Rodrigo Constantino: um contraditório sem medo de expor ranço ideológico

Leitores, como sempre que necessário, aviso que o texto que segue é um pouco maior que o normal; peço a paciência e a leitura. Na verdade, são dois textos em um; fiz uma pequena separação e o leitor pode dividir sua atenção e seu tempo, se assim desejar.

Caros leitores,

Nesse espaço, é costumeiro que se trate de política, política internacional, alguns debates. Normalmente fala-se de ideias, sejam as minhas ou as outras. Quando se fala de pessoas, normalmente são Chefes de Estado ou proeminentes no cenário político nacional; ou seja, pessoas que afetam nosso cotidiano e o panorama atual com suas ideias. Resumindo, o Xadrez Verbal é um espaço criado para falar de ideias; porém, terei que abrir uma exceção nessa regra hoje, como visto já no título do post. Não que a prioridade aqui tenha mudado, na verdade é uma preferência do próprio citado, explicitada em um de seus textos direcionados ao Deputado Federal Jean Willys. Então, que me chamem de muita coisa, mas não de covarde ou de fugir de um “debate aberto”. Este texto tratará também de ideias, não se preocupe: das ideias equivocadas sobre política internacional.

Foto: rodrigoconstantino.blogspot.com

Foto: rodrigoconstantino.blogspot.com

Mencionei, semana passada, que, por conta do Carnaval, alguns temas que gostaria de abordar aqui seriam adiados, por motivos diversos. Um desses temas que eu já gostaria de ter discutido é um dos presentes neste post: a coluna, intitulada “Rabo de sardinha”, de Rodrigo Constantino, publicada na edição impressa da revista Veja de duas semanas atrás. Um trecho dela está em seu blog, e você pode, caso queira, achar a coluna na íntegra com certa facilidade, via uma rápida busca (não coloco um link direto aqui pois não tenho os direitos sobre o texto, e o próprio Constantino não o publicou). Analisarei o texto e seus principais argumentos aqui, então, a leitura prévia não é necessária para o entendimento dos parágrafos que seguem.

O resultado usual quando um profissional de imprensa (jornalista, redator, analista, blogueiro, comentarista, etc.) sai de sua área de expertise é um produto falho, ou subjetivo ou superficial. Isso é especialmente frequente quando tratam de política internacional ou política externa brasileira na mídia; desde pequenos erros factuais até julgamentos errados baseados em conversa de mesa de bar. O texto de Constantino é um exemplo preciso desse fenômeno. Não se trata de discordar de sua posição política (mas sim de como ele expressa isso, como verão adiante) ou de desqualificar sua formação acadêmica e profissional; ele é economista, e o texto muito pouco fala de economia em si. Trata-se apenas de constatar que é um texto carregado de erros, de contradições do autor e de subjetividades.

Tal subjetividade pode ser vista na presença em grande número de adjetivos, contrariando regra básica da produção textual. Vejamos alguns (os objetivos) dos argumentos de Constantino. Nas primeiras linhas ele afirma que o “MERCOSUL é uma camisa de força ideológica”. Os principais tratados de formação do MERCOSUL são o Tratado de Assunção, de 1991, e o Tratado de Ouro Preto, de 1994. Considerando a primeira data e os quatro países fundadores (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), são vinte e quatro Chefes de Estado diferentes, de onze partidos (contando aí Presidentes que assumiram em crises institucionais, como Itamar Franco no Brasil). Em 2012 houve a adesão da Venezuela (mais dois Presidentes de um partido) como membro pleno e, progressivamente desde 1996, Chile, Bolívia, Peru, Colômbia e Equador são Estados associados. É absolutamente impossível classificar um bloco com mais de vinte anos de existência, que passou por diversos governos, de “homogêneo” ideologicamente, quanto mais de “camisa de força ideológica”.

Ainda sobre a Venezuela e o MERCOSUL (a grafia correta é em maiúsculas, não estou gritando com você, leitor), Constantino comenta que a Venezuela não atende a cláusula democrática do grupo e, indiretamente, coloca esse fato como uma questão ideológica. Necessário lembrar que o ingresso da Venezuela ao bloco foi aprovado em todas as casas legislativas dos países membros, inclusive a brasileira; passível de crítica apenas o Senado paraguaio, que votou o tema durante a última crise institucional do país. Além disso, é bom também lembrar que o início das tratativas para o ingresso da Venezuela ao MERCOSUL foi dado pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso. FHC entendia que o bloco deve ser perene, independente dos governos do momento, e seu fortalecimento necessário. Justiça seja feita, FHC criticou o momento da adesão Venezuela, em meio à crise paraguaia; mas é um bom exemplo de perspectiva do tema, e um proveitoso resgate de memória.

Além disso, afirmar que a Venezuela não cumpria a cláusula democrática é uma afirmação complicada de se fazer. O tema é por demais extenso, e não é preto no branco; de fato, houve uma concentração de poder no Executivo venezuelano. Como contraste, o Carter Center declarou a eleição de Chávez em 2006 como legítima. O Carter Center, fundado pelo ex-Presidente dos EUA Jimmy Carter, já realizou missões de observação em 81 eleições nos últimos vinte e cinco anos. Sobre a atual crise venezuelana, a situação no país de fato é caótica e nebulosa, com fontes claramente comprometidas com um dos lados, seja ele qual for. Por isso que nos últimos dias não houve uma palavra sobre o tema aqui no Xadrez Verbal, e não será agora. Apenas deixo claro que isso não é nem de forma dissimulada, nem de agora. Inclusive, minha observação sobre a fala de José Miguel Vivanco, alegando omissão brasileira no vizinho, seria baseada em fontes posteriores, o que seria ilegítimo.

Outro de nossos vizinhos presente no texto é a Bolívia. Afirma que Evo Morales “enviou tropas” para invadir instalações da Petrobras; obviamente, Morales criou um circo midiático cujo único propósito era eleitoreiro, populista, soar justamente como alguém que “toma de volta” dos “estrangeiros imperialistas”, de acordo com a retórica de sua campanha. Acontece que foi apenas isso, como se sabe. O governo boliviano recuou e o acordo costurado posteriormente foi considerado vantajoso para ambas as partes, que incluiu os espanhóis, visto que os dividendos futuros compensariam os possíveis prejuízos presentes. Repetir esse mantra de “invasão” demonstra que, talvez, Constantino tenha caído em uma manobra midiática do tipo, e da ideologia, que tanto critica.

Falando da Bolívia ainda, afirma que o país conta com “a cumplicidade do Itamaraty ao manter aprisionado um senador de oposição por mais de 400 dias em nossa embaixada em La Paz”, em referência ao caso Roger Pinto Molina. Isso chega a ser nonsense; o processo de asilo político (e, posteriormente, refúgio) é feito por iniciativa do indivíduo, não há “aprisionamento”. Roger Pinto estava confinado na embaixada por falta de salvo-conduto boliviano apenas, ou seja, por responsabilidade boliviana. “Cumplicidade” seria recusar ao senador o seu pedido de asilo. Não faz sentido ver conivência brasileira em abrigar um político oposicionista, é exatamente o contrário. Tanto que Marcelo Ricardo Soza Alvarez, outro opositor de Evo, pediu refúgio no Brasil, certamente por não ver tal “cumplicidade”.

Ao escrever sobre Cuba e o porto de Mariel, Constantino faz vazia alegação de motivo ideológico para o financiamento do BNDES. Primeiro, o tema já foi abordado aqui no Xadrez Verbal, em um post explicativo; deixo o link, pois colar todo o texto aqui deixaria tudo muito poluído. Resgato um dos principais argumentos contra essa alegação ideológica, que é um argumento muito caro ao Rodrigo Constantino (como visto neste outro texto direcionado a Jean Willys), o da coerência. Se a pessoa critica os laços econômicos do Brasil com Cuba, pois é contra investimentos do BNDES no exterior (repito que, se alguém for contra todo e qualquer investimento externo do BNDES, é uma posição legítima), então, que se critique toda e qualquer operação do tipo. No exemplo dado em meu texto anterior, cito que a Colômbia, país mencionado como modelo por Constantino, também tem um projeto brasileiro na casa de um bilhão; ao buscar por “Colômbia BNDES” no blog de Constantino encontrei apenas um resultado, de 25/02/2014, que não menciona o investimento brasileiro. Claro que ele pode ter tratado do tema em outra fonte.

Ah, mas a Colômbia é uma democracia e Cuba é uma ditadura. Correto. Então, se o motivo da crítica é o fato de Cuba ser uma ditadura, que se critique as ligações econômicas brasileiras com a China; obviamente, apenas um louco defenderia isso, já que a China é o maior parceiro comercial do Brasil e líder do comércio mundial, com 17% de todo o volume. Ou seja, a perspectiva ideológica de toda a operação envolvendo o porto de Mariel é justamente a de Constantino. Isso fica explícito em sua pergunta retórica ao fim do parágrafo que fala de Cuba: “Alguém acredita?”; em outras palavras, ele duvida da lisura da operação, ele vê um conteúdo ideológico, mas não consegue sustentar suas suspeitas, apenas “fomentar a dúvida”.

Esses são os pontos principais e objetivos tratados no texto e vistos aqui. O restante do texto é ou subjetivo, adjetivado, ou cita temas aos quais Constantino não dedica muita atenção. Por exemplo, o perdão da dívida de alguns países africanos, que podem ter argumentos tanto contra quanto favoráveis. Ele também fala de tratados de livre-comércio e faz um paralelo com Chile e Peru; considerando a imensa diferença no tamanho das economias, sem falar em diversos outros fatores, como população, recursos minerais, etc., já temos um sinal que a comparação é complicada, comparar maçãs com laranjas, como diz o ditado. E não se trata de achar que a atual política externa brasileira é infalível;  mas perceber que, em um texto sem sustentação e que faz diversas acusações partidárias e qualificações desabonadoras a tudo que o autor meramente discorde, o ranço ideológico que sobra é o de Rodrigo Constantino.

*****

Ontem, dia 13/03/2014, descobri outra contradição de Constantino. Ele advoga bastante (e com razão, e falo isso sem um pingo de ironia) por liberdade de expressão, democracia e contra tentativas de censura. Mas ele mesmo é um censor. Em seu blog ele tem três posts sobre a política de comentários: seu primeiro post, este aqui e o mais recente. Nos três ele afirma que pretende um debate e que comentários com ofensas não serão aceitos. Perfeito, concordo com os dois princípios, eles estão explicitados aqui no Xadrez Verbal e tento colocá-los em prática da melhor forma possível. Pois bem, ontem ele escreveu uma Carta Aberta a Letícia Spiller e, posteriormente, Um post scriptum na carta para Letícia Spiller; fiz questão de colocar os links para facilitar a vida do leitor, sem esse territorialismo ou bairrismo infantil de não acessar ou não linkar um blog ou site do qual você discorde. Até porque estou discutindo o conteúdo de tais textos (embora a leitura não seja estritamente necessária).

Na tal carta, Constantino usa o crime do qual a atriz Letícia Spiller foi vítima para fazer um discurso ideológico sobre as posições políticas da atriz, que “incentivam o crime” (aspas pois são palavras dele). Um discurso maniqueísta, carregado de referências ao bem, ao mal, ao lado certo versus o lado errado, transmitido por um texto que, novamente, é um compêndio de adjetivos. Repito, direcionado para uma pessoa que foi feita de refém dentro de sua própria casa nem vinte e quatro horas antes. Além de indelicado, Constantino ainda faz uma pequena propaganda de seu livro (oferece um exemplar autografado) e encerra com: “Te espero do lado de cá, o lado daqueles que não desejam apenas posar como “altruístas” com base em discurso hipócrita e sensacionalista”.

Pois bem, não resisti e tive que comentar, justamente pela natureza incrivelmente sensacionalista do texto dele. E não, não foi uma emboscada para Constantino, algo do tipo, objetivando este texto; primeiro, ele já era planejado, como mencionado. Segundo, entrei para ler sua carta por conta de uma vizinha que postou no Facebook; parece desculpa esfarrapada, mas não é, essas coisas são compartilhadas, é pra isso que servem as redes sociais também. Pois bem, transcrevo meu comentário na íntegra: “Um texto carregado de adjetivos e que usa (sim, o termo é esse, usa) um crime e uma situação de stress pessoal para fazer discurso ideológico (além de propaganda de livro) não é outra coisa senão sensacionalismo; a mesma coisa que o autor pretensamente aponta nos outros, sem se olhar no espelho.”. Você pode ver, se quiser, um print screen de quando postei o comentário (usando meu nome e email real)

Um comentário crítico e até ácido? Sim. Mas ofensas, palavrões, vocabulário chulo? Não há. E o comentário não foi aprovado. Talvez justamente por ter sido crítico sem as costumeiras ofensas que automaticamente deslegitimam o próprio comentarista. Ao menos, enquanto escrevo, o comentário não está lá (e entendo o volume de comentários que o post recebeu, mas vários outros comentários publicados no mesmo período estão ali). Curiosamente, no post scriptum, argumenta contra críticas parecidas com as minhas (diga-se: algumas estão publicadas sim). Afirma que a carta não continha ironia, não era uma forma de usar o sofrimento alheio e que não precisa fazer propaganda de seu livro. Tudo isso enquanto cita o elevado número de acessos, felicita-se com o número de elogios (que, convenhamos, na base da censura é algo fácil de atingir) e tece louvas ao próprio livro, com número de vendas e afirmando que não depende da renda de direitos autorais (ao mesmo tempo em que manda um recado para sua editora. Momento não muito propício).

Obviamente, enquanto checava se meu comentário não estava por ali, para não correr o risco de ser injusto em minha crítica, acabei por ler outros comentários. Na verdade, li os que ele respondeu, pois sua resposta aparecia em negrito, se destaca. E, falando em ser justo, diga-se que ele fez uma leve alteração em seu texto após uma crítica de um leitor, que Constantino reconheceu, na resposta, que o tom daquele trecho estava exagerado. De resto, suas respostas não pareciam ser a de alguém que preza tanto por um debate. Chamou uns dois de ignorantes. Para um, chamado “Rosca”, fala para trocar de óculos; para outro, disse que “sabia muito bem do que estava falando”.

Finalmente, para um comentário de cerca de quinhentos caracteres que pedia humildade e sensibilidade e o acusava de oportunismo, a resposta: “Senhor relativista, vc não sabe também se um nazista está certo ou errado? Não tome a sua ignorância sobre Cuba, Che e o socialismo como uma dúvida geral, ok?”. É necessário destacar que o comentário do leitor Bruno não falava nem de Cuba, nem de Che, nem de socialismo, muito menos de nazismo (cabe lembrar ao leitor da Lei de Godwin). Uma reação totalmente descabida e sem nexo nenhum com o comentário que pretendia responder. Verdade seja dita, todo mundo já deu uma resposta atravessada na internet, mas essa é, além disso, um exemplo cristalino da perspectiva enviesada de Constantino, já abordada.

Primeiro, foram os erros na coluna de Constantino, que expressa o ranço ideológico presente em seu texto, que ele explicita enquanto pretende apontar isso nos outros. Depois, sua maneira de expressar suas posições, que não colaboram nem um pouco para o pretendido debate, como respostas sem sentido e censura de comentários que atendiam os critérios explicitados por ele mesmo. Somam-se sua escrita carregada de subjetividade e de qualificações (ao menos em seu blog e em sua coluna, deixo claro que não estou falando de seus livros, pois não os li), além de um sensacionalismo, talvez momentâneo, mas, ainda assim, desnecessário. Como resultado temos o motivo do PT estar tem tanto tempo no poder, algo que incomoda o próprio Constantino; sim, pois se Rodrigo Constantino é hoje uma das mais proeminentes vozes da oposição ao governo, está demonstrado como o debate político nacional está mal.

*****

Me antecipo e deixo claro que não, o autor do blog não é “comunista/petralha/esquedopata” (se bem que de vez em quando sou chamado assim e, dependendo da origem, é até um alívio); se um rótulo for necessário, me identifico com a terceira via, como implícito neste post.

E também não, não sou um “defensor de bandidos”, como alguém poderia dizer da minha postura em relação ao texto para Letícia Spiller; talvez eu tenha deixado isso claro neste texto aqui.

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24 comentários

  • Excelente análise. Também acho que um dos problemas da oposição no Brasil (e de muitos de seus seguidores) é se deixar levar pelos textos e análises de tipos como Constantino, que acreditam não terem nada de ideológico e apresentarem isentas e lógicas reflexões. Parabéns pelo blog.

  • Fernando Cavalcanti

    Caramba, deixar de enxergar o óbvio ululante, eis o que é uma estar preso a uma camisa de força ideológica. No seu caso, a camisa de força burra e primária do esquerdismo brasileiro (e de qualquer país do mundo, sobretudo latinos). É a coisa mais pacífica do mundo que o Mercosul (sim, até nisso você errou, a regra diz que quando uma sigla puder ser pronunciada como uma palavra, e tiver mais de três letras, apenas a primeira letra deve vir em maiúscula; BNDES se escreve em caixa alta; Mercosul, não), continuando, o Mercosul transformou-se em um bando formado por políticos de esquerda desejosos da instalação de um poder socialista na América do Sul. Ou então, por que expulsaram o Paraguai, quando este deu uma guinada legal à direita, e acolheu a Venezuela, um dos países mais ao norte do continente? Afinal, o bloco foi formado para reunir os países sul-continentais, e isso está claro em seu nome. O Brasil, em vez de associar-se à Aliança do Pacífico, esta sim, reunindo países prósperos e economicamente viáveis, prefere aliar-se a países fracassados, derrotados, economias em frangalhos, e ainda por cima sendo liderado por esses países atrasados e retrógrados. É outra obviedade continental: quem lidera o bloco em que forma o Brasil, hoje, é Fidel e Maduro, principalmente o primeiro. É o típico caso do rabo abanando o cachorro.
    E, sim, não li tudo o que escreveu, não conheço toda a sua argumentação. Não aguentei ver o erro do MERCOSUL sendo gritado em maiúsculas toda hora, e abandonei o texto logo. Mas conheço o pensamento do Rodrigo Constantino, e conheço bastante da política regional deste continente para saber que ele está certo. E suas críticas são as críticas corretas nesse assunto.
    Volte às aulas de português antes de pretender dar aulas de “política internacional”. Quanta pretensão…

    • Primeiro, norma do MRE: http://www.mercosul.gov.br/ ou http://www.itamaraty.gov.br/temas/america-do-sul-e-integracao-regional/mercosul

      Segundo, muito adjetivo, muito ataque ao autor, pouca argumentação.

      Um óbvio abraço

    • Fernando, MERCOSUL é que está correto. Não porque é uma sigla, mas porque é o nome grafado desde os primeiros tratados. Além disso, não entendi porque não ler o texto integralmente só por causa de um possível erro tão pequeno que não mudaria gravemente o conteúdo real do texto…
      Sobre o MERCOSUL (ou, Mercosul, leia como bem entender), você cometeu erros. Expulsão do Paraguai ? Quando isso ocorreu, nos ilumine.
      Venezuela um dos países ao norte do continente ? Que continente ? A América do Sul ? Não faz sentido.
      Quem lidera o MERCOSUL é o Fidel ? Isso é teoria da conspiração ou tem alguma base fundamentada ?

      Sinceramente, esses fãs do Rodrigo Constantino são como eles: usam de falácias básicas, de dados que não existem (ou estão fora de contexto) pra fazerem proselitismo ideológico.
      O pior da oposição brasileira nem é a ideologia. Ideologia é complicado de se discutir, é complicado de discutir a visão que cada um tem do mundo. Mas essa falta de base, de fundamento, que essa chamada “direita” no Brasil insiste em ter atrapalha até mesmo o debate. Não há como debater com uma pessoa que frauda dados, censura comentários e faz propaganda ideologica de todas as formas possíveis, distorcendo as coisas, sem nem ter vergonha disso.

      Querem fazer oposição (parece coisa do macarthismo, mas tem conspiracionista pensando que isso tá realmente acontecendo) à “invasão socialista na américa do sul ?” Primeiro passo é estudar.

      Ótimo texto e ótimo blog.

  • Fernando Cavalcanti

    Se você não é capaz de perceber a ascendência que têm os irmãos Castro sobre todo o bloco constituído pelos países membros do Foro de São Paulo, então será difícil entabular qualquer debate.
    Quanto a estudo, recomendo o mesmo a você. Mas recomendo sobretudo que diversifique suas fontes, porque é flagrante que você não estuda nada, apenas bebe das “informações” propaladas pelos blogs financiados com dinheiro público, de “jornalistas” pé-de-chinelo prontos a veicular qualquer bobagem, a fabricar qualquer notícia, desde que a Petrobrás lhes encha os bolsos no final do mês. Você, provavelmente, também concorda com os “investimentos” brasileiros no Porto de Mariel, acha que eles são investimento de fato, e que o Brasil sairá lucrando nessa história, acha que a redução da maioridade penal é um absurdo defendido pela direita apenas para trancafiar pobres vítimas do sistema, talvez também acredite que o Brasil está no “rumo certo”, blá, blá, blá. De fato, sou de direita, conservador e reacionário. Pelo bom motivo de que estudei, e estudo, este país há pelo menos quatro décadas. Após ter votado no PT por três vezes seguida, acordei. Percebi, pela falência moral desse partido, a degeneração não apenas dele, mas de todo o ideário socialista, feito de mentiras, falseações e muita, muita ignorância mesmo.
    Eu não escrevo para convencê-lo. Após dois anos tentando acordar esquerdistas como você pelo Facebook, após ser expulso sistematicamente de grupos de esquerda naquela rede social (sempre após deixá-los completamente sem argumentos), tomei a decisão de não debater mais com esse pessoal. Pelo bom motivo de que desconhecem argumentos. Se você considera o Mercosul um bloco heterogêneo, então como começar qualquer debate? Resolvi respirar fundo e ler o que escreveu. E não vi ali nenhum argumento, apenas suas impressões vagas sobre o tema, tão embasadas quanto as que pretendia demolir – e até pior sustentadas – e repletas desses lugares comuns, desse discurso único tão tedioso que é a tônica do “debate” político no Brasil, falacioso desde as premissas até as conclusões..
    Mas em algo concordamos: o debate político neste país não vai nada bem. E pelo bom motivo que tem apenas um lado, é o samba-de-uma-nota-só, chocho, cinzento e monocórdio como tudo o que sai das esquerdas. Uma voz destoante qualquer que ouse contrastar o discurso dominante é tão violentamente atacada que só dá margem a uma conclusão: não querem debate nenhum, as vozes de oposição devem ser caladas, destruídas, afastadas dos centros mais “prestigiados” da imprensa nacional, e relegadas a blogs, a grupos isolados no Facebook, à margem de qualquer repercussão possível. É só ver a recepção que teve a Miriam Leitão quando o Reinaldo Azevedo, quebrando essa regra quase unânime, foi convidado a escrever na Folha.
    Boa sorte com seu discurso tão confortável, tão unanimemente aceito, tão a favor da onda. Talvez nos encontremos depois do abismo, lá embaixo, após o barco desgovernado conduzido pelo PT tiver seu mais que previsível fim. Então conversamos.

    • Caro Fernando

      Alguns esclarecimentos.

      Primeiro, você confunde o texto do blog com a resposta de outro leitor, chamado Nicolas, isso torna sua resposta bem dificil de acompanhar.

      Segundo, nem eu nem este blog recebem “dinheiro público”. Agradeço se esse tipo de insinuação não aparecer por aqui.

      Terceiro, seu comentáiro “geográfico” é risível, sinto muito. Seria a mesma coisa que condenar a presença turca na OTAN por esse país não ser banhado pelo Atlântico.

      Quarto, em nenhuma linha você dá uma informação factual ou uma correção objetiva, apenas suposições, perguntas retóricas e falácias, espantalhos e etc. E, por exemplo, se meu “discurso” fosse tão “a favor da onda”, você não estaria aqui, não? Imaginar que existe uma onda, parafraseando o Nicolas, parece coisa do macarthismo.

      E não precisa agradecer por ter aprendido a grafia correta de MERCOSUL, apenas diminua sua pretensão em corrigir os outros no futuro, quando você mesmo desconhece.

      Estou aberto a seus argumentos, desde que objetivos.

      Um abraço

    • Esse argumento de que só “bebo de informações propaladas pelo blogs financiados com dinheiro público” é bem do nível leitor da Veja mesmo, que acha que há uma conspiração pra fechar a boca do “povo de bem” que está lutando contra a “ascensão do comunismo no brasil”.
      Faça assim: pegue a sua revistinha e conte quanta propaganda (e dinheiro) governamental tem nela.
      Insinuar que todo mundo que discorda de você está “comprado” não é fomentar o debate, convenhamos.

      Te mandei estudar porque, pelos seus argumentos, parece que tudo o que você faz é reproduzir o discurso de rodrigos constantinos e reinaldos azevedos. Ser conservador, reacionário, de direita não tem problema. O Brasil não pode realmente ser um país de partido ou de ideologia únicas, como muitos por aí. Toda diversidade é boa.
      O problema é fundamentar a sua ideologia em falácias e ser “seguidor” de gente que distorce fatos pra vender livros e ganhar dinheiro como colunista. O pior é perder tempo e dinheiro com esse tipo de “intelectual”.

  • Fernando Cavalcanti

    Corrigindo: “… É só ver a recepção QUE LHE DEU a Mariam Leitão quando o Reinaldo Azevedo…”

  • Fernando Cavalcanti

    Outra coisa: você sabe ver um mapa? Não sabia que a Venezuela, ao lado da Colômbia, é o país mais ao norte da América do Sul, mais ao norte até que o Panamá, que fica na América Central? É banhado pelo mar do Caribe, como Cuba. O que faz um país desse em um “Mercosul”?
    Política internacional? Tem certeza que é essa sua área, se não sabe sequer disso?

    • É chato ter que comentar isso, mas a questão de não fazer sentido aceitar a Venezuela por que ela seria “do norte” é muito forçada. Melhor voltar para o argumento do apoio à ditadura. Ela ainda faz parte da América do Sul, não? Por favor me corrijam, mas penso que o Mercado Comum do Sul (por extenso, pra não dar treta) não restringe a entrada de novos membros pela posição de sua coordenada mais ao norte. Com relação à homogeneidade ideológica do bloco, se ela existe, então por que é tão difícil firmar acordos econômicos entre os membros? Ou mesmo com outros blocos?
      Gostaria ainda de comentar sua desistência em debater na internet, devido ao, como você declara, baixo nível intelectual e moral dos interlocutores. Sinto-lhe dizer, Fernando, mas nesse caso você não pode reclamar se existe uma suposta hegemonia ideológica no continente. A esquerda, com todos os seus defeitos, não cansou de debater. Hegemonia que há no Brasil é a da apatia e do tédio. Se o senhor é professor, sabe do que falo.
      Grato pela atenção.

    • O MERCOSUL é um mercado do cone sul. Como você mesmo disse, a Venezuela está na América do Sul. MERCOSUL = países da América do Sul.
      Talvez você não saiba, mas a Colômbia (que também tem mar no caribe) e o Equador são membros associados do Mercosul. E ai ? Não pode, porque eles tão no “norte” ?

    • Fernando, volta! Tava tão legal ver a surra que tu tava levando aqui na discussão! haha… E eu aqui, sentadinha, lendo com atenção e aprendendo “como é que se faz”.

  • Ótimo artigo, Filipe.
    Discussões políticas são sempre bem-vindas, ainda que exista uma polarização cada vez mais inequívoca em nosso país (e ainda assim longe do que acontece, por exemplo, na Venezuela).
    Quanto ao Constantino, não sei se devemos perder muito tempo analisando seus sofismas. Sim, porque o que ele usa não são argumentos, mas sofismas. Você já leu alguma coisa dele, qualquer coisa, que não tenha adjetivos chulos e depreciativos ? Aliás, que maravilhoso seria se seguirmos a orientação de Machado de Assis naquele texto formidável sobre os impostos inconstitucionais (da prova do CACD de 2010, se não me engano) em que ele afirma que a primeira coisa que faria caso fosse imperador seria suprimir todos os adjetivos do mundo. Já imaginou o Constantino sem fazer uso de adjetivos? A capacidade – já reduzida – de seus ataques e exasperações iria definhar até – em curto espaço de tempo – desaparecer por completo.
    É um discurso tão infantilizado que não é possível perceber se é fruto de ignorância ou má fé. Eu chutaria uma combinação de ambos. O proselitismo no caso da Letícia Spiller confirma isso.
    E, como efeito colateral de qualquer menção crítica ao seus ídolo, os fãs acríticos do Constantino aparecem para destilar ódio e ainda mais ignorância que ele próprio pelas redes sociais. Talvez seja deliberadamente a intenção do colunista da Veja. Uma lástima…
    De qualquer maneira, valeu pelos comentários lúcidos, como de praxe.
    um abraço, meu caro amigo.
    Tales

  • Filipe, respirei sinceramente aliviado. Via alguns amigos (estudados) meus publicando, divulgando artigos do RC e não entendi o motivo de divulgar textos daquela qualidade. “Qualidades” que você já apontou. Fico amargurado quando vejo divulgações dos artigos dele. A quem poderá servir esse tipo de “apontamento de dedo”, de “quebra de vidraça”. O RC escolhe um assunto polêmico (só por ser polêmico) e bate, bate, bate. Simplifica, reduz e bate, bate, bate. Só. E as pessoas ainda divulgam isso. É realmente chocante. Difícil de acreditar o espaço que esse sujeito “conquistou”. O que me espanta é a crítica ao PT, que enquanto oposição, fazia o mesmo: sem base nenhuma criticavam só pela crítica. Bater dá ibope. Agora viu-se que não era diferente do que criticava. O mesmo ocorrerá com o RC. Eu não escrevo bonito, Filipe, mas eu sei ler. E o óbvio ululante, como mencionou um de seus críticos, não é tão fácil assim de ver. Quem acha que é, ignora o tamanho da sua ignorância.

  • Pingback: Resumo da Semana – 10/03 a 16/03 | Xadrez Verbal

  • Ao ler todos estes textos, sobretudo o do Constantino e o do senhor, percebo apenas grupos com posições ideológicas bem definidas defendendo seu ponto de vista. Particularmente sou contrário a qualquer um que vitima o criminoso tornando-o “vítima da sociedade”. Sobretudo quando tais opiniões partem de artistas consagrados pois estes são formadores de opinião. Acho uma infelicidade defender este ponto de vista assim como é defender Black Blocs como assim o fazem Caetano Veloso e o Suplicy. É por estas e outras que textos sensacionalistas como o do Constantino adquirem tamanha visibilidade com surpreendente (?) aprovação da imensa maioria. Ao fazerem apologia ao que nos causa temor e insegurança a esquerda dá um tiro no pé e arma a oposição. Não gosto do texto que o Constantino desenvolveu, pois é oportunista visando, principalmente, auto promover-se. Confesso entretanto que cumpriu plenamente o seu propósito. Já os textos de esquerda, como o do senhor, não deixam claro a posição sobre o assunto. Preocupa-se sobretudo em desacreditar o autor do polêmico texto e, dessa forma, minimiza o impacto de seu extenso e cansativo texto. Não gosto de quem faz sensacionalismo com a desgraça alheia mas admiro quem deixa claro sua posição e, por isso mesmo, vejo como mais positivo do que negativo o saldo do Constantino. Não me veja como um detrator pois, até o momento, nunca acompanhei vossos artigos, bem com os do Constantino. Por isso mesmo, peço que deixe mais nítido o que pensa sobre o assunto para que, aí sim, possamos desenvolver uma discussão que trate o assunto com a seriedade que merece. Simplificando, continue exercendo seu direito ao questionar e analisar com o devido senso crítico temas polêmicos e relevantes mas não se esqueça de explicitar com nitidez a sua posição sobre o assunto.

  • Pá de ouro para mim, que escavou o post com quase dois anos de idade.

    Só gostaria de atualizar o fato de que o RC caiu fora da Veja faz uns 2 meses e recentemente (umas duas semanas atrás) estava criticando o jogo Assasin’s Creed Syndicate por ter Marx como um personagem-chave, afirmando categoricamente a existência de uma Doutrinação Ideológica.

    http://rodrigoconstantino.com/artigos/doutrinacao-ideologica-no-jogo-assassins-creed-marx-vira-heroi/

    Abraços!

  • Achei esse blog hoje por acaso em um grupo fechado de estudos para a prova da diplomacia. No grupo debatemos temas sobre politica internacional, filosofia, leituras. Não há propaganda política e por isso difundimos textos com mais qualidade factual e analítica.
    Li vários textos deste blog hoje e fico MUITO feliz de tê-lo encontrado. Principalmente pela qualidade e pela nítida e indiscutível ausência de ranço político (esquerdaXdireita) TÃO presente e tão pobres no nosso pais nos tempos atuais. Eu não tenho NENHUMA orientação ou partido político, gosto de entender, discutir e debater idéias concretas e não especulações e (JUSTAMENTE!!) adjetivações constantes e desnecessárias, pobreza de fatos e de análises REAIS. Sou advogada, pós-graduada, e posso dizer que estudo muito, o que não me faz uma especialista em todos os aspectos e sentidos (não mesmo). Porém, conclusões sofismáticas CANSAM (é de revirar os olhos). Lendo Constantino me lembro da forma fantasiosa e risível (na verdade BEM ridícula) como as novelas retratam o que é uma audiência, um julgamento. é engraçado e infantil. Coisa feita mais para entretenimento do tipo “hoje eu quero ver algo bem bobinho para não ter que pensar muito”, do que para colher conhecimento.
    Sinto-me aliviada em ter algo mais interessante para ler.
    Especialmente porque não sou e nem quero ser de qualquer partido. Política eu enxergo como uma ciência, como direito, como psicologia, para ser estudada e analisada, de forma racional. e não como uma paixão.

  • Bom texto felipe!

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