Ato II: PSB, Marina Silva e Aécio

Caros leitores e amigos,

Primeiro, meu agradecimento. O post de ontem, sobre Marina Silva, e que será retomado hoje, teve, mais que muitas visualizações, bastante interação, com comentários aqui, comentários no Facebook, tanto na página do blog quanto na minha página pessoal, compartilhamentos e retweets. Isso é muito gratificante e serve de grande incentivo para a escrita e para a existência do blog. Gostaria que seja sempre assim (ou seja, uma pequena bronca também, além do agradecimento).

Pensei em abordar alguns outros assuntos hoje, mas acho que o tema Marina Silva ainda não se esgotou, especialmente com algumas notícias e comentários de ontem.  Primeiro, gostei muito do comentário do meu amigo Julio Meneghini, e acho que é construtivo reproduzi-lo por aqui. Sobre a possibilidade de Marina, se eleita como vice de Eduardo Campos, ser uma eventual candidata, em 2018, e fazer campanha contra seu próprio Presidente, seria possível que, com uma eventual retirada da possibilidade de reeleição, Marina tornar-se-ia a opção governista; não mais em conflito com o próprio governo, mas a figura a ser trabalhada perante o eleitorado. Eu acredito que isso seja um tanto improvável, mas a lógica do raciocínio é incontestável.

Marina em entrevista para Josias de Souza Foto: Reprodução

Marina em entrevista para Josias de Souza
Foto: Reprodução

Outra observação interessante foi de outro amigo e companheiro em um grupo de estudos “sinistro”, Henrique Sanchez, sobre o eleitorado de Marina Silva. Afinal, a maioria dos 19 milhões que votaram nela em 2010 é de esquerda, direita, indecisos? Marina talvez tenha conseguido angariar um apoio eleitoral difuso, majoritário entre as camadas médias (tanto setores progressistas que simpatizam com a centralidade da ecologia e a trajetória política da Marina, como setores conservadores estritamente preocupados com o combate à corrupção e, guiados pelo antipetismo, em busca de novas alternativas de oposição) e também extrapolou o eleitorado de classe média ao dialogar com uma parte das classes populares através da sua identidade religiosa e da sua própria origem e trajetória social. Um estudo interessante sobre sua opção religiosa e o eleitorado pode ser vista aqui, no blog do Ancelmo Gois.

Algumas notícias, comentadas, sobre Marina, que ontem concedeu diversas entrevistas. Primeiro, recomendo assistir sua entrevista para o blogueiro Josias de Souza, do portal UOL. Destaco o fato de Josias ter, em diversos momentos, apontado as contradições de Marina e sua nova aliança, e ela ter se esquivado ou amenizado na maioria do tempo; o momento em que foi mais direta foi ao refutar qualquer ligação com Gilberto Kassab e o PSD, possível aliado de Campos e o PSB; além disso, ela usou diversas vezes o termo “ato”, o que motivou o título desse post. Em outra entrevista, para a Folha de S. Paulo, fez seu tradicional teatro carregado nas tintas em tom melodramático, afirmando que sua coligação com Campos não foi uma “vingança”, mas “legítima defesa da esperança”. Seu discurso de perseguição chavista agora ganha contornos de martirização e de porta-estandarte de sentimentos. Uma tentativa tosca de sentimentalizar de forma maniqueísta uma decisão judicial.

Em uma notícia paralela, o candidato do PSDB, Aécio Neves, afirmou, em Nova Iorque, que Aliança entre Marina e Campos supostamente prenuncia o fim do ciclo de governo do PT. Também disse algumas outras bobagens de campanha, que não tratarei aqui, ao menos nesse texto. O ponto é: Aécio trabalha pela sua candidatura ou por uma candidatura anti-PT? É louvável, e cortês, saudar outros candidatos e a criação de uma nova chapa, mas, pragmaticamente, afirmar que isso significa a derrocada de um adversário comum é precipitado, trágico e mesquinho. Precipitado, pois nada indica que Campos e Marina serão aliados de Aécio em um eventual segundo turno contra Dilma Roussef. Trágico, considerando a pesquisa presente no link já citado aqui, da jornalista da Folha Vera Magalhães, em primeiro turno, Dilma tem 38%, Marina, 20%, Aécio, 17%, e Campos, 5,5% das intenções de voto; ou seja, a coligação tão louvada por Aécio pode significar seu alijamento de um eventual segundo turno. Mesquinho pois não foca seus próprios esforços, sua própria capacidade, não afirmou que prenuncia a chegada do PSDB, mas meramente a derrocada do PT; parece o torcedor de futebol que comemora mais a derrota do rival do que a vitória de seu próprio time.

Finalmente, afirmei que o ato de Marina poderia ser interpretado como falta de lealdade, tanto aos seus apregoados princípios quanto aos seus aliados de sua base. E o que começou? A debandada, iniciada por um de seus principais, senão o maior, aliado, o ex-deputado federal Luciano Zica, que, então filiado ao PT, foi secretário nacional de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente na gestão Marina (2003-2008). Trocou o partido pelo PV junto com a ex-senadora, em 2009 e foi um dos coordenadores da campanha presidencial de Marina em 2010 e, com a saída dela do PV, passou a articular o Rede em São Paulo.

“Nossa proposta era a de fazer da política uma nova política. E o PSB não tem métodos menos velhos que os outros partidos (…) Passei meio de bobo na história. Não que eu não seja, mas não precisava ficar tão evidente”

Não são apenas as minhas palavras. São também palavras de alguém próximo de Marina por todos esses anos, atestando o dano na imagem da candidata.

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Como sempre, comentários são bem-vindos.

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