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Xadrez Dominical – Halloween e antropofagia

Caros leitores, motivado e baseado no texto publicado aqui no dia 31 de Outubro, Pratique a antropofagia no Halloween, decidi juntar referências tanto do Helloween “importado” quanto do folclore nacional e fazer um Xadrez Dominical sobre Halloween.

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Xadrez Dominical – Doze de Outubro

Caros leitores, hoje, dia Doze de Outubro, seria feriado para a maioria das pessoas; “seria” pois é Domingo. Dependendo da sua opção religiosa e da sua faixa etária, pode ser o Dia da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, ou o Dia das Crianças. Em outras palavras, não poderia ser outro tema para o Xadrez Dominical de hoje.

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Xadrez Dominical – Pompéia

Caros leitores, foi na data de hoje, 24 de Agosto, quase dois mil anos atrás (mais precisamente, 1935 anos), que a cidade romana de Pompéia foi sepultada pela erupção do vulcão do Monte Vesúvio. Digo, talvez. A data é considerada pelas fontes escritas, mas algumas fontes arqueológicas sugerem algum dia de Outubro, começo de Novembro. De qualquer forma, a data consagrada é 24 de Agosto. A cidade de Pompeii começou a ser redescoberta no século XVI, mas apenas no século XVIII e, especialmente, no século XIX, que virou um sítio arqueológico. Dos mais importantes e bonitos. A erupção conservou muito da cidade, seus moradores, hábitos e arte; os afrescos eróticos de Pompéia foram, por certo tempo, censurados, em nome da moral vigente na Itália. Dada sua importância, o tema do Xadrez Dominical de hoje é Pompéia.

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Xadrez Dominical – Emiliano Zapata

Caros leitores, nessa última semana, no dia Oito de Agosto, o revolucionário mexicano Emiliano Zapata teria feito cento e trinta e cinco anos; obviamente, dado que isso seria impossível, fiquemos apenas com a marca mais que centenária. Zapata foi o principal líder camponês da Revolução Mexicana de 1910, que derrubou o ditador Porfírio Diaz e cujos efeitos estão presentes na sociedade mexicana até hoje, assim como o zapatismo, conjunto de ideias derivado da atuação revolucionária de Zapata. Emiliano Zapata foi assassinado em 1919, numa emboscada das forças do rival Venustiano Carranza. Com algumas dicas para o leitor que quiser saber mais sobre essa figura histórica, vamos ao Xadrez Dominical sobre Emiliano Zapata.

A primeira dica é um filme, o principal filme do tema. Viva Zapata!, de 1952, com Marlon Brando e Anthony Quinn, que venceu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante como Eufemio Zapata. O filme ainda foi indicado a mais quatro Oscar. Embora seja em inglês e em espanhol, o filme é uma produção alemã.

 

Sinopse do AdoroCinema: Em 1909, no México, um grupo de lavradores vai até o presidente, afirmando que suas terras foram roubadas, e um deles deixa claro que o governo não pretende fazer nada por eles. Este lavrador acaba se tornando um guerrilheiro, que por vários anos teve importância política na vida do país.

A segunda dica é musical. A banda Rage Against the Machine, dos EUA, faz diversas referências ao zapatismo e a Zapata em suas músicas e no seu ativismo político. Seu disco ao vivo, Battle of Mexico City, é um exemplo disso, assim como a música Calm Like a Bomb

 

A terceira dica é um documentário. Um Lugar Chamado Chiapas, da canadense Nettie Wild, é um documentário em primeira pessoa, filmado pela própria documentarista, nos locais. Chiapas é uma província mexicana controlada pelo  Ejército Zapatista de Liberación Nacional (EZLN), comandada pelo Subcomandante Marcos, figura política conhecida. O levante zapatista se deu em 1994, contra a crise econômica mexicana derivada da dolarização atrelada ao NAFTA; a maioria dos seus componentes são indígenas da etnia maia. O documentário venceu o Genie Awards, o “Oscar Canadense”.

A_Place_Called_Chiapas_VideoCover

 

Documentário na íntegra e legendado

 

A quarta dica é artística. Um dos maiores artistas plásticos mexicanos, Diego Rivera, marido de Frida Kahlo, pintou diversos murais com a temática da Revolução Mexicana. O leitor pode acessar a obra dele, biografia e imagens no site do Museu Virtual Diego Rivera.

Diego_Rivera_mural_featuring_Emiliano_Zapata

 

A quinta e última dica é cultural, num sentido mais amplo. No México existe a Ruta Zapata (Caminho de Zapata), em Morelos, terra natal do revolucionário. Locais que podem ser visitados, como sua casa, além de museus e monumentos. O leitor pode ver fotos e vídeos, além de outras informações, no site da Ruta Zapata na agência governamental de turismo do México.

A menção do post de hoje é outro aniversário do século XIX; hoje, dia Dez de Agosto, faz cento e cinquenta anos da Guerra do Uruguai, ou Guerra contra Aguirre, quando o Império do Brasil interviu na disputa política interna do Uruguai e colocou o Partido Colorado no poder. O conflito é parte da presença brasileira na região no Rio da Prata no século XIX e fator decisivo para a Guerra do Paraguai, o maior conflito da América do Sul. Uma maneira rápida, fácil e de boa qualidade para compreender o período é ler os dois primeiros capítulos do livro O Brasil no Rio da Prata (1822-1994), de Francisco Doratioto, autor do livro Maldita Guerra, maior obra sobre a Guerra do Paraguai.

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O livro é editado pela Fundação Alexandre de Gusmão e pode ser comprado por dez reais ou baixado, legalmente e de forma gratuita, no site da FUNAG. 

Gostaram, não gostaram, mais dicas? Comentem a vontade!

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Xadrez Dominical – Islândia

Caros leitores,

Na última terça-feira, dia dezessete de Junho, celebrou-se o aniversário de setenta anos da independência da Islândia. A gelada ilha atlântica era parte do Reino da Dinamarca e, após plebiscito, a população islandesa aboliu a monarquia e declarou-se independente, no meio da Segunda Guerra Mundial; inclusive, já que o tema de separatismo europeu é tratado aqui no blog por algumas semanas, não custa lembrar que outra ilha atlântica em breve poderá passar pelo mesmíssimo processo. Falo da Groenlândia, mas isso é outro tema. Em comemoração aos setenta anos da independência islandesa, vamos ao Xadrez Dominical sobre a Islândia.

Essa foto noturna da erupção do Eyjafjallajökull em 2011 não contém nenhum efeito de Photoshop. Bons sonhos.
Essa foto noturna da erupção do Eyjafjallajökull em 2010 não contém nenhum efeito de Photoshop. Bons sonhos.

Para a imensa maioria das pessoas, quando falamos em Islândia, pensa-se em poucas coisas. As opções costumam serem vulcões gigantescos de nome impronunciável, paisagens exóticas e belas que servem de local para muitos filmes, ou a Björk. E a primeira dica de hoje é justamente ela. Não sou profundo conhecedor de sua obra, sequer fã, mas a importância da artista e inegável. Oito discos de estúdio no currículo, com mais de vinte milhões de cópias vendidas, catorze indicações ao Grammy, duas trilhas sonoras compostas por ela, inclusive uma indicação ao Oscar de Melhor Música Original, com I’ve Seen It All, do filme Dançando no Escuro, de Lars von Trier. Ah, filme que rendeu à ela o prêmio de Melhor Atriz em Cannes, ainda por cima.

 

Existem outras coisas na Islândia. A ilha é conhecida por seu rico folclore e cultural local, ligado à mitologia nórdica, além de personagens locais. Um exemplo é Erik, o Vermelho, navegador viking islandês que talvez tenha sido o primeiro europeu que chegou à América, quinhentos anos antes de Colombo. Um filme islandês que trata da mitologia nórdica é Beowulf & Grendel, de 2005, sobre a lenda de Beowulf. Filmado na Islândia e dirigido pelo islandês Sturla Gunnarsson, conta com Gerard Butler no papel principal. O filme é conhecido pelo seu retrato cru da violência e pela ambientação histórica fidedigna ao período que em a história se passaria.

 

A próxima dica é de leitura. A Islândia, mesmo como uma República nova e de população pequena (menos de 326 mil pessoas, atualmente; menor que a população de Blumenau, Santa Catarina), produziu um vencedor do prêmio Nobel. Especificamente, o de literatura. Falo de Halldór Kiljan Laxness, mais conhecido apenas como Halldór Laxness. A produção de Laxness é grande, vinte e dois romances, e mais outros tantos de contos, peças, ensaios, etc. Atualmente, editada no Brasil, temos apenas uma obra dele: Gente Independente, editada pela Globo Livros, uma de suas principais obras. Buscando em sebos, pode-se encontrar outras obras dele editadas em português, como A Estação Atômica.

A quarta dica é um documentário. Maybe I Should Have é um documentário islandês de 2010 que analise a crise financeira devastadora no país, em 2008, e a recuperação consequente. Recuperação que foi feita marginalmente ao sistema financeiro internacional e de forma democrática; referendos sobre a ação do Estado islandês, estatização dos bancos quebrados, prisão para os banqueiros responsáveis e uma reforma da economia da ilha. Um caso muito curioso e que não recebe a atenção devida, seja pelo tamanho diminuto do país, seja por interesses variados. Você pode ler algumas matérias sobre o assunto, como essa aqui e esta outra. Infelizmente, eu só encontrei o documentário com legendas em inglês.

 

A quinta e última dica é um site. O portal Islândia Brasil contém muita informação em português sobre a ilha. História, lendas, comida, curiosidades, vídeos, fotografias e muita informação turística, caso o leitor planeje passear por lá. O portal é de uma agência de viagens especializada em Islândia, daí o foco do site. Embora seja de finalidade comercial, é uma ótima fonte, ainda mais considerando que já é em português.

E qual seria a menção do post? Um dos maiores enxadristas da História, Bobby Fischer, dos EUA, Fischer já era grão-mestre de xadrez aos quinze anos e virou uma estrela mundial quando a Guerra Fria foi reduzida ao tabuleiro de xadrez e ele venceu o soviético Boris Spassky pelo título mundial. Agora, o que Bobby Fischer tem a ver com a Islândia, deve estar se perguntando o leitor. Foi em Reykjavík, capital da Islândia, que Fischer derrotou Spassky. E foi em Reykjavík que Fischer morreu, em 2008, aos 64 anos de idade, após residir por três anos na ilha, como cidadão islandês. O governo islandês concedeu asilo por razões humanitárias, por considerar que Fischer era perseguido pelos governos dos EUA e do Japão, devido declarações polêmicas do enxadrista. Essa história é contada em dois documentários. Bobby Fischer e Eu, documentário islandês que conta a relação de Bobby Fischer com a ilha, especialmente com seu amigo Saemundur Palsson (que o leva para morar lá), e Bobby Fischer contra o mundo.

Documentário legendado e na íntegra

 

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Xadrez Dominical – 70 anos do Dia D

Caros leitores, como não poderia deixar de ser, o Xadrez Dominical homenageia os eventos do dia Seis de Junho de 1944 e seus envolvidos. Como mencionado no post de sexta-feira, o Dia-D, o desembarque dos Aliados na Normandia, foi uma das maiores operações de todos os tempos, envolvendo homens do Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Bélgica, Checoslováquia, Polônia, Noruega, França, Grécia, Holanda e Nova Zelândia. Repito as palavras do texto anterior: envolve tantos detalhes que seriam impossíveis de serem cobertos aqui. Então, sem mais delongas, vamos ao Xadrez Dominical dos 70 anos do Dia D.

Cemitério dos EUA em Colleville-sur-Mer, Normandia, onde estão enterrados 9.387 homens.
Cemitério dos EUA em Colleville-sur-Mer, Normandia, onde estão enterrados 9.387 homens.

A primeira dica é um filme. Melhor dizendo, é O filme sobre o tema. O Mais Longo dos Dias, de 1962, reúne um dos mais estrelados elencos de todos os tempos, com John Wayne, Kenneth More, Richard Todd, Robert Mitchum, Richard Burton, Sean Connery, Henry Fonda, Red Buttons, Rod Steiger, Leo Genn, Peter Lawford, Gert Fröbe, Irina Demick, Bourvil, Curt Jürgens, Robert Wagner e Paul Anka; vários deles serviram na guerra e aceitaram pagamentos padronizados para a participação na obra.

Além disso, várias das pessoas reais retratadas no filme, como o major alemão Werner Pluskat, o piloto Josef “Pips” Priller e o general e ex-Presidente dos EUA Dwight D. Einsenhower, comandante de todas as tropas aliadas no Dia-D, prestaram consultoria aos produtores. O filme é, de longe, a representação mais fiel dos acontecimentos dos dias cinco e seis de Junho de 1944. Assistam. E leiam. Ler? O título do filme vêm do livro do jornalista Cornelius Ryan, uma obra-prima de um dos maiores correspondentes de guerra. O livro está disponível em formato habitual, em formato pocket e em eBook.

 

Falando em O Mais Longo dos Dias, é o nome também de uma música. Os ingleses do Iron Maiden a lançaram em no álbum A Matter of Life and Death, de 2006. A música fala, obviamente, do Dia-D, da perspectiva de um soldado. No vídeo abaixo, você pode ouvir a música junto com uma montagem de fotos famosas do Dia-D e com as letras em inglês. Caso queira uma versão traduzida da letra, pode ler aqui, mas o original é sempre melhor, caso você compreenda o idioma. Ah, e se preferir ouvir algo que um soldado provavelmente ouviu antes de embarcar, pode arriscar a orquestra de Glenn Miller com In the Mood, ou The Andrews Sisters e a Boogie Woogie Bugle Boy Of Company B.

 

A terceira dica é outro filme. Talvez a maior produção sobre o Dia-D, com uma sequência crua e realista do desembarque na praia de Omaha que ficou marcada. Estou falando de O Resgate do Soldado Ryan, filme vencedor de cinco Oscar. O filme é uma história de ficção, mas feita com diversos pedaços reais. Por exemplo, as ações do personagem de Tom Hanks no desembarque são baseadas no capitão Ralph E. Goranson, e a história dos irmãos Ryan é levemente inspirada pelos irmãos Niland. Um filmaço.

 

Se o que você quer não é ficção, é realidade, então a quarta dica é um documentário. Sempre que falo sobre a Segunda Guerra Mundial aqui no Xadrez Verbal, eu recomendo a série britânica de documentários Battlefield; essencialmente a primeira e a segunda temporadas. Dessa vez não seria diferente, com o episódio duplo da Batalha da Normandia. O vídeo abaixo contém os dois episódios em um arquivo, na íntegra; entretanto, sem legendas, mas são facilmente encontradas.

 

A quinta é última dica é um livro. Se eu mencionei o ótimo O Mais Longo dos Dias, também devo lembrar que se trata de um livro com sessenta anos de idade. Embora rico em depoimentos e material primário, muito sobre o episódio se descobriu desde sua publicação. Sendo assim, a recomendação é Dia D, do historiador inglês Antony Beevor, autor de diversos, e ótimos, livros sobre a Segunda Guerra Mundial. O livro está disponível em português pela Editora Record.

Finalmente, a menção do post é uma minissérie. Band of Brothers, produzida pela HBO em dez episódios em 2001, aclamada como uma das melhores produções para a televisão de todos os tempos. Os produtores são apenas Steven Spielberg e Tom Hanks, que se apaixonaram pelo tema justamente durante a produção de O Resgate do Soldado Ryan (Hanks também dirige um episódio). A série conta a história da Companhia Easy, do 506º Regimento, paraquedistas que estiveram envolvidos em alguns dos principais combates no fronte Ocidental.

Além de muito bem produzida, conta com um ótimo elenco e uma separação de episódios muito boa, intercalados por depoimentos dos veteranos, já idosos, que são retratados em tela. O motivo de ser uma menção é que a operação na Normandia é tema específico apenas dos três primeiros episódios; após, a série segue até o final da guerra, em Maio de 1945. O título da série é inspirado na peça Henrique V, de Shakespeare, e também é o título do livro que baseou a produção, disponível pela Bertrand Brasil. A série também conta com um documentário, protagonizado pelos veteranos, e é uma boa variação para os fãs da série Friends, que podem ver David Schwimmer (o Ross) em um papel dramático.

 

Amanhã publicarei algumas fotos das celebrações dos 70 anos do Dia-D, tiradas na Normandia, por um amigo que está lá. Não percam.

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Xadrez Dominical – Rock irlandês

Leitores, o segundo vídeo do canal do XadrezVerbal já está no ar, falando um pouco sobre Guerra Fria e o cenário atual. Não querem perder nenhum vídeo? Acessem o canal do XadrezVerbal no Youtube e se inscrevam!

Caros leitores, como dito neste texto do XadrezVerbal, ontem, dia 17 de Maio, foi o 40º aniversário dos atentados de Dublin e Monaghan, na Irlanda. Em menos de duas horas, quatro carros-bomba explodiram sequencialmente nas duas cidades irlandesas, matando trinta e três pessoas e deixando cerca de trezentas feridas. Foi o dia mais violento do período de conflitos na Irlanda chamado de Troubles (“Problemas”), entre 1966 e 1998, e também foi o maior ataque terrorista da História da Irlanda e do Reino Unido. Ainda pretendo falar um pouco mais sobre isso aqui no blog, mas a data mais do que justifica o tema do Xadrez Dominical de hoje: o rock irlandês

ITR-PCL-00045299O rock (e aqui falando de uma classificação ampla de rock, incluindo o rock clássico, punk, heavy metal, etc) é o estilo musical mais popular e prolífico da Irlanda. Muitas vezes trata de temas políticos irlandeses, além de uma mistura cultural, com influências da música folk irlandesa, descendente da música celta. Baseado um pouco em gosto pessoal, um pouco em repercussão, vamos à lista das cinco dicas de hoje.

Pra começar, o vocalista e guitarrista Rory Gallagher, um dos “pais do rock” irlandês. Iniciou a carreira em 1963 e estourou com a banda Taste, antes de seguir em uma carreira solo de sucesso, com mais de 30 milhões de discos vendidos. Sua obra é rock puro, com flertes com o blues. Morreu jovem, aos 47 anos, em 1995, depois de um transplante de fígado malsucedido. Em 1970, em uma entrevista, um cara disse que Rory Gallagher era o melhor guitarrista do mundo. O tal cara? Jimi Hendrix.

 

Em 1969 surge uma das maiores bandas de hard rock de todos os tempos, que influenciou dezenas de outras bandas e ajudou a “inventar” o heavy metal. O Thin Lizzy. A história da banda se divide em duas partes. A primeira, clássica, com Phil Lynott como frontman, até 1983. A banda rompe e, em 1986, Lynott morre aos 36 anos, em decorrência do uso de heroína. Em 1996 a banda se reúne e está aí até hoje, mas sem gravar material novo, em tributo a Lynott. Um dos maiores clássicos da banda é Whiskey in the Jar, que ficou muito conhecida nos anos 2000 pela sua regravação pelo Metallica. Para variar um pouco, o vídeo é de outro clássico.

 

Em 1980, uma banda de caras praticamente adolescente assina com a Island Records. 150 milhões de discos e 22 Grammys (um recorde) depois, cá estamos. Obviamente, estou falando do U2. O U2 sempre divide opiniões, por terem tornado seu som muito mais pop do que rock propriamente dito, além do engajamento político exagerado de seu vocalista, Bono Vox; mas a banda merece respeito, de forma indiscutível. Uma das coisas mais curiosas sobre o U2 é que se trata das pouquíssimas bandas que, em mais de trinta anos de história, com um sucesso gigantesco, nunca passou por mudanças na formação. Sempre foram os mesmos quatro caras. A música aqui foi citada no texto anterior; ela trata do Domingo Sangrento de 30 de Janeiro de 1972, em que vinte e seis pessoas foram baleadas por soldados ingleses, sendo cinco pelas costas. Catorze pessoas morreram.

 

Nos anos 1980, uma banda cria um novo estilo de música. Tá certo que muitos dos rótulos musicais que existem são preciosismo ou necessidade de marketing, mas quando se trata de celtic punk (punk celta), é algo de fato novo. O The Pogues junta o punk operário londrino com influências culturais e musicais celtas e folk irlandesas. A banda foi fundada como Pogue Mahone – que é a versão anglicizada do gaélico póg mo thóin, que significa “beije meu traseiro”, em uma tradução adaptada. Tiveram que mudar de nome justamente por reclamações de pessoas que falavam gaélico. Recentemente, uma música da banda fez muito sucesso, comercialmente falando, por estar na trilha sonora do filme P.S.: Eu te amo; a música é a balada Love you ‘Till the End.

 

Chegamos aos anos 1990. E a formação do The Cranberries, que junta rock, pop rock e música folk. Uma das bandas de maior sucesso dos anos 1990, com mais de 40 milhões de álbuns vendidos, o Cranberries é marcado pela voz rouca de Dolores O’Riordan, das poucas mulheres na frente de uma banda de rock. Em 2003 a banda “deu um tempo”, e seus membros foram se dedicar aos seus projetos solo e outras coisas, voltando em 2009 e lançando um disco novo em 2012. A música aqui citada é das mais pesadas da banda, lançada em 1994; é uma música de protesto, que faz um paralelo da Irlanda da década de 1990 com a Revolta da Páscoa de 1916. As cenas externas do clipe foram filmadas em Belfast, Irlanda do Norte, das cidades com mais conflitos da ilha. Os soldados britânicos que aparecem no clipe não sabiam que sua imagem seria usada para um clipe de uma música de protesto, achavam que era para um documentário.

 

Além das cinco dicas, qual a menção do post de hoje? É para o rock irlandês…feito fora da Irlanda. Como citado, a migração irlandesa para a América do Norte foi em grandes números, por isso a cultura irlandesa é muito presente em algumas cidades dos EUA e do Canadá, como Boston, a cidade que recebeu mais imigrantes irlandeses, junto com Nova Iorque. E essa grande sociedade de migrantes e seus descendentes mantém sua marca cultural. Bandas como Flogging Molly, The Mahones e Dropkick Murphys, que mantém a referência irlandesa tanto no som quanto no conteúdo das letras. Deixo aqui uma gravação do Flogging Molly de uma canção folclórica irlandesa, cantada em pubs, sobre cerveja (outro grande produto irlandês).

 

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Xadrez Dominical – Ditadura Militar parte 1

Caros leitores,

Como a maioria de vocês deve saber, amanhã e depois, dias 31 de Março e Primeiro de Abril, será o aniversário de cinquenta anos do golpe de 1964 que iniciou a ditadura militar brasileira. Dada a importância da data, motivo de diversas coberturas na mídia e nas redes sociais, o Xadrez Dominical de hoje, e o do próximo domingo também, serão sobre o período. A primeira parte, de hoje, dará algumas dicas de filmes e de músicas. A segunda parte tratará de documentários e livros. Então, vamos ao Xadrez Dominical de filmes e músicas sobre a ditadura militar.

abaixoFilmes. Cinco dicas, em ordem cronológica, e uma menção.

Pra frente, Brasil, de 1982, com Reginaldo Faria e Antônio Fagundes, foi um dos primeiros filmes que abordou o tema da ditadura. O filme foi indicado ao Urso de Ouro do Festival de Berlim. Mesmo produzido durante o período da Redemocratização, o filme trouxe problemas para os produtores e pessoas envolvidas; Celso Amorim, futuro Chanceler, na época presidente da Embrafilme, teve que pedir demissão do cargo, por ter aprovado seu financiamento. Pra mim, o filme é um ótimo exemplo dos aspectos emotivos da sociedade brasileira; um cidadão que apoiava a ditadura apenas muda de ideia quando ele se vê vítima de abusos.

Sinopse do AdoroCinema: “Em 1970 o Brasil inteiro torce e vibra com a seleção de futebol no México, enquanto prisioneiros políticos são torturados nos porões da ditadura militar e inocentes são vítimas desta violência. Todos estes acontecimentos são vistos pela ótica de uma família quando um dos seus integrantes, um pacato trabalhador da classe média, é confundido com um ativista político e “desaparece”.”

Filme na íntegra

 

O Beijo da Mulher-Aranha, de 1985, é uma coprodução entre Brasil e EUA, dirigido por Hector Babenco, indicada a quatro prêmios Oscar, inclusive Melhor Filme, e também indicado à Palma de Ouro em Cannes; William Hurt venceu em ambos as cerimônias como Melhor Ator.

Sinopse do AdoroCinema: “Em uma prisão na América do Sul, dois prisioneiros dividem a mesma cela. Um é homossexual e está preso por comportamento imoral e o outro é um prisioneiro político. O primeiro, para fugir da triste realidade que o cerca, inventa filmes cheios de mistério e romance, mas o outro tenta se manter o mais politizado possível em relação ao momento que vive. Mas esta convivência faz com que os dois homens se compreendam e se respeitem.”

Filme na íntegra

 

O Que É Isso, Companheiro?, de 1997, dirigido por Bruno Barreto, foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 1998, com o nome de Four Days in September. É baseado no livro homônimo, de 1979, de Fernando Gabeira. O filme conta a história do sequestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick, em setembro de 1969, por integrantes dos grupos guerrilheiros de esquerda MR-8 e Ação Libertadora Nacional, que objetivavam trocá-lo por presos políticos.

Sinopse do AdoroCinema: “O jornalista Fernando (Pedro Cardoso) e seu amigo César (Selton Mello) abraçam a luta armada contra a ditadura militar no final da década de 60. Os dois alistam num grupo guerrilheiro de esquerda. Em uma das ações do grupo militante, César é ferido e capturado pelos militares. Fernando então planeja o sequestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick (Alan Arkin), para negociar a liberdade de César e de outros companheiros presos.”

Filme na íntegra

 

O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de 2006, dirigido por Cao Hamburger, foi nomeado ao Urso de Ouro do Festival de Berlim de 2007. O filme foi motivo de certa polêmica, pois foi o escolhido para ser a indicação nacional ao Oscar, em detrimento de Tropa de Elite; no fim das contas, o filme não foi selecionado nem para ser indicado. A produção do filme foi muito elogiada e ele divide com Pra frente, Brasil o fato de ter, como pano de fundo da trama, a Copa do Mundo de 1970.

Sinopse do AdoroCinema: “1970. Mauro (Michel Joelsas) é um garoto mineiro de 12 anos, que adora futebol e jogo de botão. Um dia sua vida muda completamente, já que seus pais saem de férias de forma inesperada e sem motivo aparente para ele. Na verdade os pais de Mauro foram obrigados a fugir por serem de esquerda e serem perseguidos pela ditadura, tendo que deixá-lo com o avô paterno (Paulo Autran). Porém o avô enfrenta problemas, o que faz com que Mauro tenha que ficar com Shlomo (Germano Haiut), um velho judeu solitário que é seu vizinho. Enquanto aguarda um telefonema dos pais, Mauro precisa lidar com sua nova realidade, que tem momentos de tristeza pela situação em que vive e também de alegria, ao acompanhar o desempenho da seleção brasileira na Copa do Mundo.”

Filme na íntegra

 

Faroeste Caboclo é o filme mais recente da lista, de 2013. O filme é baseado na música homônima da banda Legião Urbana, e foi sucesso de público. O filme não aborda diretamente o período da ditadura, embora algumas passagens fiquem implícitas, como páginas de jornal e a presença ostensiva do exército em algumas cenas de época. O filme é interessante para desmistificar um pouco o período, explicitando que durante a ditadura, vista como muitos como um período de grande segurança pública, havia tráfico de drogas, crimes variados, assassinatos, corrupção policial, etc.

Sinopse do AdoroCinema: João (Fabrício Boliveira) deixa Santo Cristo em busca de uma vida melhor em Brasília. Ele quer deixar o passado repleto de tragédias para trás. Lá, conta com o apoio do primo e traficante Pablo (César Troncoso), com quem passa a trabalhar. Já conhecido como João de Santo Cristo, o jovem se envolve com o tráfico de drogas, ao mesmo tempo em que mantém um emprego como carpinteiro. Em meio a tudo isso, conhece a bela e inquieta Maria Lúcia (Ísis Valverde), filha de um senador (Marcos Paulo), por quem se apaixona loucamente. Os dois começam uma relação marcada pela paixão e pelo romance, mas logo João se verá em meio a uma guerra com o playboy e traficante Jeremias (Felipe Abib), que coloca tudo a perder.

Filme na íntegra

 

Finalmente, saindo dos filmes dramáticos e históricos, menção ao filme O Homem que Comprou o Mundo, de Eduardo Coutinho, morto recentemente em um episódio trágico. O filme, de 1968, é uma sátira do regime militar e da Guerra Fria como um todo, usando países fictícios, como as Potências Anterior (paródia dos Estados Unidos) e Posterior (paródia da União Soviética). O filme tem um grande elenco da época, com Flávio Migliaccio, Marília Pêra, Raul Cortez e Milton Gonçalves, entre outros. Foi o primeiro filme longa-metragem de Coutinho.

Sinopse do AdoroCinema: Em uma sociedade fictícia, José Guerra (Flavio Migliaccio), cidadão comum, recebe um milionário cheque e não consegue retirar o dinheiro. Acreditando que o uso da fortuna colocará em risco a economia do país, as autoridades prendem José e exigem que ele mude de ideia.

Filme na íntegra

 

Músicas. Cinco dicas, em ordem cronológica, e uma menção, de músicas da época, sobre a ditadura ou icônicas do período; são dicas motivadas pelo significado cultural e social das canções, não por critérios musicais ou de gosto.

De 1967, de Caetano Veloso, Alegria, Alegria é um marco da Tropicália.

Trecho: Caminhando contra o vento/Sem lenço e sem documento/No sol de quase dezembro/Eu vou

 

De 1967, de Wilson Simonal, Tributo a Martin Luther King foi uma das primeiras músicas que trataram do tema do racismo no Brasil.

Trecho: Sim, sou um negro de cor/Meu irmão de minha cor/O que te peço é luta sim/Luta mais!/Que a luta está no fim…

 

De 1968, Caminhando (Para não dizer que não falei das flores), de Geraldo Vandré, se tornou um dos maiores símbolos do movimento estudantil do período. Linkei a versão com a poderosa voz de Zé Ramalho.

Trecho: Há soldados armados/Amados ou não/Quase todos perdidos/De armas na mão/Nos quartéis lhes ensinam/Uma antiga lição: De morrer pela pátria/E viver sem razão

 

De 1969, As curvas da Estrada de Santos, de Roberto Carlos, retrata o boom econômico do período, simbolizado pela indústria automobilística, e é um símbolo da Jovem Guarda, o movimento cultural que é muito criticado por ter sido “apolítico”, voltado apenas para a diversão.

Trecho: Você vai pensar que eu/Não gosto nem mesmo de mim/E que na minha idade/Só a velocidade anda junto a mim

 

De 1973, Cálice, de Chico Buarque, talvez seja a música mais direta sobre a repressão, que na época estava provavelmente em seu auge, durante o governo Médici.

Trecho: De muito gorda a porca já não anda (Cálice!)/De muito usada a faca já não corta/Como é difícil, Pai, abrir a porta (Cálice!)/Essa palavra presa na garganta

 

Finalmente, menção à Pra frente, Brasil, música tema da Copa de 1970, que foi usada, tanto a música quanto a conquista esportiva, pela ditadura para fins de propaganda, com forte tom ufanista.

Trecho: Noventa milhões em ação/Pra frente Brasil, no meu coração/Todos juntos, vamos pra frente Brasil

 

Fiquem de olho para a próxima parte, semana que vem.

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