Breves e preliminares considerações sobre as eleições brasileiras

– Comentei, em meu perfil pessoal do Facebook, que a falta de consistência da Marina nos debates, a campanha fraca (do ponto de vista partidário) e a diminuição dos sentimentos após a morte de Eduardo Campos fariam com que Aécio fosse para o segundo turno. Aconteceu.

– Parte disso é também mérito de Aécio, que foi bem nos debates, conseguindo ao menos demarcar uma posição.

urna

– O apoio de Marina no segundo turno é uma incógnita. Em 2010, ela não apoiou ninguém e a tendência é que repita o procedimento. Além disso, ela não poderia falar absoluta pelo PSB, partido que, historicamente, está muito mais perto do PT.

– Num segundo turno marcado pela polarização PT e PSDB, os votos restantes provavelmente serão divididos praticamente em termos iguais. O eleitorado mais conservador e os que votaram em Marina por achar que seria uma via “anti-PT” migrarão para Aécio. O eleitorado mais identificado com a esquerda, que eventualmente votou em Marina pela sua militância ambiental, por exemplo, provavelmente migrará para Dilma, por rejeição aos tucanos, assim como os da quarta colocada, Luciana Genro. Finalmente, justamente por causa da polarização, muitos votos serão nulos.

– Se o segundo turno fosse Dilma e Marina, os votos de Aécio migrariam em peso para a Marina, por rejeição ao PT e Dilma. Simplesmente invertendo as candidaturas, se Marina tivesse os quase 34 milhões de votos que Aécio possui até o momento, ela certamente contaria com os 21 milhões de votos conseguidos, hipoteticamente, por Aécio (que é, concretamente, a votação de Marina).

– Sendo assim, o cenário de segundo turno entre Dilma e Aécio favorece a situação.

– Em números relativos, Marina conseguiu pouco mais do que conseguiu em 2010. Por diversas razões, que serão analisadas em um texto próprio. A questão é: talvez Marina seja uma figura de Legislativo nacional, até mesmo Ministra de Estado ou governadora de alguma unidade da federação. Ela não consegue amalgamar um grande eleitorado e suas campanhas são erráticas, algo que será discutido aqui. Talvez seu eventual papel seja como os casos comentados por Jessica Voigt.

– Sobre os nanicos, nenhuma surpresa. Luciana Genro com cerca de 1.5% dos votos, Everaldo e Eduardo Jorge entre 0.5 e 1%, Levy Fidelix com menos de 0.5%. Zé Maria, Mauro Iasi, Eymael e Rui Costa Pimenta não chegaram ao 0.1%

– Diversos casos pontuais de falhas e erros de votação chegaram à mídia. Eu mesmo passei por um, um claro erro de mesário. Quem se sentiu prejudicado, seja pessoa ou partido, deve procurar autoridades competentes; especialmente, no ato. Todo local de eleição contava com policiamento, por exemplo. Espalhar teorias da conspiração pelo Facebook não é muito produtivo.

– Deve-se registrar a falha abissal das pesquisas nos números de Aécio e de Marina.

– Nacionalmente, cerca de 20% do eleitorado se absteve. Para Presidente, 4% votou em branco e 7% votou nulo. Os números são aproximados já que os instantes finais da apuração ainda estão em curso. Em São Paulo, os votos nulos são quase 10%.

– Falando em São Paulo, na corrida pelo Senado, além da já prevista vitória de José Serra, é de surpreender a minguada votação de Gilberto Kassab, ex-prefeito da metrópole paulista. Apenas cerca de 6% dos votos.

– Minas Gerais, foco de muita propaganda de Aécio (“Minas Gerais sabe o que eu fiz”, em debate nacional), tem maioria de votos em Dilma Roussef e elege, em primeiro turno, Fernando Pimentel, do PT, para o governo. É a primeira vez que Minas Gerais elege um governador do PT.

– Em quase primeira vez…o Maranhão elege alguém fora do clã Sarney, com Flávio Dino, do Partido Comunista do Brasil. Que é coligado, no estado, com o PSDB.

– Forte reduto do PT, o Rio Grande do Sul verá um segundo turno entre José Ivo, do PMDB, e Tarso Genro, do PT. Ana Amelia Lemos, embora muito bem colocada nas pesquisas, ficou de fora. Para Presidente, o estado está praticamente dividido.

– Boa parte das últimas urnas a serem apuradas (e que ainda estão por apurar) são de estados onde Dilma já estava com larga vantagem; tudo indica que a diferença entre Dilma e Aécio será maior que os cinco pontos comemorados pelo PSDB em certo momento.

– José Serra conseguirá cumprir um mandato de oito anos?

– Mais tarde, ou amanhã, trataremos das bancadas legislativas.

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