

    • Rafael,

      Obrigado pelo seu comentário.

      Sobre seu primeiro ponto, acredito que as comparações não são válidas; pior, sustentam o ponto do Matias. De todos os casos que você colocou os links (e eu abri todos), nós tivemos um pai que foi detido e uma ameaça de prisão.

      O pai que foi detido tem 26 anos, maior de idade, não foi preso, não sofreu queixas e voluntariamente aceitou uma busca em sua casa.

      A ameaça de prisão por causa da camiseta dos Transformers foi a um imigrante/descendente de (provavelmente) indianos ou bengalis.

      Todos os outros casos envolveram suspensões das escolas. Podemos, e devemos, discutir essa paranoia e como afeta o cotidiano de todos. Eu mesmo perguntei se os terroristas venceram. Mas note que nenhuma criança foi presa e algemada, sem a presença de um maior de idade. Nenhuma dessas crianças causou uma foto como esta: http://cdn3.lastresistance.com/wp-content/uploads/2015/09/Ahmed-Mohamed-clock-e1442437647962.png

      Sobre a relação de taxa de natalidade com cadeiras universitárias, ao que me consta, advogados, economistas, historiadores, etc, também possuem filhos. E também são essenciais na reconstrução de uma sociedade vítima de um desastre natural.

      Um abraço e obrigado pelo apoio

  • É um dos temas mais interessantes, quando falamos sobre refugiados, as pessoas não querem que eles cresçam, associam com os terroristas que fizeram ele fugir. Os cristãos, esquecem mesmo que eles, foram um dos maiores inquisidores do planeta. Sobre o Japão, que eles continuam atrasados com suas decisões estúpidas, deixam eles criar o caos lá e esquecer de suas próprias origens, esquecer seus direitos e esquecer a economia. Deixa eles são loucos. Quero ver depois, pessoas brasileiras pra dizer que lá é exemplo. Para ver como a falta de HUMANIDADE é grande numa sociedade.
    Agora jornalismo brasileiro, na grandes industrias, tem péssimos jornalistas…..

  • Sabe oq é foda? afirmar q tudo isso q aconteceu com o moleque é pq ele “NÃO É BRANCO”, e sabemos q sua cor tem nada a ver com o ocorrido, simplesmente é seu nome e sua religião, se ele fosse filhos de mexicanos e se chamasse Jesus Silva vc acha q a professora pensaria q fosse uma bomba? q tudo isso teria acontecido? pffv né, não seja leviano querendo colocar problema onde não tem. Esse é o politicamente correto usado errado.

  • Sobre o caso do Japão, tem esse filme After the Dark http://www.imdb.com/title/tt1928340/ que é um bom exemplo de como é importante ter a diversidade de cursos.

  • Acho que o caso do Ahmed não tem muito a ver com islamofobia como foi espalhado. Nos EUA existe uma paranoia com qualquer coisa que seja relacionada a armas/bombas + escolas e esse é o maior problema neste caso. A polícia sabia que não se tratava de uma bomba (tanto que nem esquadrão anti-bombas foi chamado e nem a escola foi evacuada), porém no Texas é crime portar algo que se pareça com uma bomba (vai lá saber o que eles consideram como parecido com uma bomba). Dezenas ou centenas de casos de suspeitas de bomba acontecem nos EUA todos os anos. Existem também vários outros casos de crianças que não são muçulmanas e que já saíram da escola algemadas por atos semelhantes ao do Ahmed. Logicamente o dele ganhou destaque por ele ser muçulmano. E, diferente do que foi dito no programa, Ahmed não levou o relógio para uma feira de ciências. Não havia feira de ciências. Ele mostrou para um professor (se não me engano de eletrônica) que achou legal mas pediu para ele não ligar o relógio na escola (o relógio funciona ligado na tomada). Ainda assim o menino ligou na tomada na outra aula e o relógio apitou, o que assustou a professora.
    E por que a professora se assustou? Porque existe uma paranoia maluca nos EUA. Acho que o problema seria o mesmo se fosse o menino branco, a diferença é que não seria tão noticiado. Espero ter contribuído para a discussão.

  • Bem, dessa vez não vai ser um comentário construtivo, só um complemento do meu comentário do podcast anterior (Da S&P). Por mais que não concorde com alguma coisa que vocês dizem, vocês são os progressistas mais legais que “conheço”. Parabéns e continuem assim.

  • Pingback: Reminiscências do relógio de Ahmed | Xadrez Verbal

  • Xadrez Verbal é tão sensacional, tão sensacional, que dá vontade de mandar fazer uma escultura do Filipe nu e colocar na entrada da minha casa num chafariz.

    Queria ter conhecido esse trabalho incrível antes, logo eu conseguirei zerar todos os textos e vídeos, pois com os podcasts, a missão está cumprida!

  • Quero só comentar que Japão não tem uma cultura tão pacificista, como deu a entender no podcast. Apesar das seitas budistas pregarem a paz, a religião predominante no Japão é o xintoísmo e eles não são particularmente pacifistas. Pelo menos até antes da revolução meiji, onde adotou posturas imperialistas tão em voga na época, o Japão conciliava filosofia ao combate armado, tradição quebrada atualmente devido a vários fatores. Eles não tem uma história pacifica, mesmo que a maioria de suas guerras tenham sido internas e que passou muito tempo desmilitarizado. Algo legal de comentar também é a notícia recente da busca do acordo de paz entre Rússia e Japão (também seria legal comentar em um episódio do podcast que eles nunca terminaram a segunda guerra mundial oficialmente). Gosto muito do seu podcast, desejo muito sucesso para vocês

  • Filipe e Matias, recentemente o site Cracked fez um artigo sobre a realidade dos refugiados na europa, fala sobre os motivos, sobre as tentativas de atravessar as fronteiras, quem são, o que tá acontecendo por lá, etc. Em geral, um texto para tentar entender um pouco melhor sobre as *pessoas* envolvidas, para que entenda-se que são sim pessoas e que precisam sim de ajuda.
    Segue o link: http://www.cracked.com/personal-experiences-1916-we-met-syrias-war-refugees-7-awful-things-they-told-us.html

    PS.: Não sei se esse seria o melhor post para comentar, mas como eu só acompanho o Podcast, vai aqui mesmo

  • Pingback: Dragões de Garagem #62 Carl Sagan: Contato | Dragões de Garagem

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